Com a colaboração do Setor de Tecnologia
O Centro Politécnico da Universidade Federal do Paraná (UFPR) conta agora com uma sala calma, espaço de acomodação sensorial voltado a estudantes neurodivergentes que precisam de um momento de pausa durante a rotina universitária.
Localizada no segundo andar da Biblioteca de Ciência e Tecnologia, a sala oferece um ambiente com menos estímulos, onde estudantes podem se reorganizar antes de retomar suas atividades. A inauguração ocorreu nesta quarta-feira (26), com apresentação do espaço à comunidade universitária.
A iniciativa integra as ações da UFPR voltadas à acessibilidade e à permanência estudantil. Em agosto, a instituição lançou a cartilha Acessibilidade na Educação Superior: construindo possibilidades para estudantes autistas, com informações sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e orientações para práticas pedagógicas inclusivas e serviços de apoio disponíveis na instituição.
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A Universidade também vem ampliando a oferta de recursos de acessibilidade, com a aquisição de cadeiras de rodas e carteiras adaptadas para distribuição em diferentes espaços. Atualmente, 677 estudantes autistas são acompanhados pela Coordenadoria de Acessibilidade (CAS), da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe).


A sala calma começou a ser planejada no início do ano, a partir da demanda apresentada por estudantes. A proposta foi encabeçada pela coordenação do curso de Engenharia Ambiental, em articulação com a direção do Setor de Tecnologia e coordenações dos demais cursos.
“Esse projeto nasceu da demanda de inclusão de estudantes que chegaram ao nosso curso e que precisavam de um atendimento inclusivo e diferenciado”, explica a vice-coordenadora de Engenharia Ambiental, Ana Flávia Locateli Godoi. A construção do espaço envolveu a busca por um local adequado, aquisição de poltronas e pufes, objetos sensoriais e abafadores.
O diretor do Setor de Tecnologia, Luiz Fernando de Lima Luz Júnior, ressalta que a iniciativa foi construída de forma coletiva. “É uma sala que foi construída a diversas mãos, com a contribuição de docentes do Setor de Tecnologia, da Proafe, da reitoria e, especialmente, do Sistema de Bibliotecas e da Biblioteca de Ciência e Tecnologia, que nos cedeu o espaço”, afirma.
Para a psicóloga Mayara Paes, da Coordenadoria de Acessibilidade (CAS), o espaço responde a uma necessidade identificada no acompanhamento dos estudantes. “Estruturar um local em que esses estudantes, em um momento de autorregulação, possam se deslocar e possam estar é uma medida muito importante para a permanência deles e para a qualidade de vida”, afirma.
A sala calma ficará aberta a estudantes dos diferentes setores que funcionam no Centro Politécnico e é a primeira iniciativa desse tipo no campus. O ambiente pode ser utilizado de segunda a sexta-feira, das 7h15 às 20h15, durante o horário de funcionamento da biblioteca. O uso é destinado a momentos de pausa e autorregulação.
Entre as orientações estão manter o silêncio, evitar celular com som, não utilizar o espaço para estudos, reuniões ou conversas e respeitar as necessidades das demais pessoas. Redutores de ruído e objetos de apoio à regulação podem ser emprestados na Seção de Periódicos, no segundo andar.
Em momentos de sobrecarga, estudantes podem apresentar a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CIPTEA) ou uma identificação de acesso fornecida pela coordenação do curso para facilitar a entrada na biblioteca. Contudo, a identificação não é obrigatória e a equipe foi orientada a acolher e apoiar estudantes que precisem chegar rapidamente ao espaço. Mais informações podem ser conferidas no site do Setor.
Em 2024 o Setor de Ciências Jurídicas inaugurou uma sala de regulação sensorial no Prédio Histórico da UFPR. Localizado no subsolo, próximo à entrada para cadeira de rodas, o espaço foi pensado para proporcionar acolhimento e conforto para quem precisa de um momento de pausa e cuidado sensorial, prevenindo crises, evitando riscos, aumentando a qualidade do espaço de ensino de forma inclusiva e evitando a necessidade de ir para casa, diminuindo faltas e atuando para a permanência estudantil.
Os dois ambientes tiveram orientação e assessoria do Coletivo Stim, grupo estudantil e projeto de extensão da UFPR focado no movimento autista e no respeito à neurodiversidade.
Outras salas com a mesma proposta estão em processo de implantação na UFPR, ampliando a oferta de espaços voltados à acessibilidade e à permanência estudantil.
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