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Cartilha propõe novas práticas para inclusão de estudantes autistas na UFPR 

13 agosto, 2026
07:51
Por Jéssica Tokarski
Ensino e Educação

Material reúne orientações para práticas pedagógicas inclusivas e informações para estudantes 

O aumento da presença de estudantes autistas na Universidade Federal do Paraná (UFPR) traz novos desafios para a construção de um ambiente acadêmico mais acessível e inclusivo. Para contribuir com docentes e estudantes, a Universidade lançou a cartilha Acessibilidade na Educação Superior: construindo possibilidades para estudantes autistas, que reúne informações sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), orientações para práticas pedagógicas inclusivas e serviços de apoio disponíveis na instituição.

Atualmente, 677 estudantes autistas são acompanhados pela Coordenadoria de Acessibilidade (CAS), da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe), e representam o maior grupo atendido pela unidade.

Segundo o coordenador da CAS, Wagner Bitencourt, a procura pelo atendimento da unidade tem aumentado de forma consistente, tanto entre estudantes que ingressam na Universidade já com diagnóstico quanto entre aqueles que são diagnosticados durante a graduação. Entre as barreiras enfrentadas por estudantes autistas no ensino superior estão a falta de previsibilidade, avaliações pouco claras, questões sensoriais e atitudes de descrédito em relação ao diagnóstico.

Juliana Crespo Lopes, professora do Setor de Educação e uma das autoras do conteúdo, comenta que, desde que ingressou na UFPR em 2022, lecionou para estudantes autistas ou em processo de identificação do autismo em todos os semestres. 

“Mais de uma vez ouvi estudantes autistas reclamando de dificuldades em lidar com as demandas acadêmicas. Um deles chegou a desistir do curso, atribuindo a decisão a não se sentir incluído”, revela. Essas situações levaram o projeto de extensão Universidade Inclusiva: novos olhares sobre o perfil discente, coordenado por Juliana, a realizar rodas de conversa com estudantes autistas, que resultaram em um primeiro material divulgado em 2024

Na sequência, a aluna de iniciação científica Camila Fernandes produziu episódios de podcast com estudantes autistas, entrevistando também Juliana e Bitencourt e realizou checklists para docentes a partir das conversas. Os materiais foram atualizados pela CAS utilizando contribuições diretas desses estudantes.  

Recomendações da cartilha 

A previsibilidade é um aspecto importante para estudantes autistas. Segundo Juliana, pessoas autistas podem apresentar rigidez cognitiva, o que costuma dificultar lidar com mudanças inesperadas na rotina e no planejamento. Nesse sentido, a previsibilidade significa que aquilo que foi planejado aconteça conforme o esperado pelo estudante. Por exemplo: ir ao campus e ter a aula que está planejada, em vez de encontrar um bilhete na porta informando que não haverá aula. 

A cartilha sugere que os docentes elaborem um cronograma de aulas e o sigam; no início do semestre disponibilizem textos nas plataformas institucionais ou enviem leituras com semanas de antecedência; e avisem local e horário de provas previamente. 

Entre as recomendações para questões sensoriais estão evitar sons altos, avisar antes de apagar ou acender as luzes, respeitar o uso de abafadores de ruído e disponibilizar por escrito o passo a passo de atividades práticas. 

As estratégias de comunicação com estudantes autistas incluem ser direto e específico nas explicações, indicando, por exemplo, o número mínimo e máximo de linhas para um texto. A cartilha também recomenda explicitar os critérios de avaliação, permitir formas alternativas de aferição de desempenho, flexibilizar a composição dos grupos e utilizar meios de comunicação institucionais para repassar materiais e conteúdos.  

Outras recomendações incluem conversar com estudantes sobre suas necessidades de adaptação, construir enunciados claros, evitar ambiguidades, reservar um momento específico para esclarecimento de dúvidas, fomentar diálogos em sala e respeitar estratégias diferenciadas de aprendizagem e o tempo dos estudantes. 

O material reúne ainda informações sobre o funcionamento da UFPR e situações que podem surgir ao longo da vida acadêmica, como mudanças inesperadas, características das salas de aula, uso dos banheiros e os serviços de apoio disponíveis aos estudantes. 

De acordo com Bitencourt, o principal objetivo do documento é promover reflexões e oferecer orientações práticas sobre possibilidades de adequação pedagógica, além de facilitar a adaptação de estudantes autistas ao ambiente universitário. 

Em breve o trabalho deve ser ampliado para outras necessidades de acessibilidade. “A CAS está em fase de elaboração de outros materiais sobre acessibilidade na educação superior, dentre eles altas habilidades/superdotação e orientações gerais sobre acessibilidade para estudantes com deficiência”, afirma. 

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