UFPR recebe XII Jornada de Ensino, Pesquisa e Extensão da Questão Agrária no Paraná

26 agosto, 2026
17:45
Por Luana Lopes
Extensão e Cultura

Programação reúne comunidades indígenas, pesquisadores e estudantes, e marca o início dos trabalhos de construção do Atlas dos Territórios Indígenas no Paraná. 

A Universidade Federal do Paraná (UFPR) recebe, de 28 a 30 de agosto, a XII Jornada de Ensino, Pesquisa e Extensão da Questão Agrária no Paraná, em Curitiba. Realizado anualmente em universidades públicas do estado, o evento reúne pesquisadores, estudantes e representantes de comunidades indígenas para discutir as diferentes realidades dos povos do campo, da floresta e das águas.  

A Jornada é promovida pelo Observatório da Questão Agrária no Paraná, rede formada por professores, pesquisadores e extensionistas de várias universidades. De caráter itinerante, o evento busca aproximar-se da realidade agrária das diferentes regiões em que estão presentes integrantes do Observatório, promovendo diálogos com pesquisadores locais e visitas a comunidades tradicionais, movimentos sociais, iniciativas de agroecologia e locais de educação do campo, organizações de mulheres e reforma agrária. 

Em 2026, a Jornada será realizada na UFPR, com a participação de professores e estudantes dos cursos de Geografia, Arquitetura e do Setor de Educação da universidade, além de integrantes do curso de Música da Universidade Estadual do Paraná (Unespar). Ao longo dos três dias, serão realizadas oficinas, rodas de conversa, trabalho de campo e atividades culturais no Centro Politécnico, no prédio da Reitoria e na Terra Indígena Ywy Dju, em Piraquara.  

Atlas dos Territórios Indígenas no Paraná 

A Jornada também será um momento importante para o desenvolvimento do Atlas dos Territórios Indígenas no Paraná. O projeto, em fase inicial, tem duração prevista de 17 meses, e o evento vai iniciar os trabalhos como um encontro para ajustar metodologias, levantar informações e escutar as comunidades. 

De acordo com Jorge Montenegro, professor do Departamento de Geografia da UFPR e um dos responsáveis pela iniciativa, o Atlas vai sistematizar informações existentes sobre estes povos no estado, além de aprofundar temas como juventude indígena, práticas ancestrais e diversidade organizativa das mulheres. A proposta também prevê a produção de um material didático em português e em duas línguas indígenas. 

“A 12ª Jornada é uma grande oportunidade para socializar toda essa construção. Tem muita gente envolvida na equipe da UFPR e do Observatório para que o material iniciado nesse evento esteja à altura do desafio de representar com qualidade e compromisso pelo menos uma parte de toda a riqueza acumulada pela presença indígena no território que hoje chamamos de Paraná”, afirma. 

Entre as atividades do evento, estão oficinas conduzidas pelas próprias comunidades indígenas, com temas como grafismos e pinturas corporais, cartografia social em escolas indígenas e organização territorial. Também serão realizadas atividades pelas equipes envolvidas na elaboração do Atlas, abordando o uso de geotecnologias, caminhadas sonoras e experiências cartográficas em terras indígenas. A programação inclui ainda rodas de conversa sobre a organização das mulheres indígenas, juventude indígena, uso de agrotóxicos em terras indígenas, conflitos e violência e práticas ancestrais relacionadas à terra e às sementes. 

As noites culturais complementam a programação com apresentações de música, artesanato, poemas, documentários, dança e cantos indígenas. 

Acesse a agenda completa aqui. 

O Observatório da Questão Agrária no Paraná reúne pesquisadores da UFPR, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), da Universidade Estadual do Centro Oeste (Unicentro), do Instituto Federal do Paraná (IFPR), da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), da Universidade Estadual do Paraná (Unespar) e da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). Também participam da construção do Atlas e da organização da Jornada o Coletivo de Estudos sobre Conflitos pelo Território e pela Terra (Enconttra); o Laboratório Território, Cultura e Representação (LATECRE); o Estúdio Fronteira; o projeto de extensão Cartografando: Representação, identidade e resistência dos e nos territórios dos povos originários e tradicionais; o projeto EcoMúsicas (UNESPAR) e o Coletivo Planejamento Territorial e Assessoria Popular (Plantear).

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