
Prédio Histórico da Estação – Museu Ferroviário
Texto de leitura rápida: A Estação do Museu Ferroviário funciona no antigo edifício da Estação Ferroviária de Curitiba, hoje integrado ao Shopping Estação. O espaço preserva peças, mobiliários, documentos e objetos ligados à memória ferroviária do Paraná. Para o MAFRO, o bem ganha relevância por sua ligação com a ferrovia Curitiba-Paranaguá, cuja idealização e estudos iniciais são associados ao engenheiro negro Antônio Pereira Rebouças Filho.
A Estação do Museu Ferroviário, localizada hoje dentro do Shopping Estação, é um lugar importante para entender a modernização de Curitiba e a participação negra na história da engenharia do Paraná. O museu funciona na antiga estação ferroviária da cidade, construída no fim do século XIX para conectar Curitiba ao litoral por meio da Estrada de Ferro Paranaguá–Curitiba. A ferrovia foi inaugurada em 1885 e marcou uma enorme transformação no transporte de pessoas e mercadorias no estado.
A história desse espaço também está ligada ao engenheiro negro Antônio Pereira Rebouças Filho. Nas décadas de 1860 e 1870, ele realizou estudos e ajudou a idealizar a criação de uma ferrovia entre Curitiba e Paranaguá. Em uma sociedade ainda escravista e racista, Antônio Rebouças se destacou por seu conhecimento técnico e por participar de um projeto que mudou a circulação e o desenvolvimento econômico do Paraná.

Breve resumo:
A Estação do Museu Ferroviário, localizada no atual Shopping Estação, é um importante espaço de memória sobre a ferrovia e a modernização de Curitiba. O local preserva a história da Estrada de Ferro Paranaguá–Curitiba, inaugurada em 1885, e ajuda a destacar a participação do engenheiro negro Antônio Pereira Rebouças Filho nos estudos e projetos da ligação ferroviária entre o litoral e a capital. A construção da ferrovia transformou Curitiba e contribuiu para o crescimento do bairro Rebouças como região industrial. Hoje, o museu reúne objetos e documentos ferroviários que mantêm viva essa memória. Para o MAFRO, o espaço é importante pois evidencia a presença negra na história da engenharia e da infraestrutura paranaense, área em que essa participação muitas vezes foi pouco reconhecida.
Essa ligação é muito importante para o MAFRO, pois mostra que a presença negra também faz parte da história da engenharia e da infraestrutura da cidade, embora isso muitas vezes não apareça nas narrativas tradicionais. O prédio da estação foi inaugurado depois da morte de Antônio Rebouças e teve projeto atribuído ao engenheiro italiano Michelangelo Cuniberti. Mesmo assim, a ferrovia que deu origem à estação está relacionada aos estudos e projetos pensados anteriormente pelos irmãos Rebouças.
A construção da ferrovia mudou profundamente Curitiba. A estação se tornou uma das principais portas de entrada da cidade e ajudou no crescimento do bairro Rebouças, que passou a concentrar fábricas, armazéns, hospedarias, bares, restaurantes e moradias de trabalhadores. Muitas indústrias se instalaram na região por causa da facilidade de transporte oferecida pelos trilhos.
O próprio nome do bairro Rebouças ajuda a lembrar a participação dos engenheiros negros na história da cidade. Mais do que uma homenagem, esse nome pode ser entendido como uma forma de recuperar a memória da presença negra na construção da infraestrutura urbana de Curitiba.

Conexão com outros lugares: A Estação do Museu Ferroviário se conecta à Estrada da Graciosa, à ferrovia Paranaguá-Curitiba, ao bairro Rebouças e à memória dos irmãos Rebouças na engenharia do Paraná. Também dialoga com a Usina Parigot de Souza e com a trajetória de Enedina Alves Marques, formando um eixo de leitura sobre engenharia negra, circulação, energia e infraestrutura no estado.
Com a inauguração da Rodoferroviária, em 1972, a antiga estação perdeu sua função principal no transporte ferroviário. Ao mesmo tempo, muitas indústrias deixaram a região, o que contribuiu para a transformação do bairro. Depois de anos com pouco uso, o prédio da estação passou por um processo de revitalização e foi incorporado ao Shopping Estação, inaugurado em 1997.
Essa mudança gera uma discussão importante. Por um lado, parte da estrutura histórica foi preservada e o Museu Ferroviário mantém viva a memória das ferrovias do Paraná. Por outro, o fato de o museu funcionar dentro de um shopping faz com que essa memória também esteja ligada a um espaço comercial e de consumo.

Referências:
D’AGOSTINI, Fernanda Figueiredo; ABASCAL, Eunice H. Sguizzardi. A ferrovia como elemento de geração de turismo e patrimônio. Cadernos de Arquitetura e Urbanismo, Paranoá, n. 19, 2017.
OLIVEIRA, Andrea Vanessa Borges. A presença da população negra na paisagem urbana: roteiros histórico-turísticos de Curitiba. 2025. Dissertação (Mestrado em Design) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2025.
PEREIRA, Bruno Alves Dourado. De estação ferroviária a Shopping Estação: apontamentos sobre um caso de requalificação urbana em Curitiba (PR). Revista Textos Graduados, v. 7, n. 2, p. 63-70, 2021.
RPC. Museu Ferroviário de Curitiba: horários de funcionamento e informações. Curitiba: Rede Globo/RPC, 2024.
SANTANA, Alexandre da Silva. A estação de trem de Curitiba em modelagem 3D: uma forma de retratar a história do trem. 2017. Trabalho de Conclusão de Curso (Tecnologia em Design Gráfico) – Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba, 2017.
O acervo do museu possui centenas de objetos ligados à história ferroviária, como relógios, telefones, telégrafos, bagageiros, luminárias, peças de trens, documentos, maquetes e até uma locomotiva a vapor. Esses itens ajudam a mostrar como a ferrovia fazia parte da vida cotidiana e do desenvolvimento econômico da cidade.
Para o MAFRO, a importância da Estação do Museu Ferroviário está em revelar a presença negra em áreas onde ela costuma ser pouco lembrada, como a engenharia e a infraestrutura. O museu não deve ser apresentado como uma obra construída diretamente por Antônio Rebouças, mas como um espaço que preserva a memória de uma ferrovia ligada aos estudos e projetos idealizados por ele.
Assim, a Estação do Museu Ferroviário reúne diferentes dimensões da história de Curitiba: a memória da ferrovia, as transformações urbanas do bairro Rebouças e a participação de engenheiros negros no desenvolvimento da cidade e do Paraná.
