O Museu
O Museu de Territórios Afroparanaenses (MAFRO-UFPR) nasce como uma plataforma digital e se constitui como um museu universitário comprometido com a educação, a pesquisa e a extensão, vinculado à Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (PROAFE) da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Seus objetivos são: investigar, preservar e difundir a presença negra no estado do Paraná.
Inspirado no conceito de Museu de Território, o MAFRO compreende que o patrimônio afroparanaense é múltiplo, reconhecendo que a memória e a identidade da população negra ultrapassam os limites físicos. Seu acervo (encontrado de forma digital) é composto por registros fotográficos, audiovisuais e documentais. O MAFRO é feito de diálogos com comunidades negras, quilombolas, coletivos culturais e outros grupos representativos.
A MISSÃO do MAFRO é preservar, investigar e difundir territórios, memórias e a presença negra no Paraná, contribuindo para uma sociedade antirracista.
Sua VISÃO é se consolidar como um museu inovador e referência em ações afrocentradas, educativas e de reparação histórica.
Nesta perspectiva, tem como VALORES:

O MAFRO se constitui orientado para valorização da história afroparanaense, a democratização do acesso à memória e para a criação de políticas institucionais de equidade racial, contribuindo na produção de conhecimentos e reconhecimentos acerca da multiplicidade das experiências negras no Paraná.
Manifesto MAFRO-PR
Há mapas que mostram estradas, rios e cidades. E há mapas que guardam o silêncio das ausências e precisam ser refeitos para que um território reconheça aquilo que sempre esteve nele.
O Museu de Territórios Afroparanaenses nasce desse gesto: redesenhar o mapa simbólico do Paraná a partir da presença negra. Presença que não aparece apenas como lembrança do passado, mas como força que constrói lugares, modos de vida, conhecimentos, formas de trabalho, práticas de cuidado, expressões culturais e caminhos de futuro.
Ao conceber o MAFRO, a Universidade Federal do Paraná reconhece, publicamente, perante a sociedade, o conhecimento gerado nos territórios negros, nas comunidades negras, nas práticas transmitidas entre gerações e nas memórias negras que nem sempre couberam nos arquivos oficiais. Reconhece que pesquisar é escutar, descrever é revelar com cuidado, e difundir é combater o apagamento histórico. É repatriar simbolicamente toda feitura trançada por corpos-territórios negros e visibilizar as expressões culturais, os patrimônios materiais e imateriais, as trajetórias negras.
O MAFRO é um museu de territórios negros. Um espaço concebido para preservar, investigar e difundir presenças, memórias e as identidades negras no Paraná, contribuindo para a construção de uma sociedade antirracista.
Essa missão nos convoca a olhar o Paraná através das suas múltiplas camadas.
Camadas de cidade e de mata. De festa e de trabalho. De religiosidade e tecnologia. De escolas, rios, árvores, casas, danças, ofícios, lutas e pertencimentos. Camadas que mostram que as histórias negras não estão à margem da história do estado. Ela atravessa sua formação, sua paisagem, sua cultura e sua vida coletiva.
O MAFRO se afirma como museu de territórios.
Território como chão vivido e como memória coletiva. Território como relação entre pessoas, natureza, cultura, política e história. O MAFRO não se limita a reunir um acervo. Ele reconhece vínculos. Procura compreender o que cada lugar guarda, o que cada comunidade transmite, e o afeto que cada bem cultural faz circular.
Todo museu apresenta um discurso sobre a realidade. Esse discurso é feito de falar ou de silenciar, de presença ou ausência, de lembrança ou esquecimento, de mostrar ou esconder. O MAFRO assume essa condição com responsabilidade. Se todo museu é, por natureza, uma arena em disputa, o MAFRO escolhe a arena da memória viva, da pesquisa comprometida, da escuta responsável e da partilha de conhecimentos.
O MAFRO se orienta pelos princípios inegociáveis do pretagonismo, resistência, equidade, territorialidade, inclusão e memória.
Pretagonismo de comunidades e territórios, agentes da construção museológica. Resistência ao reconhecer permanências que atravessaram violências e apagamentos e subvertê-las por meio de diferentes processos de visibilização. Equidade para enfrentar desigualdades históricas com ações concretas. Territorialidade para afirmar que memória também tem chão, caminho, corpo e pertencimento. Inclusão para ampliar acesso, escuta e participação. Memória para devolver densidade aos lugares e dignidade às histórias.
Pertencimento não é apenas origem. É também vínculo, cuidado e responsabilidade mútua. Por isso, o MAFRO não se coloca acima dos territórios com os quais dialoga. Caminha com eles. Aprende com eles. Reconhece que o patrimônio afroparanaense pulsa em práticas, narrativas, imagens, artefatos, percursos e formas de transmissão que nenhuma vitrine, por si só, poderia conter.
O MAFRO projeta-se no amanhã como um museu universitário inovador e referência em iniciativas afrocentradas de reparação histórica e promoção da equidade racial.
Essa visão se ancora em um projeto de universidade capaz de escutar outros regimes de conhecimento. Uma universidade que pesquisa sem capturar. Que interpreta sem calar a voz dos territórios. Que transforma ciência em ponte, educação em prática antirracista e memória em direito público.
No MAFRO, musealizar é acender constelações.
Cada território possui luz própria. Cada bem cultural é ponto de ligação. Cada imagem, cada relato, cada prática e cada lugar ajudam a redesenhar o céu da história paranaense. O que parecia disperso começa a formar desenho. O que parecia isolado revela caminho. O que foi feito silêncio mostra sua gramática.
Este museu se organiza para fazer ver a presença negra onde a paisagem foi desenhada para não as revelar. Fazer ver os territórios onde a história oficial escreveu ausência.
Há ausências que são esquecimentos fabricados, silêncios que se tornaram costume. Há histórias que foram empurradas para as margens, mesmo tendo sustentado o centro.
Este manifesto é uma convocação.
Para que o Paraná seja lido por outras rotas.
Para que a presença e memória negra sejam tratadas como fundamento da história paranaense.
O MAFRO acredita que a reparação histórica pode deixar de ser promessa distante para se tornar prática, método, presença e compromisso.
Que o MAFRO seja território de encontro.
Que seja casa de escuta, estudo e partilha.
Que seja espaço de educação, fruição, reflexão, conhecimento e aquilombamento.
Que seja memória viva em movimento.
Que seja museu de chão, de comunidade, de dignidade e de futuro.
E que, ao abrir seus caminhos, o Museu de Territórios Afroparanaenses contribua para que o Paraná reconheça, com inteireza, as presenças negras que fizeram e fazem parte de sua história.
Equipe MAFRO-PR
Curitiba, 02 de julho de 2026
Lançamento do MAFRO PR/UFPR
