
Estrada da Graciosa
Texto de leitura rápida:
A Estrada da Graciosa liga o planalto curitibano ao litoral e foi decisiva para a circulação da produção paranaense no século XIX. Para o MAFRO, o bem ganha destaque pela atuação de Antônio Rebouças em sua construção e pela conexão territorial com a engenharia pública de Enedina Alves Marques.
A Estrada da Graciosa é um dos caminhos históricos mais importantes do Paraná. Ela liga Curitiba ao litoral atravessando a Serra do Mar e reúne história, paisagem, engenharia e desenvolvimento econômico. Antes de se tornar um ponto turístico conhecido pela beleza natural, a estrada foi criada para resolver um grande desafio do século XIX: facilitar a ligação entre Curitiba, Antonina e Paranaguá.
Pesquisas mostram que o caminho da Graciosa já existia desde o século XVIII. Em 1853, o governo da província decidiu estudar os melhores caminhos para atravessar a serra. Depois de análises feitas pelo engenheiro Henrique de Beaurepaire Rohan, a Graciosa foi escolhida por apresentar melhores condições para a construção da estrada.

Breve resumo:
A Estrada da Graciosa é um dos caminhos históricos mais importantes do Paraná, ligando Curitiba ao litoral pela Serra do Mar. A estrada teve papel fundamental no transporte de pessoas e mercadorias, especialmente da erva-mate, contribuindo para o desenvolvimento econômico do estado no século XIX. A obra contou com a participação do engenheiro negro Antônio Rebouças, destacando a presença negra na história da engenharia paranaense. Para o MAFRO, a Graciosa é importante porque une memória, infraestrutura e paisagem, mostrando como a participação de profissionais negros ajudou a construir o território e a modernização do Paraná.
A obra contou com a participação de vários engenheiros, entre eles Antônio Rebouças. Sua atuação foi muito importante para a construção da estrada e para a história do Paraná.
A Estrada da Graciosa teve grande impacto no crescimento econômico do estado, principalmente no transporte da erva-mate. Com a conclusão da estrada, na década de 1870, ficou mais fácil transportar mercadorias entre o litoral e Curitiba, fortalecendo o comércio e a indústria da região. Por isso, a estrada não deve ser vista apenas como uma paisagem bonita ou atração turística. Ela também representa uma importante obra de engenharia, criada para superar os desafios da Serra do Mar e melhorar a circulação de pessoas e produtos no Paraná.
Para o MAFRO, destacar a participação de Antônio Rebouças é importante porque ajuda a mostrar a presença negra na história da engenharia e das grandes obras do estado, algo que muitas vezes foi pouco reconhecido. Pesquisas também reforçam a importância de valorizar lugares e obras que revelam a participação da população negra na construção da paisagem paranaense.
Outro nome importante ligado a essa memória é o de Enedina Alves Marques, primeira engenheira negra do Paraná. Embora ela não tenha trabalhado diretamente na construção da estrada, sua atuação em obras públicas e projetos de energia na região da Serra do Mar faz com que sua trajetória também esteja ligada a esse território.


Referências:
BENITE, Anna Maria Canavarro. Enedina Alves Marques: primeira engenheira negra do Brasil. Revista da Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as, v. 12, n. 33, p. 688-691, jun./ago. 2020.
CEU ENEDINA. Enedina Alves Marques (1913-1981): esse lugar também é meu! Curitiba, 2026.
FELL, Elizângela Treméa. Da sanção do tempo e dos costumes: uma análise da institucionalização da obrigatoriedade da instrução pública no Paraná provincial. 2012. Tese (Doutorado em Educação: História, Política, Sociedade) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2012.
OLIVEIRA, Andrea Vanessa Borges. A presença da população negra na paisagem urbana: roteiros histórico-turísticos de Curitiba. 2025. Dissertação (Mestrado em Design) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2025.
TAKAHASHI, Leide Yassuco. Avaliação da visitação e dos recursos recreativos da Estrada da Graciosa. 1987. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 1987.
Assim, a Estrada da Graciosa pode ser entendida como um lugar que reúne paisagem, memória, engenharia e presença negra na história do Paraná. Mais do que uma rota turística, ela representa um espaço importante para compreender a infraestrutura, o desenvolvimento econômico e a participação de engenheiros negros na construção do estado.
