As comunidades quilombolas do Paraná
Quilombo é território vivido.
No Paraná, as comunidades quilombolas guardam histórias de permanência negra na terra, nas águas, nas roças, nas festas, nas casas, nas memórias familiares e nas formas coletivas de organização.
Elas estão presentes em diferentes regiões do estado: Vale do Ribeira, Campos Gerais, litoral, Oeste, Centro-Sul e Região Metropolitana de Curitiba.
O Paraná tem 7.113 pessoas quilombolas,
segundo o Censo Demográfico 2022.
Esse dado é histórico. Pela primeira vez, o Censo brasileiro perguntou sobre pertencimento étnico-quilombola, permitindo que o país conhecesse melhor onde vivem essas populações e como elas se distribuem pelo território.
O mesmo levantamento mostra um ponto importante: a maior parte das pessoas quilombolas no Paraná vive fora de Territórios Quilombolas oficialmente delimitados.
Isso significa que a presença quilombola é maior do que aquilo que já foi formalmente reconhecido pelo Estado.

O território vivido vem antes do território regularizado.
Uma comunidade quilombola existe por sua história, sua memória coletiva, seus vínculos de parentesco, seus modos de vida e sua autodefinição. O reconhecimento administrativo é importante, mas não cria a comunidade. Ele reconhece uma existência anterior.
Segundo a tabela mais atual da Fundação Cultural Palmares, o Paraná possui 43 comunidades quilombolas certificadas.
Esse número se refere às comunidades que já receberam certificação da Fundação. Ele não esgota a presença quilombola no estado, porque há comunidades negras tradicionais mapeadas, autodeclaradas ou em processo de reconhecimento.
Certificar não é titular.
A certificação reconhece a autodefinição quilombola da comunidade.
A titulação reconhece juridicamente o território coletivo.
Entre uma etapa e outra, muitas comunidades enfrentam longos processos administrativos, disputas fundiárias e dificuldades para garantir segurança territorial.
Por isso, falar de comunidades quilombolas é falar também de direito à terra.
As comunidades quilombolas fazem parte
dos Povos e Comunidades Tradicionais.
Esse termo se refere a grupos que se reconhecem como culturalmente diferenciados, possuem formas próprias de organização social e mantêm vínculos profundos com territórios, saberes, práticas e modos de vida transmitidos entre gerações.
No caso quilombola, esses vínculos estão ligados à história da população negra, à resistência à escravidão, às lutas por liberdade e ao enfrentamento das desigualdades produzidas depois da abolição formal.
O MAFRO destaca as comunidades
quilombolas porque elas são territórios afro-paranaenses.
Elas mostram que a presença negra no Paraná não está apenas nas cidades, nos monumentos, nas festas ou nos nomes registrados em documentos.
Está também nos caminhos rurais, nas cozinhas comunitárias, nas sementes, nos quintais, nas casas de farinha, nas lideranças, nas rezas, nas formas de plantar, colher, cuidar e permanecer.
Quilombo é memória, mas também é futuro.
Ao abrir esta guia, o MAFRO convida o público a olhar para o Paraná a partir de suas comunidades negras territoriais.
Um Paraná que nem sempre aparece na narrativa oficial.
Um Paraná construído também por comunidades que seguem defendendo a terra, a vida coletiva e o direito de contar sua própria história.
Conhecer os quilombos do Paraná é
reconhecer que a história negra do estado também tem chão.
Referências:
FUNDAÇÃO CULTURAL PALMARES. Tabela de Comunidades Remanescentes de Quilombos certificadas. Brasília: FCP, 2026.
IBGE. Censo Demográfico 2022: quilombolas e indígenas, por sexo e idade, segundo recortes territoriais específicos: resultados do universo. Rio de Janeiro: IBGE, 2024.
IBGE. IBGE avança na atualização da base territorial dos Povos e Comunidades Tradicionais. Agência de Notícias IBGE, 17 jun. 2026.
BRASIL. Decreto nº 6.040, de 7 de fevereiro de 2007. Institui a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais. Brasília: Presidência da República, 2007.
INSTITUTO DE TERRAS, CARTOGRAFIA E GEOCIÊNCIAS. Comunidades quilombolas no Estado do Paraná. Curitiba: ITCG, 2008.
MAFRO. Paraná Quilombola. Material gráfico interno de referência. Curitiba, 2026.
