Levantamento reúne dados de 35.699 espécies e identifica lacunas na pesquisa sobre um dos grupos mais diversos do planeta
O Brasil reúne a maior diversidade de besouros do mundo, com mais de 35 mil espécies registradas. Mas o grupo está longe de ser totalmente conhecido. Hoje, cerca de 144 novas espécies brasileiras são descritas anualmente e, se a tendência continuar, o número pode chegar a 180 por ano na próxima década, o equivalente a uma espécie descoberta a cada dois dias.
Isso é o que mostra um trabalho publicado no periódico da Sociedade Brasileira de Zoologia, que reuniu 100 pesquisadores de 15 países, para analisar o panorama atual da ordem dos besouros (Coleoptera) no país. O estudo usou dados do Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil (CTFB), inventários de biodiversidade de outros países (para fins de comparação), além do primeiro inventário nacional de Coleoptera, desenvolvido por Cleide Costa, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZUSP), em 2000, e outros documentos.
A ordem Coleoptera é a maior e uma das mais diversificadas ordens de insetos do planeta, segundo Edilson Caron, professor do Departamento de Biodiversidade da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e primeiro autor do artigo.
“Não é possível imaginar o mundo sem a ação dos besouros. Eles estão em todos os lugares: desde o solo, construindo galerias e camadas internas, até o topo das árvores mais altas, consumindo, polinizando e interagindo com todos os estratos”, diz Caron.
Uma das características que ajudam a explicar a diversidade dos besouros é a metamorfose completa, com quatro fases: ovo, larva, pupa e adulto. Cada estágio apresenta características e necessidades diferentes, permitindo que uma mesma espécie explore recursos e ambientes variados. Além disso, os besouros possuem uma estrutura que contribui para sua capacidade de adaptação: os élitros, asas anteriores endurecidas que funcionam como uma proteção para o corpo, explica o pesquisador.
Foram contabilizadas 35.699 espécies de besouros no Brasil, distribuídas em 4.958 gêneros pertencentes a 116 famílias. Isso representa aproximadamente 40% a mais de espécies do que há em toda a América do Norte. Os autores estimam que o país reúna em torno de 9% de todas as espécies de besouros descritas no mundo, podendo chegar a 15% da diversidade mundial quando se considera o número provável de espécies ainda desconhecidas.
Em comparação com o levantamento feito por Cleide Costa há 26 anos, a quantidade de gêneros registradas no Brasil cresceu aproximadamente 29%, enquanto a de espécies aumentou em torno de 33%. Apesar dos números impressionantes, pesquisadores apontam que há muito a descobrir. Alguns grupos são pouco estudados e várias famílias nunca foram registradas oficialmente.
Leia a matéria completa, no site da Ciência UFPR
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