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Mulher de fases

14 julho, 2011
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Quantas vezes na vida, ou quantas vezes no dia, a pessoa não tem um momento consigo mesma, quando pode mergulhar em seus próprios pensamentos e refletir. Cenário, luz e a presença da atriz no palco em “A beira do” levam o público a pensar que situação escolheria para completar o título da peça. O público do 21° Festival de Inverno da UFPR assistiu à apresentação de Cristiane de Macedo no Theatro Municipal na terça-feira (12).

Com direção, texto e dramaturgia assinados por Cristiane, a peça apresenta várias situações em que uma mulher está “um tom acima de si mesma”, como explica a atriz. “A mulher nunca faz a catarse, nunca chega ao desespero, mas está no limite”, conta. No limite da saudade, da memória, da perfeição, da preguiça, no limite entre juventude e velhice.

Além do texto de Cristiane, criado na linguagem do cotidiano, bastante acessível e concebido com a fluidez do pensamento, o espetáculo é aberto com “Carta ao filho Rocamadeau”, de Julio Cortázar e tem ainda três textos, na íntegra, de Clarice Lispector. “São várias situações muito comuns do ser humano, onde homens, mulheres e crianças se identificam”, diz Cristiane.

Da mulher que tem preguiça do dinheiro, de quem se dá importância demais ou até de “homens perfumadinhos”, até aquela que vive a limpar a casa, as coisas, a vida. Cristiane representa a filha, a neta, a mãe, a amiga, a mulher que trabalha e ama. Apresenta também a mulher que odeia – dietas, hipocrisia, pessoas esnobes – e aquela que erra. São apenas 14 estados de espírito, entre os muitos que podem ser vividos por uma mulher.

A sonoplastia, de Rodrigo Ferrarini, é atual e próxima do público. A iluminação é de Otávio Camargo e o cenário, de Marcelo Scalzo. O mobiliário do cenário nunca é igual. Em cada cidade que Cristiane se apresenta, os móveis sempre são emprestados por algum morador. “São móveis que tem memória, que fazem parte da história de quem emprestou”, conta.

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Monólogo reflete sobre situações limite para as mulheres.
Foto: Fabiana Caldart

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Fonte: Lais Murakami

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