
Praça
Carlos Gomes
Texto de leitura rápida: A Praça Carlos Gomes homenageia Antônio Carlos Gomes, maestro e compositor brasileiro do século XIX. Pesquisas recentes discutem o embranquecimento de sua imagem e apontam sua racialização como homem negro ou pardo. Para o MAFRO, a praça permite refletir sobre como a memória pública pode consagrar uma personalidade e, ao mesmo tempo, apagar sua negritude.
A Praça Carlos Gomes, no centro de Curitiba, homenageia o maestro e compositor brasileiro Antônio Carlos Gomes, importante nome da música brasileira do século XIX. A praça possui elementos ligados à música, como o mosaico em formato de lira, símbolo associado ao compositor. Mais do que um espaço urbano, ela representa uma homenagem à cultura e à música erudita brasileira.
Para o MAFRO, porém, a importância da praça vai além da homenagem ao músico. O espaço permite discutir como figuras pretas ou pardas da história brasileira muitas vezes passaram por processos de embranquecimento em sua memória pública. Embora Carlos Gomes seja reconhecido como um grande compositor nacional, sua identidade racial quase nunca foi destacada nas homenagens e representações sobre sua vida.

Breve resumo: A Praça Carlos Gomes, no centro de Curitiba, homenageia o compositor Antônio Carlos Gomes, importante nome da música brasileira do século XIX. Para o MAFRO, a praça também ajuda a discutir os processos de embranquecimento na memória pública brasileira. Estudos recentes mostram que Carlos Gomes era um homem negro de pele clara, mas sua identidade racial foi pouco destacada ao longo da história, enquanto sua imagem foi associada à branquitude. Assim, a praça se torna um espaço importante para refletir sobre como personalidades negras foram reconhecidas na cultura brasileira, mas muitas vezes tiveram sua negritude apagada das homenagens e narrativas oficiais.
Antônio Carlos Gomes nasceu em Campinas, em 1836, e teve uma carreira de grande destaque internacional. Foi o primeiro compositor brasileiro a apresentar obras no famoso Teatro alla Scala, na Itália. Sua ópera O Guarani, lançada em 1870, tornou-se uma das obras mais conhecidas da música brasileira.
Pesquisas e estudos recentes mostram que Carlos Gomes era um homem negro de pele clara ou pardo, mas que sua imagem foi sendo apresentada ao longo do tempo de forma mais próxima da branquitude. Esse processo de embranquecimento também aconteceu com outras figuras importantes da cultura brasileira, como Machado de Assis.
Por isso, a Praça Carlos Gomes ajuda o MAFRO a discutir um tipo de apagamento racial mais sutil: quando uma pessoa negra não é esquecida, mas tem sua identidade racial deixada de lado em sua memória pública. Carlos Gomes foi valorizado como grande artista, mas raramente apresentado como homem preto ou pardo em uma sociedade marcada pelo racismo e pela escravidão.

Referências:
GERMANO, Isabelle Cristine de Souza; GOMES, Raquel Gryszczenko Alves. Carlos Gomes embranquecido: imagem e tensões raciais em torno da memória do artista, séculos XIX-XX. Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 2021.
GOMES, Leonardo do Couto. Cavalgando a caminho do moderno: a estruturação do Prado Jácome de Curitiba (1873-1874). Recorde, Rio de Janeiro, v. 16, n. 2, p. 1-19, jul./dez. 2023.
PREFEITURA MUNICIPAL DE CURITIBA. Revitalização da Praça Carlos Gomes avança respeitando a identidade local. Curitiba, 28 jul. 2022.
SANTOS, Ynaê Lopes dos. Carlos Gomes e o embranquecimento de certos homens pardos. Deutsche Welle, 11 jul. 2024.
A praça também ajuda a entender as mudanças urbanas de Curitiba no final do século XIX. Imagens da época mostram que a região ainda tinha características rurais e estava passando por um processo de modernização e crescimento urbano.
Assim, a Praça Carlos Gomes pode ser entendida como um lugar que revela tanto a valorização da cultura brasileira quanto os processos de apagamento racial presentes na construção da memória pública. Para o MAFRO, o espaço é importante porque ajuda a mostrar que a presença negra na história também aparece em nomes e homenagens já consagrados pela cidade, mesmo quando essa dimensão foi pouco reconhecida ao longo do tempo.

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