
Casa Domingos Nascimento Sobrinho (sede do IPHAN)
Texto de leitura rápida: A Casa Domingos Nascimento, atual sede do IPHAN em Curitiba, foi construída em 1920 e depois realocada para o Juvevê. Sua importância para o MAFRO está na relação com a família Domingos Nascimento e com a infância de Enedina Alves Marques, criada na casa dessa família enquanto sua mãe trabalhava ali.
A atual sede do IPHAN em Curitiba, conhecida como Casa Domingos Nascimento, é um importante lugar de memória para a história negra da cidade. Mais do que um prédio histórico, ela guarda histórias ligadas à educação, ao trabalho doméstico, à mobilidade social e à trajetória de Enedina Alves Marques, a primeira engenheira negra do Brasil.
Construída em 1920 pelo major Domingos Nascimento Sobrinho, a casa foi transferida para o bairro Juvevê em 1984 e hoje abriga o IPHAN. Embora seja reconhecida pelo município como um bem de interesse de preservação, ela não possui tombamento federal, o que levanta debates sobre quais patrimônios recebem reconhecimento oficial.
A importância da casa para o MAFRO está na sua relação com a família de Enedina Alves Marques. Sua mãe, Virgília Alves Marques, trabalhava para essa família e vivia com os filhos na residência. Graças a essa convivência, Enedina estudou na mesma escola que a filha dos patrões, iniciando uma trajetória educacional que a levaria à Universidade Federal do Paraná e, posteriormente, à engenharia.

no bairro Juvevê, em Curitiba. Foto: Pedro Costa.
Breve resumo: A Casa Domingos Nascimento, atual sede do IPHAN em Curitiba, é um importante patrimônio para a memória negra da cidade. Sua relevância vai além da arquitetura, pois está ligada à trajetória de Enedina Alves Marques, primeira engenheira negra do Brasil. Foi nesse contexto familiar que Enedina teve acesso à educação, iniciando o percurso que transformaria sua vida. Para o MAFRO, a casa representa histórias de trabalho, escolarização, mobilidade social e resistência da população negra em Curitiba, tornando-se um importante bem de memória e patrimônio cultural.
Embora não seja possível afirmar com total certeza que a casa atual seja exatamente a mesma onde Enedina viveu na infância, a memória do local está diretamente ligada à família que participou de seus primeiros anos de formação.
Para o MAFRO, a Casa Domingos Nascimento permite olhar além da arquitetura e valorizar as histórias de pessoas negras que viveram, trabalharam e construíram suas trajetórias em Curitiba. O local representa a memória do trabalho de mulheres negras e das oportunidades que possibilitaram a ascensão de Enedina. Assim, a casa pode integrar o acervo do museu como um importante patrimônio da memória negra, urbana e institucional da cidade.


no bairro Juvevê, em Curitiba. Foto: Pedro Costa.
Referências:
CARVALHO, Anna Maria Canavarro Benite de. Enedina Alves Marques: primeira engenheira negra do Brasil. Revista da Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as, v. 12, n. 33, p. 688-691, jun./ago. 2020.
PAROL, Núbia. Patrimônio esquecido: as casas tradicionais de madeira no espaço urbano de Curitiba. Revista CPC, São Paulo, v. 20, n. 39, p. 189-221, jan. 2026.
SILVA, Luciane. Enedina Alves Marques (1913-1981): esse lugar também é meu! In: CEU Enedina. Curitiba, 2026.

