A melancolia, o pessimismo sobre a vida, o cientificismo e o apego à temática da morte são marcas da poesia do paraibano Augusto dos Anjos, um dos poetas mais singulares da Literatura Brasileira. Seu único livro publicado em vida, “Eu”, é o tema do mais novo episódio do Entrelinhas, programa da UFPR TV disponível no YouTube.
Quem ajuda a desvendar essa obra é o professor Ricardo Luiz Pedrosa Alves, do Departamento de Literatura e Linguística. O docente explica que Augusto dos Anjos está geralmente enquadrado pela historiografia literária brasileira em um período de transição chamado Pré-Modernismo. Esta fase, que também inclui autores como Euclides da Cunha e Lima Barreto, é marcada por escritos que têm influências de tendências anteriores, como o Simbolismo e o Parnasianismo, mas que já apresentam características modernas.
De acordo com Alves, o poeta herdou o rigor da métrica parnasiana e a musicalidade simbolista, mas as usava para sua própria expressividade poética. As características e temáticas de seu trabalho também se moldam na sua formação na Escola do Recife, um grande movimento filosófico e jurídico que nasceu na então Faculdade de Direito do Recife, hoje Universidade Federal de Pernambuco.
“Esse grupo intelectual tinha forte influência do cientificismo europeu, desde as teorias evolucionistas e as próprias teorias filosóficas que estavam correntes naquele contexto, também muito pessimistas com a vida europeia. Essas ideias chegam ao Brasil via Escola do Recife”, afirma. “O Augusto dos Anjos faz uso desse vocabulário cientificista. É uma espécie de ferramenta para entender a vida, destoando do vocabulário mais etéreo mais voltado para o sublime que a gente via nos parnasianos e nos simbolistas também”.
Augusto dos Anjos teve uma breve vida, marcada por dificuldades como a perda de um filho e a baixa recepção na época de Eu, que ele mesmo publicou com o auxílio do irmão Odilon. O poeta morreu aos 30 anos, vítima de uma pneumonia grave.
Uma edição póstuma de Eu organizada pelo amigo Órris Soares veio o reconhecimento de sua obra. Seu único livro conta com mais de 100 edições, e Augusto dos Anjos é celebrado como um dos grandes nomes de seu período e pela sua influência no modernismo brasileiro.
No programa Entrelinhas, você confere mais sobre a vida de Augusto dos Anjos, o contexto no qual está inserida a sua obra e dicas de aprofundamento, além de outras obras essenciais do vestibular e da literatura brasileira. Acesse a playlist completa da série.
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