O que o amanhã espera das novas gerações de profissionais? Para ajudar estudantes a refletirem sobre a escolha de suas carreiras, o Portal UFPR apresenta uma série de matérias sobre as oportunidades presentes na maior feira de cursos e profissões do Paraná, o Universo UFPR. O evento, gratuito, acontece em junho, em Curitiba, e será a oportunidade perfeita para conhecer de perto mais de 100 cursos de graduação da universidade e explorar as possibilidades de futuro que cada área oferece. Com propostas que unem tecnologia, criatividade, cultura e inovação, as graduações desta matéria mostram caminhos diferentes dentro da universidade.
À primeira vista, os nomes podem até confundir ou soar como algo distante da realidade. Mas basta olhar mais de perto para perceber que, por trás dessas graduações pouco conhecidas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), existem cursos que passam longe do óbvio: dá para aprender a construir instrumentos musicais, trabalhar com inteligência artificial, criar projetos em realidade virtual ou até entender como a sociedade lembra o passado.
Mais do que opções “fora do radar”, esses cursos revelam caminhos possíveis para quem não se vê nas carreiras tradicionais e mostram que universidade também pode ser lugar de experimentar, testar e descobrir novas formas de trabalhar.
Um dos exemplos mais curiosos é o curso de Tecnologia em Luteria, que muita gente ainda não entende de cara. “Já perguntaram se a gente ensinava a jogar na loteria, a lutar ou se era algo ligado à religião luterana”, conta o professor Thiago Corrêa de Freitas, que está no curso desde a criação.
No curso, os estudantes aprendem a construir e restaurar instrumentos musicais. Logo no primeiro semestre, eles já começam construindo um violão. A partir daí, vão aprimorando técnicas e criando instrumentos cada vez mais complexos, passando por violinos e guitarras elétricas até a restauração. “É um curso muito mais ligado a habilidades manuais refinadas do que à força”, explica Freitas.
Além da construção em madeira, os estudantes aprendem sobre acústica, design e mercado musical. O perfil ideal é de pessoas que gostam de trabalhos manuais, criatividade e atenção aos detalhes. O curso é o único do tipo no Brasil e tem duração de três anos.

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Se em Luteria o trabalho é manual, em Matemática Industrial o foco está nos códigos, dados e algoritmos. Apesar do nome, que pode remeter a fábricas, o curso está muito mais próximo da tecnologia.
“A ideia é usar matemática e programação para resolver problemas reais”, explica o coordenador Roberto Ribeiro. Isso inclui desde prever cenários no mercado financeiro até otimizar processos em grandes empresas.
O curso tem três grandes áreas: Análise Numérica, que na prática “ensina” o computador a resolver problemas matemáticos; Otimização, considerada a base matemática por trás de áreas como Inteligência Artificial e Machine Learning; e Física Matemática, que serve para modelar fenômenos do mundo real, como fluidos e processos naturais, usando matemática e computação científica.
Entre os formados recentes, 96% estão empregados e muitos antes mesmo de concluir a graduação. Os egressos atuam em empresas como Mercado Livre, Electrolux, Renault e BTG Pactual.

Único no Brasil, o curso de Expressão Gráfica mistura elementos de design, arquitetura e engenharia com forte uso de tecnologia. A duração é de quatro anos.
“É uma formação que permite atuar em projetos multidisciplinares, com ferramentas como modelagem 3D, impressão 3D, realidade virtual e aumentada”, explica o chefe do Departamento de Expressão Gráfica, Márcio Carboni.
Para ele, a formação que mais se aproxima é o Desing, porém Expressão Gráfica tem foco em tecnologias digitais. Os profissionais formados podem atuar em áreas ligadas à arquitetura, engenharia, design e indústria de produtos.

Já para quem se interessa por história, mas quer ir além da sala de aula tradicional, o curso de História, Memória e Imagem propõe outro olhar. Aqui, o passado não está só nos livros, ele aparece em fotografias, filmes, monumentos e até nas redes sociais.
“O curso não é apenas sobre o que aconteceu, mas sobre como o passado é construído, preservado e representado”, explica o coordenador Hector Guerra Hernandez. Por isso, os estudantes trabalham com museus, patrimônio, cultura visual e produção multimídia.
Ele destaca que a história não está apenas nos livros. “A imagem, no curso, não é enfeite. Ela é documento, linguagem, narrativa e objeto de análise histórica. O curso é interessante justamente porque forma alguém capaz de analisar esse mundo visual e memorial de maneira crítica”, pontua.
A graduação forma profissionais para atuar em arquivos, instituições culturais, museus, pesquisas e produção audiovisual.

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No Setor Palotina, a Engenharia de Energia forma profissionais voltados para geração, conversão e armazenamento de energia.
Apesar de muita gente confundir a graduação com Engenharia Elétrica, o foco é mais amplo: energia solar, eólica, hidrelétrica, biomassa, hidrogênio e eficiência energética fazem parte da formação.
O curso tem forte conexão com o agronegócio e com energias renováveis. “Energia está em tudo: na produção de alimentos, na indústria, nas cidades”, afirma o coordenador, professor Eduardo Burin.
Os estudantes participam de projetos práticos relacionados, por exemplo, à eficiência térmica de caldeiras e gestão energética em agroindústrias. E, na prática, eles atuam em situações reais, como avaliar a eficiência energética de processos industriais.
O mercado está em crescimento: com a expansão das fontes renováveis e das políticas de sustentabilidade, a área tem crescido rapidamente no Brasil.

Administração Pública, ofertado no Setor Litoral, é um curso voltado para quem quer entender como funcionam governos, políticas públicas e serviços oferecidos à população.
A graduação reúne disciplinas de administração, economia, direito e ciência política, sempre com foco na gestão pública.
Os profissionais podem atuar em prefeituras, governos estaduais e federais, tribunais, câmaras legislativas e também em empresas ou organizações que trabalham junto ao setor público.
Segundo a vice-coordenadora do curso, Daniela Archanjo, a formação é indicada para quem gosta de pensar soluções coletivas.
“Nesse curso a gente precisa gostar de política, ou seja, a gente precisa gostar da ideia de que precisa existir um governo para organizar a vida das pessoas. Um governo que não é perfeito, mas é melhor que viver tendo que obedecer a lei do mais forte e pronto. É um curso para quem quer trabalhar para melhorar a vida das pessoas”, resume.

A graduação em Produção Cultural forma profissionais capazes de criar, planejar e gerir ações culturais em áreas como música, audiovisual, patrimônio, museus, festivais, redes comunitárias e políticas culturais.
A professora Deborah Rebello Lima, formada pelo próprio curso, explica que produção cultural é uma profissão muito dinâmica e interdisciplinar. “O produtor cultural articula pessoas, linguagens, recursos e territórios para que ações culturais aconteçam”.
O profissional dessa área pode organizar festivais, produzir exposições, acompanhar artistas, elaborar projetos para editais, coordenar ações culturais em escolas ou comunidades, trabalhar em secretarias de cultura, gerir redes sociais de projetos culturais, fazer articulação com coletivos, pensar comunicação ou desenvolver pesquisas sobre cultura.
Ao longo da formação, os estudantes participam de projetos reais ligados à comunidade, festivais e espaços culturais. Muitos já atuaram em eventos como o Festival de Teatro de Curitiba e o Festival de Inverno da UFPR.
Além da prática, o curso também aborda temas como economia da cultura, direitos culturais, comunicação, curadoria e produção audiovisual.
A formação atrai pessoas interessadas em arte, comunicação e questões sociais, especialmente quem busca um trabalho criativo, dinâmico e conectado à vida cultural das cidades e comunidades.

O curso de Informática Biomédica, devido ao seu nome, muitas vezes pode ser confundido com Biomedicina, mas são cursos diferentes.
A graduação em Informática Biomédica tem forte base em computação e combina programação, matemática e tecnologia com conhecimentos das áreas biológicas e da saúde.
Segundo a coordenação, cerca de 70% da carga horária do curso é composta por disciplinas de computação, incluindo programação, inteligência artificial, banco de dados e aprendizado de máquinas.
A ideia é usar tecnologia para resolver desafios da área da saúde, como desenvolvimento de softwares hospitalares, sistemas de informação, análise de imagens médicas e ferramentas de apoio a diagnósticos.
“Não é um curso de Medicina. É um curso interdisciplinar, mas majoritariamente de Ciências Exatas”, destacam os coordenadores Guilherme Alex Derenievicz e Rachel Carlos Duque Reis.
Existem apenas três cursos de bacharelado em Informática Biomédica no Brasil, e apenas o curso da UFPR é em um setor de Exatas. “Isso torna o curso único e com uma formação específica que busca atender às necessidades atuais da saúde digital. Com essa formação, o profissional é capaz de entender e definir os desafios atuais na Saúde e aplicar o seu conhecimento para propor, projetar e implementar soluções computacionais de forma eficiente e responsável”, avalia a coordenação.
A formação prepara profissionais para atuar tanto em empresas de tecnologia quanto em hospitais, clínicas e centros de pesquisa.

A Licenciatura em Educação do Campo – Ciências da Natureza, graduação do Setor Litoral, nasceu de reivindicações de movimentos sociais ligados ao campo, às águas e às florestas.
Voltado à formação de professores para atuar em disciplinas como Ciências, Biologia, Física e Química em escolas do campo, o curso funciona em um sistema de alternância: os estudantes dividem o tempo entre a universidade e suas próprias comunidades, onde desenvolvem projetos e aplicam o que aprendem.
Segundo a coordenação, isso permite que agricultores familiares, indígenas, quilombolas, pescadores e outras populações tradicionais consigam acessar o ensino superior sem precisar abandonar seus territórios.
A graduação também trabalha com agroecologia, educação pública e diálogo entre conhecimentos científicos e saberes tradicionais.
“É uma formação que valoriza a realidade das comunidades e prepara professores para atuar nelas. O curso transforma a realidade dos próprios estudantes e das comunidades onde eles vivem”, afirmam as coordenadoras Viviane Camejo Pereira e Maria Isabel Farias.

No fim das contas, todos esses cursos têm algo em comum: mostram que existem muitas formas de construir uma carreira. E algumas delas são bem diferentes do que normalmente aparece nas listas mais conhecidas.
Para quem ainda está tentando decidir o futuro, talvez a pergunta não seja apenas “o que dá dinheiro?” ou “o que todo mundo faz?”, mas sim: o que faz sentido para você, mesmo que quase ninguém conheça esse caminho?
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