O que o amanhã espera das novas gerações de profissionais? Para ajudar estudantes a refletirem sobre a escolha de suas carreiras, o Portal UFPR apresenta uma série de matérias sobre as oportunidades presentes na maior feira de cursos e profissões do Paraná, o Universo UFPR. O evento, gratuito, acontece em junho, em Curitiba, e será a oportunidade perfeita para conhecer de perto mais de 100 cursos de graduação da universidade e explorar as possibilidades de futuro que cada área oferece.
A escolha de uma graduação costuma estar associada à construção de um projeto de vida e carreira. Mas, em um cenário marcado pela inteligência artificial e novas tecnologias, as profissões passam por transformações constantes. Se antes determinadas áreas eram reconhecidas por trajetórias mais estáveis e previsíveis, hoje profissionais precisam lidar com atualização contínua, além de demandas sociais e ambientais cada vez mais complexas.
Na UFPR, essa discussão atravessa diferentes cursos e setores acadêmicos. Mais do que incorporar ferramentas tecnológicas, a instituição busca formar profissionais capazes de compreender criticamente as mudanças do mundo contemporâneo e atuar de forma ética diante delas. Nos setores de Ciências Agrárias e Ciências da Terra, tradição e inovação aparecem lado a lado em formações que encaram desafios como mudanças climáticas, sustentabilidade, transformação digital, segurança alimentar e gestão de recursos naturais.
No Setor de Ciências Agrárias, cursos como Agronomia, Engenharia Florestal, Engenharia Industrial Madeireira, Medicina Veterinária e Zootecnia vêm ampliando a integração entre conhecimentos técnicos, inovação e sustentabilidade. Em Agronomia, por exemplo, a atuação profissional vai muito além da produção agrícola. O engenheiro agrônomo pode trabalhar com planejamento agrícola, consultoria, defesa sanitária vegetal, extensão rural, gestão de propriedades, comercialização de produtos e pesquisa científica.
Nos últimos anos, o curso passou por atualização curricular para incorporar conteúdos relacionados ao uso de drones, tecnologias embarcadas e bioinsumos na agricultura. A mudança acompanha um cenário em que o agronegócio se torna cada vez mais tecnológico e orientado por dados. Ao mesmo tempo, a formação mantém a preocupação com o manejo sustentável e com a compreensão dos impactos sociais e ambientais da produção agrícola.
Segundo o coordenador do curso de Agronomia, professor André Carlos Auler, o desafio está justamente em acompanhar a velocidade dessas mudanças.
“A necessidade de atualização constante exige aproximação entre universidade e setor produtivo, por meio de cursos de extensão, palestras, estágios e projetos conjuntos. Nesse contexto, iniciativas como a empresa júnior SEMEAR permitem que estudantes tenham contato direto com experiências de gestão e empreendedorismo ainda durante a graduação”, explica.
Na Engenharia Florestal, as mudanças climáticas e as discussões sobre bioeconomia ampliam o campo de atuação profissional. Hoje, além da gestão sustentável dos recursos florestais, ganham espaço temas como mercado de carbono, energias renováveis e interlocução com comunidades tradicionais.
“O profissional da área precisa reunir conhecimentos multidisciplinares e capacidade de adaptação tecnológica em um mercado globalizado e ambientalmente mais exigente”, observa a professora Giovana Bomfim de Alcantara, coordenadora do curso.
Para acompanhar esse cenário, a universidade tem fortalecido atividades extensionistas, oportunidades de intercâmbio e ações voltadas à inclusão e diversidade. Também há uma compreensão crescente de que ferramentas remotas podem complementar o processo de ensino-aprendizagem, ampliando flexibilidade e acesso às atividades acadêmicas.
Na Engenharia Industrial Madeireira, a transformação digital da indústria de base florestal impulsiona novas demandas profissionais. Sustentabilidade, economia circular, automação industrial e análise de dados aparecem entre as competências mais valorizadas. O profissional precisa dominar processos produtivos e, ao mesmo tempo, compreender questões relacionadas ao uso racional de recursos naturais, redução de resíduos e desenvolvimento de produtos com maior valor agregado.
A chamada Indústria 4.0 também redefine os desafios da área. A rápida incorporação de tecnologias exige atualização permanente e capacidade de adaptação a ambientes produtivos cada vez mais dinâmicos. Em resposta, a universidade vem reforçando atividades práticas, projetos interdisciplinares e integração com o setor produtivo, além de estimular metodologias ativas de ensino e o desenvolvimento de competências socioemocionais.
Na Zootecnia, as transformações tecnológicas do agronegócio ampliam o papel estratégico do profissional na produção de alimentos e na gestão sustentável dos sistemas de criação animal. Em um cenário de crescimento populacional e aumento da demanda global por proteínas de origem animal, o zootecnista atua na gestão de recursos naturais, humanos e produtivos em cadeias ligadas à bovinocultura, avicultura, suinocultura, equinocultura e outras áreas da produção animal. Por tudo isso, a formação exige um perfil multidisciplinar e capacidade de atualização constante. Além do domínio técnico, ganham importância competências ligadas à gestão de pessoas, comunicação, tomada de decisões e articulação com diferentes setores do agronegócio.
Nesse contexto, a universidade vem ampliando oportunidades de integração entre teoria e prática por meio de projetos de pesquisa, extensão, estágios e parcerias com empresas e instituições do setor.
“A proposta é permitir que os estudantes tenham contato mais direto com situações reais do campo, participem de projetos aplicados e ampliem sua experiência profissional ainda durante a graduação, incluindo possibilidades de intercâmbio e cooperação internacional”, resume o coordenador do curso, professor Rafael Prado Silva.
No Setor de Ciências da Terra, a relação entre tecnologia e interpretação crítica da realidade também aparece como eixo central da formação. Na Geografia, a formação interdisciplinar permite ao estudante transitar entre temas ligados à Geografia Humana, Geografia Física e Geotecnologias. O profissional atua com análise espacial, interpretação de dados georreferenciados, elaboração de mapas, diagnóstico ambiental e leitura crítica do espaço urbano e rural.
Ferramentas como inteligência artificial, drones, computação em nuvem e sensoriamento remoto já fazem parte da rotina da área. Mas o desafio, segundo a coordenação do curso, não está apenas no domínio técnico dessas tecnologias. É preciso desenvolver capacidade analítica e repertório teórico para utilizar essas ferramentas de maneira criativa diante da complexidade dos problemas sociais e ambientais contemporâneos.
Outra preocupação crescente envolve a dimensão ética do uso de dados territoriais. Questões relacionadas à privacidade, desigualdade de acesso à tecnologia e uso responsável das informações tornam-se cada vez mais relevantes em uma sociedade orientada por dados.
Para responder a essas transformações, o curso de Geografia investe em formação interdisciplinar, atividades práticas de campo e treinamentos em ferramentas como QGIS, PostgreSQL, drones e computação em nuvem. Projetos de extensão e parcerias com os setores público e privado aproximam os estudantes de situações reais e ampliam a conexão entre universidade e sociedade.
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Na Engenharia Cartográfica e de Agrimensura, a atuação profissional está diretamente relacionada à produção e análise de informações espaciais. Cartografia, fotogrametria, geodésia, sensoriamento remoto e sistemas de informação geográfica fazem parte de uma formação voltada ao monitoramento e representação da superfície terrestre.
O avanço das geotecnologias amplia as possibilidades de atuação em áreas como planejamento urbano, agricultura de precisão, monitoramento ambiental, transportes e prevenção de desastres naturais. Ao mesmo tempo, o ritmo acelerado de evolução dos equipamentos e softwares exige atualização constante e domínio de ferramentas cada vez mais sofisticadas, como drones, laser scanners e receptores GNSS.
Nesse cenário, a universidade busca incorporar novas metodologias e tecnologias às atividades de ensino, pesquisa e extensão. O uso de inteligência artificial e softwares livres voltados ao processamento de dados geoespaciais tem sido ampliado nas atividades acadêmicas, aproximando estudantes das transformações em curso no mercado profissional.
Na Geologia, as mudanças globais ligadas à transição energética tornam a profissão ainda mais estratégica. O aumento da demanda por minerais críticos, fundamentais para baterias, veículos elétricos, painéis solares e turbinas eólicas amplia a necessidade de profissionais especializados em exploração mineral, gestão de recursos hídricos e avaliação ambiental.
A formação envolve competências em mapeamento geológico, modelagem 3D, hidrogeologia, geotecnia e análise de riscos ambientais. Geotecnologias e inteligência artificial também ocupam papel importante na análise e integração de grandes volumes de dados geológicos.
Ao mesmo tempo, o segmento enfrenta desafios relacionados à mineração sustentável, preservação ambiental e segurança hídrica. O profissional precisa equilibrar exploração de recursos naturais, responsabilidade socioambiental e exigências econômicas em um contexto de forte pressão global por sustentabilidade.
Na universidade, a resposta passa pela ampliação das atividades práticas, integração entre formação teórica e tecnológica e desenvolvimento de projetos em parceria com empresas, órgãos públicos e instituições de pesquisa. Disciplinas voltadas a geoprocessamento, modelagem geológica e sensoriamento remoto vêm sendo incorporadas à formação, juntamente com atividades de campo e uso de drones.
Em comum, os cursos dos dois setores – Ciências Agrárias e Ciências da Terra – revelam um movimento que ultrapassa a simples adoção de novas tecnologias. A formação universitária passa a exigir profissionais capazes de interpretar cenários complexos, lidar com mudanças rápidas e compreender os impactos sociais, ambientais e econômicos de suas áreas de atuação. Em vez de abandonar a tradição acadêmica, a universidade busca justamente articulá-la às transformações do presente, formando profissionais preparados não apenas para ocupar o mercado de trabalho, mas também para compreender criticamente o mundo em que irão atuar.
Engenharia Cartográfica e de Agrimensura
Serviço
Universo UFPR 2026
Data: 11 a 14 de junho
Horário: das 8h30 às 18h30
Local: Centro de Eventos Positivo. Alameda Ecologica Burle Marx, 2518 – Santo Inácio, Curitiba – PR
Evento gratuito
Agendamento para escolas e ingressos individuais: https://agendamento.universoufpr.com.br
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