“Desde que entrei na UFPR como professor, em 1997, venho procurando desenvolver um programa que descreva fisicamente os edifícios”, explica Aloísio Schmid, professor na área de Conforto Ambiental do curso de Arquitetura e Urbanismo. “Comecei com o comportamento térmico, com várias versões para previsões de temperaturas no interior de um edifício, depois evoluí para a questão da iluminação e agora mais recentemente consegui trabalhar também a acústica em teatros e auditórios. Os resultados têm sido apresentados em diversos congressos e simpósios nacionais sobre o tema e o programa é um dos primeiros do Brasil a incluir a operação chamada auralização, ou seja, alimentando o software você pode ouvir como será uma música se tocada em determinado ambiente.”
Segundo Schmid, no País ainda é pequeno o número de pessoas que desenvolvem softwares para o uso nas áreas da engenharia e arquitetura, o que faz com que muitos pesquisadores acabem ficando reféns das limitações dos programas existentes. Por isso a importância do novo software desenvolvido na UFPR. “No meu programa, tenho bastante certeza do que ele
faz”, garante.
Desenvolvido na linguagem JAVA, o software pode ser utilizado para qualquer tipo de edifício. Com a alimentação dos dados, é criado um modelo tridimensional equivalente ao que faz um AutoCad 3D ou outro sistema de modelagem, só que numa linguagem própria.
“Recentemente, fizemos uma pesquisa no Teatro da Reitoria e na Capela Santa Maria. Neste levantamento, fazemos fotos, comparamos com as plantas
e averiguamos se o que consta no projeto é o que realmente existe nos locais. Isso para determinar se a acústica é realmente adequada e se há como torná-la melhor, às vezes, com pequenas medidas como, por exemplo, tirar ou colocar uma cortina, mudar o forro ou construir uma concha acústica. O Teatro da Reitoria, por exemplo, sofreu mudanças no projeto original que podem alterar significativamente o tempo de reverberação’, comenta.
Mas as questões do desempenho ambiental de um edifício, teatro ou auditório vão bem mais além, segundo Schmid. Elas podem e devem proporcionar economia com um melhor aproveitamento dos recursos naturais que geram, por sua vez, um maior conforto ambiental. “Com o uso do programa, além da acústica, podemos prever questões como a iluminação natural e artificial sobre mesas e outras bancadas de trabalho. Também podemos prever formas de atenuar os efeitos das mudanças de temperatura. Isto usando modelos tridimensionais com partes sólidas e volumes interligados, respeitando as diferenças de temperatura nos ambientes distintos.”
O novo programa vem sendo utilizado no ensino de alunos da graduação e pós-graduação da área de Arquitetura e Urbanismo. “Para os alunos, é uma forma de aplicar os conceitos aprendidos na sala de aula em projetos mais realistas”, finaliza Aloísio. “Uma forma de acertar e errar antes de enfrentar o mercado de trabalho. Para os profissionais, pode funcionar como uma importante ferramenta, assim como para os demais pesquisadores.”
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Fonte: Vivian de Albuquerque
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