Aluna de Binha, como a pró-reitora era conhecida no meio acadêmico, Tatiana Herrerias compareceu à manifestação com outros colegas. Muito emocionada, disse ainda estar pasma com o assassinato. “Não dá para entender como uma mulher que tanto se dedicou à universidade e à educação pode terminar assim. É mesmo uma grande perda. Em outras situações, o filho dela já havia sido seqüestrado, ela já havia sido assaltada uma vez… e agora isso. É mais um caso num país onde há tanta impunidade e desigualdade social.”
Opinião compartilhada pelo estudante do terceiro ano de Ciências Sociais Rafael Pereira de Brito. “O processo da violência é hoje muito mais profundo. Não podemos ser reducionistas e procurar só um culpado. Precisamos procurar a verdadeira origem do problema. Um assassinato como este é uma cena que tem se repetido todos os dias não só no Jardim Social, mas na periferia onde as pessoas morrem como moscas. O que eu gostaria de ver – enquanto estudante – era as pessoas se mobilizando para provocar mudanças nas estruturas sociais e econômicas do País. Essa é uma forma de mudança. Espero que este ato pela paz seja mais que um ato pela paz. Que seja um ato de mudança.”
Funcionária da Biblioteca do Setor de Humanas, Maria de Lourdes Saldanha do Nascimento mostrava-se preocupada. “Estamos todos em risco”, disse. “O que aconteceu com a nossa professora poderia acontecer com qualquer um de nós. O movimento é essencial para mostrar à comunidade que é preciso mais segurança. Trabalho até a noite na biblioteca e já presenciei vários assaltos. A violência é cada vez mais crescente.”
“O protesto é mais do que certo porque é preciso mesmo chamar a atenção. A vida hoje vale ou umas pedras de craque ou um saque no caixa automático. Isso acontece em todos os bairros, todos os dias.”, comentou o repórter do Programa 190, da CNT, Cristiano Santos acostumado a noticiar os casos de violência na cidade. “A polícia trabalha com falta de estrutura, o que contribui para o aumento do número de crimes. Trabalho na área desde 1996 e o que me deixa mais chateado são os casos de roubo com morte e quando os casos envolvem crianças. Por causa de R$ 4 mil ou R$ 5 mil, uma professora morrer, não há o que justifique.”
Na multidão da Praça também não faltaram pessoas da comunidade que vieram prestar solidariedade. Moradora do bairro Boa Vista, Maria Neusa Rosas soube da manifestação pelas notícias na televisão. “Vim porque o Brasil é uma pátria maravilhosa e o que está faltando á apenas as pessoas se amarem mais. Sempre ando de verde e amarelo, mas hoje vim de branco para pedir paz.”
Emocionada, a Santos Andrade cantou o Hino Nacional, encerrando a sessão do Conselho Universitário e dando seu adeus à Binha.
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Fonte: Vivian de Albuquerque
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