A Universidade Federal do Paraná iniciou, em 30 de março, uma nova etapa na formação de gestores educacionais com a aula inaugural do Programa de Pós-Graduação em Política, Planejamento e Gestão da Educação. O curso, estruturado como mestrado profissional, nasce com a proposta de aproximar a produção acadêmica das demandas concretas da administração educacional. A conferência de abertura, com o tema “A educação superior para 2030: planos, condições e desafios”, foi conduzida pela professora Giselle Cristina Martins Real, que atua na Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e na Universidade Federal da Grande Dourados.
Voltado a servidores técnico-administrativos, professores e profissionais da educação, o curso busca preencher uma lacuna histórica na formação de quadros especializados em gestão educacional, tanto na educação básica quanto no ensino superior.
A construção do programa exigiu articulação institucional e adequação a critérios nacionais de avaliação. Segundo a coordenadora Claudia Moreira, o primeiro obstáculo foi a aprovação junto à Capes.
“O processo de submissão foi intenso, exigiu demonstrar a necessidade e a viabilidade de um novo programa na UFPR”, afirma Claudia Moreira. Ela destaca que, após a aprovação, surgiram desafios internos, como a adaptação do corpo docente ao formato profissional. “Foi preciso compreender o que distingue um mestrado profissional de um acadêmico, especialmente em uma instituição que já possui um programa consolidado com nota máxima.”
Segundo a professora Edneia Cavalieri, pró-reitora de Pós-Graduação da UFPR, a criação desse programa partiu de uma demanda antiga na universidade, que é o acesso à pós-graduação aos técnicos administrativos. “Pensar em uma proposta que consiga atender várias atividades, e de pessoas que estão ainda nas rotinas de trabalho, não é algo tão simples. Planejamento das disciplinas, horário de oferta, processo seletivo pensando na estrutura organizacional da universidade viabilizando modalidades diferentes para que o técnico ainda em atividade consiga cumprir as métricas do programa é essencial para que a proposta tenha sucesso. O PPG e o Setor de Educação foram protagonistaa na idealização da proposta, e seus docentes realmente se dedicaram em pensar a pós-graduação a partir das necessidades do público que será atendido, o que é algo extraordinário”, complementa.
O programa foi concebido para atender três frentes principais: técnicos de instituições de ensino superior, gestores da educação básica e servidores públicos envolvidos com políticas educacionais. A proposta inclui formação aplicada em áreas como planejamento, financiamento, avaliação e gestão de pessoas.
A procura inicial sinaliza a demanda reprimida. No primeiro processo seletivo, foram 113 inscritos para 20 vagas, com predominância de servidores da própria UFPR entre os aprovados.
Para a pró-reitora de Gestão de Pessoas, Dulcileia Gonçalves, o diferencial está na aplicação direta do conhecimento. “Os projetos desenvolvidos pelos servidores estão vinculados às suas atividades profissionais, o que permite transformar a pesquisa em soluções para a própria universidade”, afirma Dulcileia Gonçalves.
Ela ressalta que o principal desafio institucional foi viabilizar parcerias. “A consolidação de acordos entre diferentes programas de pós-graduação foi essencial para ampliar oportunidades de qualificação dos servidores.”
A implementação do programa conta com apoio financeiro da Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas e da Pró-Reitoria de Pós-Graduação, além de recursos vinculados à Capes. No curto prazo, a coordenação concentra esforços na consolidação do curso e na avaliação de permanência exigida pelo sistema nacional de pós-graduação.
No horizonte, a intenção é ampliar a inserção do programa nas redes públicas de ensino. “Queremos fortalecer a relação com secretarias estaduais e municipais e incentivar a participação de gestores da educação básica”, afirma a professora Claudia Moreira. Segundo ela, a meta é tornar o PROPPLAGE uma referência na formação de profissionais capazes de atuar na formulação e na gestão de políticas educacionais.
A iniciativa também se insere em um movimento mais amplo dentro da UFPR. De acordo com Dulcileia Gonçalves, há previsão de expansão de vagas em cursos de mestrado e doutorado para servidores ao longo de 2026, em parceria com outros programas da universidade, com apoio orçamentário para garantir a continuidade das ações.
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