Escolas tornam-se alojamentos; com os hotéis lotados, as casas viram verdadeiras pousadas; clube náutico, associações e entidades cedem seus espaços disponíveis para abrigar as oficinas. A rua apagada, calminha no dia-a-dia, onde circulam muitas bicicletas passa a receber milhares de pessoas durante oito dias ininterruptos.
Mas nem sempre foi assim. Que o diga aquela que é considerada a verdadeira “mãe” de todos os festivais de inverno da UFPR: Lucinha Mion, coordenadora executiva deste evento de 2007, está à frente dos festivais desde a primeira edição. É isso mesmo, programadora cultural da PROEC – Pró-reitoria de Extensão e Cultura, nesses 17 anos de festival de Antonina ela sempre trabalhou, seja como coordenadora geral ou executiva, seja nas atividades – espetáculos, oficinas, infraestrutura, entre outras.
Do primeiro festival, em 1991, a lembrança mais forte era o alto grau de expectativa. Tudo daria certo como se previa? Será que as pessoas viriam, a comunidade local participaria? “A lembrança que me vem à cabeça sobre aquele ano é a da incerteza. Tudo era pela primeira vez, rumo ao desconhecido, uma insegurança total”, fala Lucinha. Mas o que ficou marcada mesmo foi a determinação de que seria o primeiro de muitos.
Apesar de já começar ousado, com a oferta de 38 oficinas, o primeiro festival teve números modestos: um palco pequeno acoplado a uma concha acústica, o transporte precário, feito muitas vezes pelas próprias pessoas que levavam os materiais a pé, para as oficinas. Espetáculos? Somente de dia, porque não havia iluminação. Com um evento ampliado – 80 oficinas, cidade lotada, quase duas mil vagas nos cursos, 39 espetáculos (cinco por dia), uma praça de atividades e lazer para as crianças, um palco com um show de iluminação, etc. etc. – o festival atual poderia ser considerado muito melhor. Mas não na ótica da mãe Lucinha que, como não tem preferência por nenhum dos filhos, não consegue escolher qual o melhor festival. “Cada um foi especial. Cada um foi único”, pondera. “Cada evento é como uma gestação mesmo, tem que fazer nascer, amadurecer e acontecer. A experiência acumulada ajuda na organização de forma geral, pois a incerteza deu lugar a muitas certezas, como a cumplicidade com as instituições e a comunidade local”, completa.
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Fonte: Leticia Hoshiguti
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