Uma outra modalidade, porém, também implantada pela mesma resolução que implantou as cotas, incluiu na comunidade da UFPR mais uma vertente de excluídos no País: os indígenas.
Em breve, daqui a dois anos exatamente, estarão colando grau alguns desses estudantes que estão estudando na instituição desde 2006 e que retornarão para as suas comunidades como profissionais que farão toda a diferença para as suas realidades locais. Diferentemente das cotas, em que se reservam 20% das vagas para cada modalidade – racial e social -, as vagas para os indígenas são suplementares. Anualmente a universidade oferta vagas que respeitam a Resolução 37/04, do Conselho Universitário. Por essa resolução, são oferecidas vagas suplementares às ofertadas no processo seletivo em cursos de graduação e cursos técnicos de nível pós-médio. Elas são disputadas exclusivamente por estudantes indígenas residentes no território nacional para o atendimento das demandas de capacitação de suas respectivas sociedades, apontadas por intermédio da FUNAI – Fundação Nacional do Índio.
O número de vagas, que começou em cinco para os anos de 2005 e 2006, passará para sete neste ano de 2007 e 2008 e para dez vagas a partir de 2009 até 2015 (quando a completará dez anos, o prazo de vigência previsto pela resolução). Hoje a universidade tem 17 estudantes indígenas representantes das mais diversas etnias, como os Kaigang, Kamayurá, Pataxó, Terena, Tukano e Tuxá e Cinta Larga. Eles vêm de diversos outros estados do Brasil além do Paraná, como Bahia, Distrito Federal, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul.
PELA COMUNIDADE – Tenile Mendes, ainda cursa o segundo ano de Odontologia mas tem muito claro os planos para o futuro. Depois de formada, seu compromisso com o cacique local e demais lideranças indígenas da Aldeia Kaingang Pinhalzinho, em Santa Catarina, será prestar 20 horas semanais em prol da comunidade. Mas o compromisso de Tenile é muito maior que o documento assinado. Ela morou na tribo até os dez anos de idade quando foi morar na cidade de São Domingos, a 15 km da aldeia, mas nunca perdeu o contato com a comunidade, onde os avós moram até hoje. Para ela, ajudar os avós e aos demais índios da aldeia é motivo de grande entusiasmo, pois trata-se de uma comunidade que só sai da comunidade para um tratamento odontológico em último caso. “Em muitas aldeias já existem consultórios odontológicos móveis”, adianta, dizendo que quer propiciar o mesmo para a sua aldeia, trabalhando não apenas com o tratamento, mas com a prevenção.
Essa idéia de levar conhecimento e serviço para a própria comunidade é o objetivo desses estudantes que sabem valorizar a chance de estudo que tiveram. Como Tenile, o estudante Tauyran Cruz Vieira que faz Nutrição na UFPR, quer colocar na prática os conhecimentos adquiridos na universidade em prol da comunidade Cinta Larga. Tauyran é da tribo Tuxá, da Bahia, mas cresceu junto aos Cinta Larga de Rondônia e é lá que procurará mudar muitos dos hábitos que considera prejudiciais aos índios. “O povo sofre muito a influência da comida do branco, há doenças novas adquiridas pela má alimentação”, informa Tauyran, exemplificando que a hipertensão não existia entre os indígenas e se vem sendo problema de saúde de dez anos para cá. O futuro nutricionista, que veio com mulher e filho para Curitiba, acredita que terá condições de ajudar a resgatar a culinária indígena esquecida, muito mais nutritiva, que incluía pratos como a Chicha, um suco obtido da mandioca amassada com água e preparada com carne assada.
Foto(s) relacionada(s):

Tauyran Vieira, aluno de Nutrição com o filho de um anao e meio. Ele é da tribo Tuxá da Bahia
Foto: Izabel Liviski
Fonte: Leticia Hoshiguti
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