Evento, promovido em parceria com a UTFPR, reuniu gestores de comunicação da Região Sul e discutiu estratégias institucionais e o enfrentamento à desinformação nas universidades públicas
A Universidade Federal do Paraná (UFPR) recebeu, no dia 15 de abril, a reunião do Colégio de Gestores de Comunicação (Cogecom) das Universidades Federais da Região Sul. No dia 16, a programação teve continuidade na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). O encontro reuniu profissionais responsáveis pela comunicação das instituições federais de ensino superior e promoveu debates sobre seu papel estratégico, incluindo a atuação na tomada de decisões institucionais, a relação com a alta gestão e os desafios no combate à desinformação.


A abertura dos trabalhos contou com a participação de representantes de diferentes instituições, entre eles Sarah Scholz Dias, superintendente de Comunicação da UFPR; Thiago Sousa Costa, diretor de Comunicação da UTFPR; Flávia Durgante, coordenadora nacional do Cogecom; Vanessa Ishikawa, vice-reitora da UTFPR; e Mário Messagi Jr., chefe de Gabinete da Vice-Reitoria da UFPR.
Para a superintendente de Comunicação da UFPR, Sarah Scholz Dias, encontros como esse têm impacto direto na qualificação do trabalho desenvolvido pelas equipes.
“Encontros como esse impactam nosso trabalho pois tiram a comunicação do isolamento. As universidades federais enfrentam desafios muito parecidos, como o combate à desinformação, a necessidade de fortalecer a imagem institucional, e a dificuldade de comunicar temas complexos de forma clara e responsável. Quando nos reunimos com outras instituições, há troca de experiências, ampliamos nosso repertório, aprendemos com soluções já testadas e fortalecemos a nossa própria atuação na UFPR. Então, além de oportunidade de integração, o encontro é uma oportunidade de qualificar o trabalho que realizamos no dia a dia.”
Para Alisson Bacelar, assessor de Comunicação Social do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, a comunicação exerce papel decisivo nos rumos das instituições públicas.
“A comunicação é muito importante para os rumos que as instituições podem tomar. A forma como a universidade se projeta para a sociedade, inclusive para que ela compreenda sua importância, depende, em grande medida, de como a comunicação se posiciona. Hoje discutimos como a comunicação deve entender esses fluxos e processos, deixando de ser apenas executora para também pensar os melhores caminhos e estratégias, de modo a garantir mais efetividade às ações de comunicação da universidade.”
Bacelar também destacou o cenário atual marcado pela desinformação. “Nesse momento de desinformação, o papel dos órgãos públicos se torna ainda mais importante no combate a esse problema. A gente vê que a desinformação tem crescido em todos os ambientes, e ter uma equipe com profissionais que entendem de comunicação é cada vez mais importante para trabalhar com informações verdadeiras e oficiais, para que a verdade sempre prevaleça sobre qualquer situação.”
Um dos destaques da programação foi a conferência sobre o papel estratégico das assessorias de comunicação nas instituições públicas de ensino superior, abordando a atuação para além do seu caráter técnico, e a mediação entre o interesse público e as decisões da gestão universitária.


Para Sarah Scholz Dias, essa mudança de perspectiva já está em curso dentro das instituições.
“Isso acontece quando a comunicação deixa de ser vista só como execução. Ou seja, não é apenas produzir card, organizar cobertura ou divulgar uma ação. A comunicação passa a ser estratégica quando ela participa da leitura de cenário, ajuda a definir prioridades, pensa riscos, planeja, orienta a forma como a instituição se posiciona e contribui para aproximar a instituição da sociedade. Hoje, comunicar não é só informar o que aconteceu. E também ajudar a construir entendimento, confiança e vínculo com os públicos. Então, a comunicação estratégica é essa que participa mais do planejamento e menos só da etapa final da divulgação.”
Outro eixo central do encontro foi o enfrentamento à desinformação, tema que tem ganhado cada vez mais relevância no contexto das universidades públicas. Durante o evento, também foram discutidos riscos à reputação institucional, estratégias de prevenção e a necessidade de monitoramento e respostas rápidas.
Para Flávia Durgante, o encontro também representou um espaço de articulação e fortalecimento entre as equipes de comunicação.
“Eu acho que os encontros do Cogecom, principalmente os regionais, são um momento de fortalecimento dessa rede entre as universidades, da área da comunicação, obviamente, porque aqui a gente divide as angústias, a gente cria as estratégias, a gente pensa sobre o nosso trabalho em conjunto. É um momento ímpar, e é por isso que, por exemplo, eu trouxe toda a minha equipe: para fazer esse laço, para fazer esse fortalecimento, para fazer essa troca de experiências.”
Segundo ela, esse intercâmbio é essencial diante das demandas do cotidiano. “Porque no dia a dia as rotinas nos atropelam, nosso trabalho nos atropela, a gente lida com muitas coisas ao mesmo tempo, então esse momento aqui é para ouvir o que as outras universidades estão fazendo, o que elas têm a dizer, o que a gente pode aprender com as outras e também o que a gente pode ensinar. Então eu acho que é um momento de muito fortalecimento, de criar realmente uma rede consolidada que possa criar frutos, criar estratégias, criar trabalhos em conjunto. Enfim, são tantas possibilidades, e eu acho que o Cogecom se mostra um espaço para isso.”
Na mesma linha, o diretor de Comunicação da UTFPR, Thiago Sousa Costa, destacou que a troca de experiências contribui para alinhar a atuação das equipes e fortalecer o papel estratégico da comunicação nas universidades.
“Essa troca de experiências contribui não apenas para o aprendizado coletivo, que por si só já é muito importante, mas também por colocar todas as equipes de comunicação das universidades numa mesma página, que é o papel estratégico da comunicação. Um papel voltado não só a aprimorar o nosso trabalho, mas a executar uma comunicação pública de excelência, com conteúdos relevantes e sempre pensados no cidadão”, disse.
O encontro também promoveu a apresentação de cases de comunicação desenvolvidos por universidades do Sul do país, incentivando a construção de soluções colaborativas. A programação contou ainda com palestras sobre pesquisa mercadológica e planejamento de comunicação, além de uma reunião interna entre os gestores das instituições participantes.
Durgante também ressaltou o papel das universidades no enfrentamento à desinformação.
“A comunicação tem papel primordial nisso, porque toda a pesquisa que nossas instituições desenvolvem, tudo o que a gente contribui para a sociedade, em tantas coisas diferentes… combater a desinformação talvez seja o nosso dever, enquanto comunicadores das instituições públicas federais, porque não só atinge as pessoas, a sociedade no geral, mas também atinge as nossas instituições.”
Ela destacou que os impactos vão além da imagem institucional. “Quando nós somos desvalorizados, quando criam fake news sobre o que acontece dentro das universidades, quando as pessoas deixam de vir estudar nas nossas instituições por causa dessas fake news, dessa desinformação, então o nosso trabalho está diretamente ligado, eu acredito, a mostrar que é mentira o que falam sobre nós, na maioria das vezes; que nós, aqui, construímos pesquisa, extensão, cultura; que as nossas instituições mudam a vida das pessoas, dão oportunidades para as pessoas.”
Segundo a coordenadora do Cogecom, o desafio também se estende a diferentes áreas do conhecimento. “Não só em termos de defender as nossas instituições, mas defender todo esse conhecimento que foi produzido e que está sendo alvo de um monte de mentiras. Todas as áreas do conhecimento que as universidades abrangem sofrem com esse processo da desinformação”, disse. Como exemplo, ela cita a área da saúde. “O que a gente viu acontecendo com as vacinas, que a gente tinha doenças erradicadas e agora elas estão voltando… Esse é um processo que a gente precisa combater”, concluiu.
Para Sarah Scholz, a realização do encontro também aponta caminhos para o futuro da comunicação institucional na universidade.
“A perspectiva é justamente ampliar o contato com outras instituições e fortalecer essa rede de troca entre as universidades. Isso é muito importante porque a comunicação, no dia a dia, costuma estar muito absorvida pelo operacional, pelas entregas urgentes, pelas demandas que não param. Então, momentos como esse criam uma oportunidade real de escuta, de reflexão e de repertório para a equipe. É um espaço para sair um pouco da lógica da execução imediata e conseguir pensar a comunicação entendendo desafios comuns, conhecendo experiências de outras instituições e trazendo esse aprendizado para qualificar o nosso trabalho aqui na UFPR.”
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