Por meio de ações que vão da literatura ao esporte, como o Balaio Literário, a mediação de conflitos e oficinas de skate, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) realizou no dia 20 de março, a apresentação do projeto “Raízes Vivas” com foco na diversidade e inclusão em escolas públicas e comunidades periféricas. A iniciativa fortalece as juventudes negras ao criar espaços de diálogo, pertencimento e superação de desigualdades.
Coordenado pelo professor Lourival de Moraes Fidelis, o projeto integra o Plano Juventude Negra Viva, do Ministério da Igualdade Racial, com apoio da deputada federal Carol Dartora. A proposta atua diretamente em contextos escolares e comunitários, buscando enfrentar desigualdades e ampliar oportunidades para jovens historicamente excluídos.
Segundo o professor Lourival Fidelis, a iniciativa nasceu da observação direta das dificuldades vividas por estudantes negros, indígenas, LGBTQIA+ e pessoas com deficiência em escolas periféricas:
“A ideia do projeto surgiu da necessidade de olhar a realidade das escolas públicas periféricas, principalmente no que se refere à presença de pessoas negras, pessoas com deficiências, LGBTQIA+ e mesmo as pessoas indígenas, e a partir desta presença levar uma discussão de como superar os conflitos que são direcionados a esses grupos.”
O Raízes Vivas propõe, por meio de ações interdisciplinares, criar espaços de convivência mais inclusivos, ampliar o acesso à cultura e à educação de qualidade e fortalecer vínculos comunitários.
Uma das principais ações do projeto é o Balaio Literário, ação itinerante que leva obras voltadas à educação antirracista e aos direitos humanos para bibliotecas de escolas públicas de ensino médio. O objetivo é estimular a leitura e promover debates sobre igualdade de gênero, racismo, diversidade sexual e outros temas sociais.
“Os Balaios Literários levam toda a literatura da diversidade negra, indígena, quilombola, LGBTQIA+, das pessoas com deficiências e das populações tradicionais do Brasil para dentro das escolas públicas, onde ficam à disposição nas bibliotecas e podem integrar as atividades das disciplinas de português, literatura, ciências da natureza, entre outras atividades que as escolas decidirem”, explica Lourival.
Na Escola Estadual Quilombola Diogo Ramos, em Adrianópolis (PR), os estudantes participam de rodas de leitura, oficinas de produção textual e debates sobre direitos humanos. A iniciativa tem sido expandida para outras escolas do Vale do Ribeira e do litoral paranaense, garantindo maior diversidade de conteúdos e experiências para os alunos.
Outra frente do Raízes Vivas é o Programa de Mediação de Conflitos nas escolas, que trabalha com estudantes do ensino médio conceitos de justiça restaurativa, comunicação não violenta e direitos humanos. As oficinas visam preparar os jovens para lidar com conflitos de forma pacífica e respeitosa, promovendo um ambiente escolar mais seguro e colaborativo.
“As atividades têm realizado oficinas onde se trabalham a justiça restaurativa, comunicação não violenta e direitos humanos. Já foram realizadas algumas oficinas no Instituto Federal do Paraná, no campus de Pinhais, e estamos construindo uma agenda com escolas estaduais periféricas”, explica o professor.
Essa ação se mostra especialmente importante em contextos onde conflitos de natureza racial, de gênero e LGBTQIA+ ainda são frequentes, oferecendo ferramentas concretas de superação e integração.
O projeto também incorpora o esporte como ferramenta de inclusão, com oficinas de skate que conectam estudantes da UFPR e jovens das comunidades periféricas. Além das aulas práticas, o projeto forma instrutores para multiplicar o conhecimento e ampliar o alcance da ação.
“Somado aos Balaios Literários e à prática do skate, todas essas ações objetivam apresentar aos estudantes que há uma diversidade positiva e que esta pode ser uma alternativa para superar os mais diversos preconceitos”, afirma Lourival.
Em Curitiba, jovens das periferias participam de aulas práticas no campus da UFPR, aprendendo manobras básicas e discutindo como o esporte pode ser um espaço de protagonismo, disciplina e integração social.
O Raízes Vivas busca gerar impactos concretos no cotidiano escolar e comunitário, transformando ambientes e estimulando valores de respeito, inclusão e diversidade:
“O que se visa é a construção de espaços de convivência baseados no respeito às diferenças e na integração dessas diferenças como algo natural e saudável para as relações humanas. Com isso, vamos contribuindo para a formação de uma geração que seja antirracista, anti-LGBTfóbica e anticapacitista”, diz Lourival.
O projeto também fortalece o vínculo entre a UFPR e as comunidades periféricas, aproximando os jovens da universidade e mostrando que ela é um espaço acessível e comprometido com a justiça social:
“Queremos mostrar que a UFPR não é uma realidade distante e inalcançável, mas uma universidade que pode e deve ser alcançada por esses estudantes.”
O Raízes Vivas está articulado com políticas públicas nacionais voltadas à juventude negra, principalmente o Plano Juventude Negra Viva, garantindo que suas ações atinjam o público prioritário:
“Construímos o projeto Raízes Vivas em estreita relação com o Programa Juventude Negra Viva, que é hoje a principal política pública voltada para a população negra brasileira. Essa relação tem sido fundamental para alcançar o público prioritário da política pública, que é a juventude negra periférica, abrangendo também outros segmentos sociais da diversidade brasileira”, afirma Lourival.
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