Há mais de uma década que o crescimento ano a ano dos cursos de mestrado e doutorado caminhava lentamente, com a criação em média de apenas um novo programa a cada ano. Em 2009, são oito novos cursos aprovados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) do MEC, sendo quatro de mestrado e outros quatro de doutorado. O coordenador dos Programas de Pós-Graduação Edilson Sérgio Silveira explica que “o Programa Reuni acelerou os processos dos demais cursos. Parte deles estava programada apenas para o ano de 2010 e outros em 2011, ou seja, a meta para os próximos quatro anos estaria quase alcançada”.
E os planos para um crescimento continuam. Em abril a Universidade submeteu à Capes outras 12 propostas, solicitando a criação de quatro novos doutorados e oito mestrados. Além desses, outros dois projetos interinstitucionais, um Mestrado em Bioenergia, ofertado por um pool de universidades paranaenses e que teria sede na Universidade Estadual de Londrina e um Mestrado e um Doutorado em Ciências Farmacêuticas, tendo como parceiras as universidades federais de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, esta última sendo a sede. Todos ainda dependem de aprovação da Capes.
Bioinformática une esforços intersetoriais ─ Ao mesmo tempo em que a UFPR se integra em propostas interinstitucionais, também no nível interno a cooperação de departamentos viabiliza formações multidisciplinares. É o caso do recém-criado Mestrado em Bioinformática. Não é de hoje que muitos problemas biológicos são resolvidos pelas soluções computacionais, mas os especialistas nessa área são raros. As áreas de Bioquímica e Biologia Molecular lidam com grandes volumes de dados e esses estudos dependiam do esforço de pesquisadores da informática que gostassem de bioquímica ou vice-versa. São os casos dos professores Emanuel Maltempi de Souza, da Bioquímica e Biologia Molecular e Roberto Raittz, da Informática do Setor Escola Técnica e autor da proposta do novo curso.
“O Mestrado em Bioinformática será o primeiro no Sul do País”, informa Roberto Raittz, explicando que é grande o leque de aplicações dos trabalhos da área. Um bioinformata atua em pesquisas que envolvem desde o sequenciamento do DNA de uma bactéria, passando pela análise da semelhança ou diferença entre genes ou ainda na sintetização de um hormônio para crescimento vegetal. “Talvez seja o profissional mais procurado do mundo hoje”, afirma o professor Emanuel, ao lembrar que muitos dos pesquisadores que conheceu e que se especializaram nessa área são disputadíssimos, e estão atuando hoje no exterior.
Na UFPR, a turma mal iniciou os estudos mas os alunos já têm delineados muitos projetos de aplicação prática como o de um programa de contagem automática de bactérias. “É o tipo de solução que já existe no mercado mas que o HC não tem”, explica Emanuel, informando que o programa a ser desenvolvidos no curso não apenas beneficiará o Hospital da própria UFPR como também será disponibilizado para todo mundo. “Os programas custam de dois a dez mil dólares”, expõe o professor, informando que o curso poderá propiciar outras soluções que até existem no mercado mas são muito caras para serem adquiridas. Todos os projetos do curso serão desenvolvidos dentro da filosofia de software livre, beneficiando a sociedade com o uso irrestrito dos aplicativos.
Cursos novos 2009:
Mestrado:
Bioinformática
Ciência Política
Odontologia
Psicologia
Doutorado:
Informática
Ciências Veterinárias
Engenharia de Recursos hídricos e Ambiental
Micobiologia, Parasitologia e Patologia Geral
Em fase de avaliação da Capes:
Doutorados
Enfermagem
Sistemas Costeiros e Oceânicos
Matemática Aplicada
Filosofia
Mestrados
Meio ambiente e Desenvolvimento
Engenharia de Produção
Turismo
Fisiologia
Odontologia Restauradora
Ensino de Ciências
Comunicação Social
Nutrição
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Fonte: Letícia Hoshiguti – texto publicado na Revista da UFPR
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