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Trabalho e suor para montar o Festival de Inverno

15 julho, 2011
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A Universidade Federal do Paraná trabalha durante o ano inteiro na organização do Festival de Inverno, em Antonina. Nesta edição, enfrentou uma situação nova com os estragos causados pelas chuvas durante o mês de março. Havia incerteza sobre a realização do evento e até uma proposta de realizar atividades menores e duradouras, que ajudassem a atrair o turista de volta para o litoral e reerguer a cidade.

No entanto, no começo de maio a UFPR recebeu um pedido da Prefeitura de Antonina para que mantivesse o evento. Segundo o secretário de Turismo e Cultura, Marcelo Vieira Gomes, o objetivo era manter o calendário para devolver a normalidade à cidade (leia entrevista completa aqui). Por isso, a ideia de fazer eventos menores não prosperou.

“Apesar de ainda ter muitas sequelas, a cidade estava pronta para receber os turistas e precisava resgatar o turismo. Por isso, decidimos fazer o Festival”, conta Lúcia Mion, a Lucinha, organizadora geral do evento. Segundo ela, um mês depois das chuvas o desemprego já começava a atingir a rede de hotéis e restaurantes.

Longo caminho

A preparação do Festival começa com a elaboração do projeto apresentado ao Ministério da Cultura (MinC) para receber a chancela da Lei Rouanet de incentivo à cultura, que garante incentivos fiscais às empresas que aportem recursos no evento. O projeto foi apresentado em outubro ao MinC, com orçamento previsto de R$711.200,00. Apenas em abril, a aceitação na Lei Rouanet foi publicada no Diário Oficial da União.

O passo seguinte é abrir os editais da seleção de cartaz, oficinas e espetáculos, em novembro. Cada uma destas áreas tem um edital diferente. Todos estes passos estavam sendo trilhados, mas a equipe da Coordenadoria de Cultura da UFPR, responsável por organizar evento, parou as atividades para se envolver nas ações de apoio aos desabrigados. “A tragédia paralisou a equipe”, diz Lucinha.

Passado o susto, o trabalho voltou ao normal, mas com atraso. Era preciso recuperar o tempo perdido e organizar as seleções do cartaz, das oficinas e espetáculos. Depois, fazer o levantamento de todos os materiais necessários para organizar todas as atividades e correr atrás dos shows de abertura e encerramento. Este trabalho consome muito tempo, pois é necessário escolher artistas de MPB de qualidade e avaliar preço do cachê, tamanho do grupo de apoio do artista e conseguir agenda. Isso leva meses e exige o levantamento de mais de 30 orçamentos. Ter condições de atender todas as exigências contratuais é condição imprescindível.

Captação

Paralelamente, começa em fevereiro e março o trabalho de captação de recursos. Neste esforço se envolveram diretamente o Gabinete do Reitor e o próprio reitor da UFPR, Zaki Akel Sobrinho, e a pró-reitora de Extensão e Cultura, Elenice Nowak. Com projetos comerciais em mãos, enviaram ofícios para potenciais patrocinadores e posteriormente fizeram uma abordagem direta. Além disso, muitas vezes foi necessário apresentar projetos customizados, como aconteceu com a proposta apresentada aos Correios.

A Universidade conseguiu que seis empresas aportassem recursos para o Festival: Itaipu, CEF, TCP, Fortesolo, Correios e Sanepar. Nos últimos meses, coube à Funpar (Fundação de apoio da UFPR) fazer todas as licitações e dispensas de licitações para efetuar os gastos com os recursos arrecadados.

Equipe enxuta

Na linha de frente de toda a organização estão as cinco pessoas da Coordenadoria de Cultura da UFPR. Elas são a linha de frente, mas não podem descuidar das atividades normais, como os grupos de cultura da Universidade. “Na hora de vir, agregamos mais pessoas, mas antes disso é uma equipe mínima para montar um evento deste tamanho”, conta Lucinha.

No final, a greve nacional dos técnicos administravos quase colocou todo este esforço a perder. Até a quinta-feira anterior ao começo do Festival, não havia garantia de que o transporte com os carros da Central de Transportes (Centran) iria colaborar. Mais uma vez a Administração Central da UFPR teve que intervir para negociar com o comando de greve e liberar os carros. Além disso, a greve atrapalhou a divulgação, que não foi como a organização queria, admite Lucinha.

Para ela, ainda há um certo receio de passar uma semana inteira na cidade. Foram oferecidas quase mil vagas nas oficinas, mas a demanda diminuiu em relação ao ano anterior. Apesar disso, “as oficinas estão funcionando normalmente e com produções lindas”, finaliza.

Foto(s) relacionada(s):


Pacheco, Dividino (Ponta do Félix), Norton, Fischer (CEF), Lucinha, Elenice, Zaki e Paulo Kruger.
Foto: Ronaldo Duarte

Fonte: Mário Messagi Júnior

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