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Tese de doutorado da UFPR contribui com preservação da Amazônia

08 junho, 2008
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Intitulado ‘Sustentabilidade biofísica e socieconômica de sistemas agroflorestais na Amazônia brasileira’, o trabalho é de autoria do engenheiro florestal Marcelo Francia Arco-Verde, que atua na EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária no Estado de Roraima. Sob orientação do professor Ivan Crespo Silva, a tese foi apresentada para a obtenção do título de Doutor em Ciências Florestais pela UFPR.

O trabalho avalia a sustentabilidade ambiental e socioeconômica de sistemas agroflorestais implantados em Roraima sem o uso do fogo.

Sistemas agroflorestais são cultivos que combinam, por um longo período, o plantio de espécies de ciclo curto —grãos e hortaliças por exemplo— com culturas perenes, como frutíferas e espécies florestais. Permitem usos diversificados de uma mesma área, de forma a evitar as queimadas e o desmatamento.

‘Um dos problemas da região amazônica é o hábito de utilização das queimadas pelos produtores rurais’, afirma o professor Ivan Crespo Silva, que também é presidente da Sociedade Brasileira de Sistemas Agroflorestais. “Trabalhos como este apresentado na UFPR fazem parte de uma linha de pesquisa nova tanto na universidade quanto no país. Estamos mostrando aos agricultores que o sistema agroflorestal é rentável.”

Por telefone direto de Boa Vista (RR), o pesquisador Marcelo Arco-Verde informa que já apresentou seu trabalho às direções nacionais da Embrapa e do INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária. Agora, ele está produzindo um relatório que será levado ao ministro Roberto Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos).

“Além de evitar as queimadas, os sistemas agroflorestais permitem a produção permanente, por até 20 anos, sem queda de produtividade e sem a derrubada de novas áreas de floresta”, explica Arco-Verde.

Já o modo tradicional de produção rural leva os agricultores a procurar novas áreas de plantio, após cerca de três anos, em razão da queda de produtividade.

Conduzido em campo experimental entre os anos de 1995 e 2002, o estudo avaliou dois modelos agroflorestais, compostos por culturas anuais — arroz, milho, soja e mandioca — no início da implantação, seguidas por cultivo de banana, cupuaçu, pupunha, espécies madeiráveis, além de árvores para melhorar a fertilidade do solo como o ingazeiro e a gliricídia.

Linhas de crédito

O trabalho também foi apresentado ao Banco do Brasil, com a finalidade de subsidiar a abertura de linhas de crédito para financiar a recuperação de áreas desflorestadas na Amazônia.

‘A utilização de sistemas agroflorestais pode melhorar a qualidade de vida das famílias dos produtores rurais, contribuindo para sua permanência no campo, minimizando-se o êxodo rural e, consequentemente, a ocupação desordenada das grandes cidades’, diz trecho do trabalho.

O programa de Pós-Graduação em Engenharia Florestal da UFPR é coordenado pela professora Graciela Muñiz.

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Sistema agroflorestal em Roraima
Foto: Embrapa

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Fonte: Fernando César de Oliveira

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