Foto: Divulgação/Setor de Ciências Jurídicas

Sala voltada para mães da comunidade universitária é inaugurada no Prédio Histórico

23 setembro, 2026
17:09
Por Luana Lopes
UFPR

Iniciativa busca fortalecer a permanência de mães na universidade e reconhecer o cuidado como parte da vida acadêmica; expectativa é que todos os setores tenham o espaço 

O Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná (UFPR) conta agora com a sala “Território do Cuidado”, um ambiente pensado para oferecer acolhimento, conforto e privacidade às mães da comunidade universitária e seus filhos. O local dispõe de estrutura para amamentação e extração de leite, além de atividades e brinquedos destinados às crianças. 

A sala é uma iniciativa da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe), em parceria com os setores de Ciências Humanas e Ciências Jurídicas. O ambiente escolhido foi reorganizado e adequado, com o auxílio de outras unidades da UFPR para que tivesse todos os recursos necessários. A diretora do Setor de Ciências Humanas, Adelaide Pescatori Silva, ressalta a relevância da iniciativa para as alunas: 

“O espaço acolhe estudantes que são mães e que, tendo a sala à disposição, podem trazer seus bebês para a universidade e amamentá-los durante o período em que permanecem na instituição para as atividades acadêmicas”, diz. “Portanto, ao mesmo tempo em que se prorroga um vínculo importante entre mãe e bebê, a aluna-mãe pode continuar seus estudos”. 

Buscar diminuir situações de evasão entre as mães da comunidade da UFPR é um dos principais objetivos da ação, que busca garantir condições para que diferentes atividades de cuidado possam ser conciliadas com a rotina na universidade. Para a diretora do Setor de Ciências Jurídicas, Melina Fachin, a maternidade e a amamentação não podem representar um obstáculo à permanência na instituição:  

“Há uma importância muito grande de oferecer condições adequadas para que uma pessoa possa amamentar, extrair leite com privacidade, segurança, conforto e dignidade ou exercer atos de cuidado necessários ao maternar”, afirma. “Algo aparentemente pequeno pode fazer enorme diferença na possibilidade de uma estudante continuar assistindo às aulas, de uma professora cumprir suas atividades ou de uma trabalhadora permanecer em seu local de trabalho sem precisar improvisar”. 

A sala “Território do Cuidado” pode ser utilizada por estudantes, servidoras, trabalhadoras terceirizadas e qualquer pessoa que esteja na universidade e precise realizar algum ato de cuidado. Para Melina, a criação de espaços como esse também representa uma mudança na forma como a própria instituição reconhece as diferentes necessidades de sua comunidade: 

“Criar uma Sala de Amamentação significa reconhecer que o cuidado também faz parte da vida universitária. Durante muito tempo, nossas instituições foram organizadas como se as pessoas que estudam e trabalham nelas não tivessem filhos, responsabilidades de cuidado ou corpos com necessidades específicas”, destaca. “Incorporar esses espaços à estrutura universitária é também tornar a universidade mais inclusiva e mais comprometida com a igualdade material”. 

De acordo com Adelaide Silva, o Setor de Ciências Humanas vai uma instalar uma sala de amamentação também no Campus Reitoria, junto com o Setor de Educação, nos mesmos moldes da parceria firmada com o Setor de Ciências Jurídicas. A proposta da Proafe é que, futuramente, cada setor da UFPR conte com uma sala “Território do Cuidado”. 

Universidade como espaço de cuidado 

A ideia da criação de uma sala para amamentação e para cuidar dos filhos das mães da comunidade da UFPR surgiu a partir do Grupo de Trabalho Maternidade/Parentalidade, composto por alunas e servidoras, pelo Gabinete da Reitoria da UFPR e pela Coordenadoria de Políticas Interseccionais para Equidade de Gênero e Diversidade Sexual (CPIn), da Proafe. 

A coordenadora da CPIn, professora Célia Ratusniak, explica que as discussões do grupo partiram de relatos de mães sobre situações de falta de acolhimento e constrangimento vivenciadas no cotidiano da universidade. Segundo ela, muitas precisavam improvisar locais para amamentar ou extrair leite: 

“Quando começamos a conversar com as pessoas sobre a necessidade dessa sala, muitas mulheres falavam que extraiam leite no banheiro, na cozinha ou no gabinete, aí precisava ficar cuidando, já que os gabinetes são compartilhados”, conta. “Então vimos a necessidade de ter um espaço para que essas mães e essas crianças tivessem mais conforto e mais privacidade”. 

Para estruturar a iniciativa, o grupo de trabalho pesquisou experiências de outras universidades que já contavam com espaços destinados ao cuidado de mães e crianças. Segundo Célia, poucas instituições tinham iniciativas semelhantes, e o levantamento permitiu identificar limitações e possibilidades de aprimoramento. A expectativa é também que a iniciativa sirva de referência para outras instituições de ensino superior: 

“Todas as universidades podem construir essa política e implementá-la, e temos a dimensão da representatividade da UFPR no Brasil. Já temos algumas universidades que entram em contato para conhecer a nossa sala, então entendemos que ela pode ser um exemplo para as outras universidades”, diz a coordenadora da CPIn. 

Para além dos muros da comunidade universitária, a criação da sala também amplia o debate sobre o papel da universidade pública na garantia do direito ao cuidado e na permanência das mulheres nos espaços de educação e trabalho. Para a professora Melina Fachin, é preciso naturalizar a presença de mães e de crianças na vida social, e criar condições para que a maternidade não produza exclusão. 

“Uma Universidade pública não apenas produz conhecimento; ela também produz referências e ajuda a transformar práticas sociais. Quando uma instituição como a UFPR reconhece a amamentação e o cuidado como questões que merecem espaço, estrutura e visibilidade, ela transmite uma mensagem muito importante: essas não são questões privadas que cada mulher deve resolver individualmente”, afirma. 

Com o objetivo de fortalecer a permanência de mães e gestantes na Universidade, a UFPR vem implementando ações de assistência e apoio acadêmico. Entre elas estão auxílios financeiros, e a ampliação de prazos para a conclusão de atividades durante a licença-maternidade, além de grupos de acolhimento e iniciativas para facilitar a conciliação entre maternidade e vida acadêmica. Mais informações podem ser consultadas nos sites das pró-reitorias e na resolução que instituiu a Política Institucional de Permanência para Estudantes Mães, implementada em 2026. 

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