O projeto Eduder, desenvolvido na Universidade Federal do Paraná (UFPR), inicia em março as atividades de 2026 com um encontro voltado à apresentação da iniciativa para estudantes e egressos interessados em participar das ações de promoção da inclusão e da educação em direitos humanos no ambiente universitário.
Segundo a professora Mariana Corrêa de Azevedo, do Departamento de Teoria e Fundamentos da Educação (DTFE-UFPR) e pesquisadora de pós-doutorado no Programa de Pós-Graduação em Educação da universidade, o projeto busca ampliar o acesso e a permanência de estudantes de grupos historicamente excluídos da educação superior.



A atividade será realizada no dia 14 de março, no Campus Rebouças, em Curitiba, e marca a retomada das ações do projeto neste ano. O encontro também pretende ampliar a rede de participantes e discutir coletivamente as atividades previstas para os próximos meses.
O Eduder integra a Rede Iberoamericana de Educação em Direitos Humanos, vinculada à Universidade Pablo de Olavide, em Sevilha, na Espanha. A iniciativa reúne instituições de ensino superior de diferentes países e conta com financiamento do programa Erasmus+, da União Europeia, voltado ao fortalecimento da cooperação internacional na área da educação.
“O Eduder nasce dentro de uma rede ibero-americana que reúne universidades interessadas em fortalecer a educação em direitos humanos, com um olhar específico para a igualdade de oportunidades no ensino superior para grupos socialmente mais vulneráveis”, explica.
Na UFPR, o projeto Eduder teve início a partir da articulação do professor Paulo Vinicius Baptista da Silva (in memoriam), então superintendente da Superintendência de Inclusão, Políticas Afirmativas e Diversidade (SIPAD). Após o falecimento do docente, a coordenação da iniciativa passou a ser conduzida pela professora Adriana Inês de Paula, da Pró‑Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade da UFPR (Proafe).
O projeto é desenvolvido por uma equipe interdisciplinar de pesquisadoras da UFPR, que atuam no planejamento, execução e acompanhamento das ações. A equipe conta com a Dra. Adriana Inês de Paula do (PPGE), a coordenadora do projeto, a Dra. Mariana Corrêa de Azevedo (DTFE e PPGE) e as servidoras da Proafe: doutoranda Nathália Savione Machado e as Dras. Rosangela Gehrke e Silvia Maria Amorim Lima.
De acordo com a professora Mariana, a proposta busca criar espaços permanentes de escuta e participação dentro da universidade.
“Além da dimensão institucional, o projeto também se coloca como uma prática de acolhimento e escuta. A ideia é construir um espaço em que estudantes possam compartilhar experiências, discutir desafios e fortalecer o sentimento de pertencimento dentro da universidade”, afirma.
Entre as primeiras ações realizadas na UFPR esteve um diagnóstico voltado a compreender os desafios relacionados ao acesso, à permanência e à trajetória acadêmica de diferentes grupos na universidade.
A pesquisa ouviu docentes, servidores técnico-administrativos e estudantes, com foco em quatro grupos de pertencimento: pessoas negras, migrantes, indígenas e quilombolas; mulheres cis e pessoas da comunidade LGBT+; e pessoas com deficiência ou neuroatípicas.
Segundo a professora, embora a universidade tenha ampliado a diversidade de sua comunidade acadêmica nas últimas décadas, ainda existem barreiras estruturais que impactam a experiência desses estudantes.
“Nos últimos anos houve uma expansão importante do acesso ao ensino superior, mas as escutas realizadas pelo projeto mostram que muitas barreiras ainda estão presentes no cotidiano universitário, desde dificuldades relacionadas a recursos e infraestrutura até desafios ligados ao sentimento de pertencimento”, observa.
Outra ação do projeto foi o Curso de Mentoria UFPR, realizado entre março e outubro de 2025. A atividade reuniu estudantes e egressos da universidade para discutir diferentes aspectos da vida acadêmica, como organização dos estudos, autonomia e acompanhamento da trajetória universitária.
Para a estudante Rayssa Cassiano dos Santos, do curso de Geografia da UFPR, a participação no projeto surgiu em um momento em que ela ainda buscava se adaptar à vida universitária.
“O convite veio de uma amiga, que comentou que era um grupo de acolhimento e mentoria para estudantes da UFPR. Eu estava no meu segundo ano de faculdade e ainda tentando me encaixar na universidade. O que me motivou a participar foi encontrar pessoas parecidas comigo e trocar experiências”, conta.
Durante os encontros, Rayssa afirma que as discussões ajudaram a compreender que muitos dos desafios enfrentados por estudantes não são individuais.
“Nas trocas com os outros participantes você percebe que muitas dificuldades não são só suas. Quando entendemos que esses problemas são estruturais, também conseguimos pensar em caminhos e estratégias para enfrentá-los”, diz.
A estudante destaca que a experiência contribuiu para ampliar seu olhar sobre as diferentes realidades presentes na universidade.
“Compartilhar vivências e leituras com colegas faz com que a gente se sinta mais confortável nesse espaço. E se sentir confortável é essencial para quem pretende permanecer por bastante tempo na universidade”, afirma.
Segundo ela, um dos momentos mais marcantes do projeto foi o primeiro encontro do grupo.
“Ouvir as histórias das pessoas, saber de onde elas vieram e para onde estão caminhando foi muito impactante. Esse momento de escuta cria uma conexão muito forte entre os participantes”, relata.
Para 2026, a proposta é ampliar a rede de participantes e dar continuidade às ações voltadas à promoção da educação em direitos humanos e à inclusão no ensino superior.



O encontro de março será dedicado à apresentação do projeto para novos interessados e à construção coletiva das próximas atividades.
“O desafio agora é ampliar o número de estudantes envolvidos e construir, de forma coletiva, ações que fortaleçam uma universidade mais acolhedora e comprometida com os direitos humanos”, afirma a professora Mariana.
Segundo ela, a participação dos estudantes é central para o desenvolvimento das iniciativas do projeto.
“Não é possível falar em direitos humanos na universidade sem ouvir os próprios estudantes. É esse protagonismo que permite transformar o ambiente acadêmico e torná-lo mais inclusivo”, conclui.
Além das ações acadêmicas e formativas, o projeto também conta com apoio institucional para o desenvolvimento de suas atividades. Entre os apoiadores está a deputada federal Carol Dartora, que destinou uma emenda parlamentar para contribuir com iniciativas vinculadas ao Eduder.
As inscrições podem ser feitas através deste formulário. Para mais informações, acesse o site do projeto Eduder.
Encontro de retomada do Projeto Eduder – UFPR
Data: 14 de março
Horário: das 9h às 12h
Local: Campus Rebouças – sala 232B (2º andar)
Entrada pela Rua Rockfeller, nº 57 – Curitiba
Com informações da Equipe Eduder UFPR
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