Criado pela Medicina Veterinária do Coletivo, projeto conecta abrigos e lares temporários e amplia chances de adoção em todo o Brasil.
O projeto Lar Temporário, desenvolvido pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), tem transformado a vida de animais resgatados ao oferecer acolhimento temporário em ambientes familiares. A iniciativa surgiu a partir de uma ideia da professora Rita de Cassia Maria Garcia, da área de Medicina Veterinária do Coletivo, especialidade multidisciplinar que integra diferentes vertentes, como Medicina Veterinária de Desastres, Medicina Veterinária de Abrigos, Medicina Veterinária de Povos Originários e Tradicionais e Saúde Única.



O projeto ganhou ainda mais força após a atuação da equipe da UFPR no Rio Grande do Sul durante os desastres climáticos. Nos abrigos visitados, mais de mil animais viviam em situação de vulnerabilidade emocional.
“Alguns cães dormiam em cima das casinhas, e não dentro delas, porque tinham medo de a água subir novamente”, relata Rita. “Foi ali que percebemos que, apesar do esforço dos abrigos, aquele ambiente já não conseguia garantir o bem-estar emocional desses animais.”
A partir dessa experiência, a equipe intensificou o projeto de lares temporários. Em vez de encaminhar os animais resgatados para novos abrigos, muitos passaram a ser acolhidos em casas de voluntários dispostos a oferecer carinho, segurança e atenção. O resultado foi positivo: cerca de 90% dos animais acolhidos foram posteriormente adotados.
Segundo a professora, o lar temporário permite conhecer melhor o comportamento do animal em uma rotina familiar, o que torna as adoções mais seguras e reduz significativamente os casos de devolução.
“Como o animal está vivendo em ambiente familiar, conseguimos entender como ele realmente é no dia a dia e transmitir isso com mais segurança para o futuro tutor”, explica.
Com os resultados alcançados, surgiu a ideia de ampliar o projeto nacionalmente por meio da plataforma Lar Temporário, desenvolvida com apoio financeiro da Cobasi. A plataforma conecta abrigos, protetores independentes e pessoas interessadas em acolher animais temporariamente em todo o Brasil.
A ferramenta funciona como uma ponte entre quem precisa de ajuda e quem deseja ajudar. Os abrigos podem cadastrar animais disponíveis, enquanto os interessados em atuar como lar temporário conseguem escolher animais compatíveis com sua realidade e espaço disponível.
Mesmo com o acolhimento, a responsabilidade pelo animal continua sendo do abrigo ou protetor responsável pelo cadastro, incluindo alimentação, atendimento veterinário e demais cuidados necessários durante o período de estadia no lar temporário.
A iniciativa também ajuda a combater a superlotação dos abrigos. “Infelizmente, muitos animais acabam institucionalizados – entram no abrigo e nunca mais saem. E o abrigo deveria ser apenas um local de passagem”, destaca Rita.
Além de oferecer acolhimento, os lares temporários contribuem para a socialização e divulgação dos animais, aumentando as chances de adoção definitiva.
Entre as histórias marcantes do projeto está a da cadela Vral, resgatada no Rio Grande do Sul. No abrigo, ela apresentava estereotipias, comportamentos repetitivos associados ao estresse e à ansiedade. Após ser acolhida temporariamente em Curitiba, conseguiu se recuperar emocionalmente em um ambiente seguro e afetuoso.
Posteriormente, a cadela Vral passou a participar de ações com crianças em hospitais. “Costumamos dizer que ela deixou de ser vítima de uma tragédia para se tornar uma heroína”, afirma a professora.
Outro caso é o de Carlinhos, que chegou ao lar temporário com dermatite severa causada pelo estresse. Com cuidados adequados e acolhimento, recuperou a saúde e hoje vive com qualidade de vida. Já o cão Dunkey, que tinha medo de homens após sair do abrigo, voltou a confiar nas pessoas depois de ser acolhido por um voluntário homem.


As histórias reforçam o impacto do projeto não apenas na saúde física dos animais, mas também no aspecto emocional e comportamental.
Para garantir a segurança dos acolhimentos, a plataforma realiza um processo de seleção dos lares temporários. Os interessados passam por cadastro, enviam fotos do ambiente e informações sobre a residência, permitindo a análise das condições de segurança para receber os animais.
Além da atuação social, o projeto também possui caráter extensionista. Estudantes que participam como lares temporários recebem certificado de extensão universitária. Atualmente, também está aberto um edital de bolsa para estudantes interessados em atuar no projeto. As inscrições podem ser feitas até esta sexta-feira (22) por meio do formulário disponível aqui.


Interessados em saber mais sobre o projeto, atuar como lar temporário ou obter outras informações podem entrar em contato pelos seguintes canais: WhatsApp: (41) 99177-1815 ,Instagram, ou pelo e-mail lartemporarioufpradm@gmail.com.
O objetivo da iniciativa é ampliar a cultura do acolhimento em todo o Brasil, reduzindo a superlotação dos abrigos, aumentando as chances de adoção e oferecendo aos animais a oportunidade de viver, mesmo que temporariamente, em um ambiente de cuidado, dignidade e afeto.
Com informações do projeto Lar Temporário
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