Diretamente de Copenhague, na Dinamarca, onde foi realizada a COP 15 (Conferência das Nações Unidas sobre o clima), o professor Paulo de Tarso de Lara Pires, do Departamento de Economia Rural e Extensão, do Setor de Ciências Agrárias, enviou suas consideração finais sobre o evento.
Sensação de fracasso ao final da COP 15
Chegamos ao último dia da conferência e a sensação que temos é a de falência da COP 15. Os tão desejados compromissos de metas não foram firmados e já se fala em uma “COP 15 bis”, só para algumas pessoas de um seleto grupo de países. Em seu discurso o Secretário-executivo da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança Climática, Yvo de Boer, desabafou por muitos de nós quando afirmou: “As gerações futuras julgarão nossa incapacidade de mudar o rumo da historia.”
O Brasil na vanguarda
Por outro lado, como cidadão brasileiro, de forma apartidária, confesso que fiquei orgulhoso de ouvir o pronunciamento do nosso presidente Lula, que arrancou aplausos de parte significativa da plenária. Destacou nosso representante que estamos fazendo nossa parte, apesar de todos os custos envolvidos para um país em desenvolvimento como o nosso. “Não é fácil, mas necessário para mostrar ao mundo que com meias palavras e barganhas não se encontrarão soluções para o problema”.
Continuou seu discurso afirmando que algumas pessoas acham que apenas o dinheiro resolve os problemas. Mas é importante que nós e os países ricos não pensemos que estamos fazendo favor, dando esmola. O dinheiro colocado na mesa e o pagamento pelo prejuízo causado pelos países industrializados que por dois seculos emitiram indiscriminadamente gases de efeito estufa na atmosfera. Finalmente, após ter sido efusiantemente aplaudido, o presidente Lula fez um apelo para que sejam mantidos e respeitados três princípios que considera fundamentais: a soberania dos países; o subsídio aos países pobres; e a liberdade de crescimento dos países em desenvolvimento que durante séculos custearam o avanço de nações desenvolvidas.
E importante destacar que a imprensa mundial tem elogiado muito a posição do Brasil. A imprensa alemã destacou o Brasil como o país que tem dado exemplo para o resto do mundo.
Estados Unidos, os donos da bola
Infelizmente, logo após o pronunciamento do presidente brasileiro, o púlpito foi ocupado pelo presidente norte americano, Barack Obama que, frustrando todas as expectativas, fez um pronunciamento que beira ao vazio. Ratificou a posição anteriormente colocada pela Secretária de Estado norte-americano Hilary Clinton, e destacou que nada será feito pelo seu governo se não forem construídas medidas sérias de mitigação e se nao houver transparência e fiscalização do processo. Pairava então no ar a sensação de que os países desenvolvidos não estão fechados a discussão, desde que suas posições sejam respeitadas e seus interesses considerados prioritariamente.
Estamos chegando ao final da COP 15 com a impressão de que algo mais deveria ter sido feito. As metas tão desejadas não foram estabelecidas. Os compromissos mais importantes nao foram firmados.
Os financiamentos foram transformados em moeda de barganha. Sem querer ter uma posição pessimista, a impressão que temos é a de estarmos no final de uma batalha, entrincheirados, onde não há vencedores, apenas perdedores. O que nos consola é sabermos que estamos participando de apenas mais uma batalha dentro de uma Guerra Mundial, na qual todos devemos lutar imbuídos do mesmo objetivo: o da preservação da vida em nosso Planeta.
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Fonte: Paulo de Tarso de Lara Pires
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