Os protestos no Egito ultrapassaram as fronteiras do mundo árabe quando o principal aliado dos EUA e de Israel, o presidente egípcio Hosni Mubarak, começou a ser hostilizado pelo povo. Ele corre o risco de não continuar no cargo.
Segundo o doutorando em História pela UFPR com uma tese a respeito do Oriente Médio e professor de Relações Internacionais da Unicuritiba, Andrew Traumann, a posição tímida dos EUA em relação aos fatos se deve à relação estreita que o país teve com Mubarak nos últimos anos. Mas, com a população contra ele, os EUA evitam mais problemas de relações internacionais apoiando a retirada de Mubarak. A situação interna do país é precária. Noventa por cento dos jovens com menos de 25 anos não têm emprego fixo. O preço dos alimentos é alto e o poder aquisitivo da população baixo.
Numa reviravolta política, Traumann acredita que o modelo de estado religioso não será adotado pelos egípcios, já que há muito tempo a população convive com o estado laico e sabe as conseqüências que as tradições religiosas podem trazer para o país.
Para o cientista político e professor da UFPR Ricardo Oliveira, o futuro deste movimento é uma incógnita – tudo está em aberto. Segundo ele, o movimento está centrado na retirada do atual presidente. É um processo que se consolidará nos próximos meses, talvez anos, e que pode seguir os modelos democráticos parlamentaristas e presidencialistas ocidentais.
O professor não descarta a hipótese de ser adotado um modelo político fundamentalista. Oliveira compara a situação no Egito com os processos de redemocratização na América Latina nos anos 80, como uma possibilidade para o futuro daquele país. Apesar de a oposição egípcia não ter um nome que possa concorrer nas próximas eleições, algum possível candidato pode surgir das lideranças do movimento.
Com relação a Israel, que se intitulava a única democracia em meio às ditaduras mulçumanas, agora o país teme que um possível sucessor de Mubarak venha a defender os palestinos na questão de Gaza.
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Após consolidado, processo pode seguir os modelos democráticos ocidentais.
Foto: Marcello Casal Jr./ABr
Fonte: Leonardo Müller, sob orientação de Ana Paula Moraes
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