A oficina Cordas, cordões, pulseiras e cintos pretende ensinar a arte milenar da fiação para que as mulheres do Batel gerem renda. A oficina foi uma demanda da comunidade, através da Associação de Moradores do Bairro Batel – AMBB. “Este ano o Festival está sendo diferente. Recebemos um convite para que a comunidade participe junto. Sempre a universidade vem e faz o trabalho dela e a comunidade não participa. Agora, não”, diz Vera Andreotti, vice-presidente da AMBB.
A oficina está resgatando a origem dos fios – na roupa, no cabelo, nas cordas, para puxar barcos. Usa material bruto para fiação, como lã de carneiro, um pouco de algodão, juta, fio reciclado. “Estas senhoras querem fazer um trabalho para geração de renda para a comunidade”. Diz o ministrante Renê Scholz. A oficina ensina fazer cordas, cordões, cintos e pulseiras, com tear egípcio e outros tipos de teares, desde a obtenção do fio até as peças de vestuário.
Renê explica que usa o fuso para tear, um instrumento milenar de produção de fio. Até o ano 1300, todos os fios eram feitos com fuso, depois passaram a usar a roda de tear. Para Renê, “o artesão é o detentor de um tesouro.” Ele imagina que se um dia houvesse uma pane geral na máquina produtiva global, os artesãos teriam que ensinar estes saberes de novo para a população. Para participante Tânio Gomes, aprender tear é importante para quem não tem recurso para comprar. Ela acredita que com a técnica que está aprendendo pode até partir para um negócio próprio, para adquirir recursos para sua própria sobrevivência. “Para a comunidade, é bom”, afirma.
Por Jean Pinheiro
Orientada por Mario Messagi
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