
Cabana Pai Tomé e Mãe Rosária
Texto de leitura rápida: “Eu não me sinto saindo daqui”, afirma Tereza Rosa de Oliveira Rodrigues ao falar da Cabana Pai Tomé e Mãe Rosária de Aruanda. Localizada no Abranches, a casa reúne atendimento espiritual, benzimentos, ervas, pretos velhos, congá, família e comunidade.
A Cabana Pai Tomé e Mãe Rosária de Aruanda, também conhecida como Terreiro Pai Tomé e Mãe Rosária, é um terreiro de Umbanda localizado no bairro Abranches, em Curitiba. O espaço é muito importante para o MAFRO porque reúne religião afro-brasileira, memória negra, cuidado comunitário, natureza e resistência pelo direito de permanecer no território.
Pesquisas sobre terreiros em Curitiba mostram que esses espaços são muito mais do que locais religiosos. Eles também funcionam como lugares de cultura, memória, acolhimento, saberes ancestrais e fortalecimento da comunidade negra. A Cabana faz parte dessa história e representa a presença das religiões afro-brasileiras na cidade, mesmo diante do racismo religioso e da falta de reconhecimento.
A história da Cabana está ligada a Tereza Rosa de Oliveira Rodrigues e a Feliciano Rodrigues, já falecido. A comunidade começou a se formar nos anos 1980 e continua ativa no Abranches. Em entrevista ao MAFRO, Tereza explica que, após a morte do companheiro, assumiu sozinha a responsabilidade pela continuidade da casa. A Cabana aparece como uma herança espiritual e um trabalho de cuidado mantido por uma mulher negra mais velha, sua família e a comunidade religiosa.

Breve resumo: A Cabana Pai Tomé e Mãe Rosária de Aruanda, localizada no bairro Abranches, em Curitiba, é um terreiro de Umbanda e um território de memória negra, espiritualidade e acolhimento comunitário. A casa existe desde os anos 1980 e está ligada à trajetória de Tereza Rosa de Oliveira Rodrigues e de Feliciano Rodrigues. O espaço reúne práticas religiosas afro-brasileiras, uso de ervas e elementos da natureza, além de atendimentos espirituais e apoio à comunidade. Para o MAFRO, a Cabana é um patrimônio vivo que representa a presença das religiões afro-brasileiras, dos saberes ancestrais e das formas de resistência da população negra em Curitiba. A disputa pela permanência do terreiro também evidencia a luta pelo reconhecimento e pelo direito ao território.
O nome da Cabana vem das entidades espirituais Pai Tomé e Mãe Rosária, ligadas à linha dos pretos velhos na Umbanda. Essas entidades são muito importantes para a espiritualidade da casa e para os atendimentos realizados no terreiro.
Um dos espaços centrais da Cabana é o Congá, espaço onde ficam imagens, objetos e referências das entidades e divindades cultuadas pela casa. A casa mistura referências do catolicismo com elementos das religiões de matriz africana, algo comum na Umbanda e em outras tradições afro-brasileiras.
A Cabana também funciona como um espaço de acolhimento e cuidado. Segundo os relatos da família, muitas pessoas procuram ajuda espiritual, emocional e até apoio em momentos difíceis da vida. Os atendimentos incluem conversas, benzimentos, conselhos e práticas espirituais ligadas à tradição da Umbanda. Para o MAFRO, isso mostra como os terreiros também atuam como espaços comunitários de cuidado e apoio social.
A relação com a natureza é parte fundamental da vida no terreiro. Tereza fala sobre o uso de ervas, banhos e plantas cultivadas no próprio território. As árvores, águas e ervas fazem parte das práticas espirituais e do cuidado com as pessoas. Assim, a Cabana não separa religião, natureza e território.

Hoje, a permanência da Cabana no Abranches está ameaçada por disputas ligadas ao território. Reportagens e documentos indicam que o espaço fica em uma área de preservação ambiental criada depois da existência do terreiro, e há processos judiciais envolvendo a possibilidade de retirada da comunidade do local. A família explica que não seria possível simplesmente transferir a Cabana para outro lugar, porque as árvores, as ervas, os objetos sagrados, as memórias e a espiritualidade estão ligados àquele território específico.
Para o MAFRO, a Cabana Pai Tomé e Mãe Rosária de Aruanda é um patrimônio vivo da cidade de Curitiba. O terreiro representa a presença das religiões afro-brasileiras, das mulheres negras mais velhas, das entidades espirituais, dos saberes tradicionais e das formas de cuidado comunitário que fazem parte da história e da cultura negra da cidade.

Referências:
BLUM, Caroline et al. Lugares de axé: notas sobre um inventário de terreiros de candomblé em Curitiba e região Metropolitana. In: RAGGIO, Ana Zaiczuk; BLEY, Regina Bergamaschi;
TRAUCZYNSKI, Silvia Cristina (org.). Abordagem sociológica sobre a população negra no estado do Paraná. Curitiba: SEJU, 2018. p. 248-272.
DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO PARANÁ. Núcleo de Promoção da Igualdade Étnico-Racial. Nota Técnica nº 04/2025/NUPIER/DPPR: reconhecimento das contribuições culturais dos modos de vida afrodiaspórico dos terreiros de Umbanda: recomendação de tombamento do território sagrado Cabana Pai Tomé e Mãe Rosária de Aruanda. Curitiba: Defensoria Pública do Estado do Paraná, 2025.
MAFRO. Transcrição de entrevista com Tereza Rosa de Oliveira Rodrigues e familiares na Cabana Pai Tomé e Mãe Rosária de Aruanda. Curitiba, maio 2026. Material interno de pesquisa.
MOASSAB, Andréia et al. Dicionário de Arquitetura de Terreiros: a partir do Ilê Asé Oju Ogún Fúnmilaiyó. Caderno MALOCA. Foz do Iguaçu: Universidade Federal da Integração LatinoAmericana, 2021.
REIS, Aline. Espaço sagrado para umbanda, Terreiro Pai Tomé e Mãe Rosária pode ser destruído. Plural, Curitiba, 21 jul. 2025. Atualizado em: 3 jan. 2026.
