
Arcadas do Pelourinho
Texto de leitura rápida:
As Arcadas do Pelourinho integram o Setor Histórico de Curitiba e aparecem em percursos de memória como ponto associado à presença negra na cidade. No local, uma placa informa a referência ao antigo pelourinho da Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, ligado às formas coloniais de autoridade e punição pública.
As Arcadas do Pelourinho ficam no Setor Histórico de Curitiba, em uma região cheia de pontos importantes para a história e o turismo da cidade. Esse lugar aparece em estudos e roteiros sobre a presença negra em Curitiba porque ajuda a lembrar histórias que muitas vezes ficaram escondidas ou foram pouco explicadas. As arcadas não são apenas uma construção antiga: elas também representam memórias ligadas ao período colonial, ao poder da época e às discussões atuais sobre reconhecimento da população negra na história da cidade.
O valor desse espaço está justamente no que ele mostra, e também no que a cidade quase não explica sobre ele. Uma pesquisa da autora Andrea Vanessa Borges Oliveira registra que existe uma placa de metal nas Arcadas do Pelourinho informando que ali teria sido levantado, em 1668, o pelourinho da antiga Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, por Gabriel de Lara. O pelourinho era um símbolo de autoridade colonial e também de punição pública, ligado ao período da escravidão e ao controle da população.

região central de Curitiba. Foto: Pedro Costa.
Breve resumo:
As Arcadas do Pelourinho, localizadas no centro histórico de Curitiba, são um importante lugar de memória ligado à presença negra e à história da escravidão na cidade. O espaço recebeu uma placa indicando que ali teria sido instalado o antigo pelourinho da vila em 1668, símbolo do poder colonial e das punições públicas da época. Hoje, o local é usado em estudos e atividades educativas para discutir memória, apagamento e reconhecimento da população negra na história curitibana. O entorno das arcadas, que inclui a escultura Água pro Morro e o Paço da Liberdade, reforça essas discussões ao mostrar como a presença negra muitas vezes aparece de forma pouco explicada na paisagem urbana. Assim, as Arcadas do Pelourinho ajudam a revelar histórias e memórias que durante muito tempo ficaram invisibilizadas na cidade.
Os estudos não confirmam que o antigo pelourinho ainda exista fisicamente no local, nem explicam exatamente como ele funcionava em Curitiba. Mas as pesquisas mostram que o espaço passou a ser usado em atividades educativas e patrimoniais como um lugar de memória da presença negra e da escravidão na formação da cidade. Por isso, a importância das arcadas não está apenas na arquitetura, mas no significado histórico e simbólico que elas carregam.
O entorno das arcadas também ajuda a contar essa história. Perto dali fica a escultura Água pro Morro, de Erbo Stenzel, instalada ao lado de uma fonte construída pela Prefeitura de Curitiba em 1996. A obra foi inspirada em Emerenciana Cardoso Neves, também conhecida como Anita Cardoso Neves, uma artista negra que foi escultora, compositora de sambas-enredo e poeta. Durante muitos anos, a escultura ficou conhecida apenas pelo apelido “Maria Lata d’Água”, o que acabou apagando a identidade e a trajetória da mulher representada.
A presença da escultura ajuda a entender como a memória negra aparece no centro histórico de Curitiba: muitas vezes de forma incompleta, pouco explicada ou reduzida a fragmentos. O conjunto formado pelas Arcadas do Pelourinho, pela placa histórica, pela fonte, pela escultura e pelo Paço da Liberdade mostra como diferentes memórias convivem no mesmo espaço urbano.
Pesquisas também mostram que houve um movimento de valorização da identidade de Emerenciana Cardoso Neves, principalmente por parte de mulheres negras e pesquisadoras. Isso levou à instalação de uma nova placa com seu nome e informações sobre sua história.

região central de Curitiba. Foto: Pedro Costa.
Os estudos não confirmam que o antigo pelourinho ainda exista fisicamente no local, nem explicam exatamente como ele funcionava em Curitiba. Mas as pesquisas mostram que o espaço passou a ser usado em atividades educativas e patrimoniais como um lugar de memória da presença negra e da escravidão na formação da cidade. Por isso, a importância das arcadas não está apenas na arquitetura, mas no significado histórico e simbólico que elas carregam.
Mesmo assim, a antiga identificação com o apelido ainda permaneceu ao lado do monumento, mostrando como as disputas pela memória e pelo reconhecimento continuam presentes.
Os estudos sobre o Setor Histórico explicam ainda que a região passou por projetos de preservação e valorização urbana a partir da década de 1970. A intenção era proteger construções históricas e transformar a área em um espaço cultural, turístico e comercial. Por isso, as Arcadas do Pelourinho fazem parte de uma paisagem marcada tanto pela preservação histórica quanto pelo turismo e pelas mudanças urbanas. Outra pesquisa mostra que a região da Praça Generoso Marques e do antigo Paço Municipal passou por grandes transformações ao longo do tempo. Antes da construção do Paço, inaugurado em 1916, a área era ligada ao antigo mercado público e era vista como um espaço de circulação popular e conflitos urbanos. Depois, passou a representar uma imagem mais organizada e moderna da capital.

região central de Curitiba. Foto: Pedro Costa.
Referências:
BRASIL, Eliana. Travessia em Água pro Morro: a história nos pertence. Curitiba, 2021.
DIAS, Nathaly de Moraes. Memória, esquecimento e cidadania: ressignificando “Água pro Morro”. Revista Vernáculo, Curitiba, n. 51, p. 43-59, 2023.
OLIVEIRA, Andrea Vanessa Borges. A presença da população negra na paisagem urbana: roteiros histórico-turísticos de Curitiba. 2025. Dissertação (Mestrado em Design) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2025.
SERBAKE, Lourdes Maria; FLORES, Claudia Mimbela; BATISTA, Fábio Domingos. Inventário dos imóveis do Setor Histórico de Curitiba. Programa de Apoio à Iniciação Científica – PAIC 2019-2020, Curitiba, FAE Centro Universitário, 2020.
SUTIL, Marcelo Saldanha. Beirais e platibandas: a arquitetura de Curitiba na primeira metade do século 20. 2003. Tese (Doutorado em História) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2003.
Para o MAFRO, as Arcadas do Pelourinho devem ser entendidas como um lugar de memória em disputa. O objetivo não é transformar o espaço em uma única prova da história negra de Curitiba, mas reconhecer que ali se cruzam diferentes histórias: a escravidão, a presença negra na cidade e as tentativas atuais de recuperar e valorizar essas memórias. O principal valor desse lugar está em ajudar a tornar mais visível a participação da população negra na construção da paisagem e da história de Curitiba.
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