
Bloco Boca Negra
Texto de leitura rápida: O Bloco Boca Negra é um coletivo cultural dedicado à valorização da história do samba em Curitiba. Suas atividades articulam cortejos carnavalescos, rodas de samba e ações de pesquisa voltadas à preservação da memória cultural negra da cidade. Ao recuperar trajetórias como a do sambista Maé da Cuíca e referências históricas como a Escola de Samba Colorado, o grupo busca evidenciar a presença do samba na formação cultural da capital paranaense e contestar a ideia de que Curitiba não possui tradição carnavalesca.
A história do Bloco Boca Negra está ligada à memória do samba em Curitiba e à convivência entre pessoas negras em bairros populares da cidade durante o século XX. Diferente da imagem mais conhecida de Curitiba, que costuma valorizar principalmente influências europeias, a existência do Boca Negra mostra que a cidade também tem uma tradição cultural negra importante, relacionada ao samba, ao carnaval e às relações comunitárias formadas em regiões operárias.
Um dos principais locais dessa história fica perto do Viaduto do Capanema, local que por muitos anos viveram trabalhadores da ferrovia e de indústrias do bairro Rebouças. A antiga Rede Ferroviária ajudou a criar comunidades de trabalhadores que, além do trabalho, também construíam espaços de lazer, encontros e manifestações culturais. Nesse contexto, o samba e o carnaval se tornaram formas importantes de convivência e expressão.

Breve resumo: O Bloco Boca Negra é um importante símbolo da presença e da tradição cultural negra em Curitiba, ao resgatar a memória do samba e do carnaval popular em bairros operários da cidade ao longo do século XX. A trajetória de figuras como Maé da Cuíca e da Escola de Samba Colorado revela como comunidades de trabalhadores criaram espaços de convivência e expressão cultural próximos ao Viaduto do Capanema e outras regiões periféricas. Além de manter viva essa herança por meio de cortejos e rodas de samba, o bloco também atua na preservação histórica, propondo transformar a antiga casa de Maé em um centro cultural e memorial do samba. Dessa forma, o Boca Negra enfrenta o apagamento histórico e reafirma o samba como parte fundamental da identidade social e cultural curitibana.
Nesse ambiente, se destaca a trajetória de Ismael Cordeiro da Silva, conhecido como Maé da Cuíca. Ele foi sambista, compositor e uma liderança cultural importante para o samba curitibano. Maé participou da criação da Escola de Samba Colorado, considerada a primeira escola de samba de Curitiba. Com o tempo, rodas de samba e encontros musicais perto do Viaduto do Capanema se tornaram pontos de encontro para sambistas e pessoas ligadas ao carnaval popular.
Outro espaço importante nessa história é a antiga Vila Tassi, hoje próxima ao Jardim Botânico. Ali também viviam trabalhadores da ferrovia e de outras atividades urbanas, formando redes de vizinhança que ajudaram a manter o samba vivo na cidade. Mesmo sendo pouco lembrados na história oficial de Curitiba, esses lugares guardam memórias importantes da cultura negra.
Depois do período mais forte da Escola Colorado, surgiram iniciativas atuais para preservar essa história. O Bloco Boca Negra nasce nesse cenário como uma ação coletiva para valorizar a memória do samba e da presença negra em Curitiba. Além dos cortejos e rodas de samba, o grupo também realiza pesquisas e divulga informações históricas, buscando conectar o carnaval atual com as experiências das gerações anteriores.

Entre as iniciativas articuladas pelo bloco está o projeto de transformar a antiga casa de Maé da Cuíca em um espaço dedicado à preservação dessa memória.
Uma das principais ações do bloco é a proposta de transformar a antiga casa de Maé da Cuíca, localizada perto do Viaduto do Capanema, em um espaço de preservação cultural. Apesar de estar degradada, a casa ainda é vista como um local simbólico para o samba curitibano e, desde 2017, seu quintal passou a ser utilizado como ponto final do cortejo do Boca Negra, onde acontecem rodas de samba. A intenção do grupo é criar ali um centro cultural e um memorial do samba em Curitiba, com oficinas, palestras e encontros musicais, além da formação de um acervo com fotos, instrumentos, roupas e documentos ligados ao samba local. Para viabilizar o projeto, o bloco busca apoio de órgãos públicos e instituições culturais para preservar o imóvel e consolidar o memorial.

Referências:
MOSCAL, Janaina dos Santos. Boca Negra e a Cidade Sorriso: giras, gingas e beats do patrimônio cultural afro-brasileiro em periferias da capital paranaense. Cadernos NAUI, Florianópolis, 2023.
PONTES, Priscilla Silva. Rachando o petit-pavé: danças afro-orientadas e territórios da diáspora negra em Curitiba. Universidade Federal da Bahia, 2021.
FREITAS, João Carlos de. Colorado: a primeira escola de samba de Curitiba. Curitiba: edição do autor, 2009.
PAZELLO, Ricardo. Bloco de samba Boca Negra: resgate da memória, continuidade da história. Brasil de Fato, 2023.
Plural Jornalismo. Bloco Boca Negra luta por um memorial do samba em Curitiba.
Com essas ações, o Boca Negra também participa de uma disputa pela memória cultural da cidade. Seus integrantes afirmam que a ideia de que Curitiba não possui tradição de carnaval ou samba existe porque houve um processo histórico de apagamento das culturas populares e periféricas. Assim, valorizar figuras como Maé da Cuíca e a história da Escola Colorado é uma forma de mostrar que o samba faz parte da história social de Curitiba.
Dessa forma, o bloco conecta passado e presente ao recuperar histórias, lugares e personagens importantes do samba curitibano. Ao realizar cortejos e encontros culturais atualmente, o Boca Negra fortalece o reconhecimento da presença negra na cidade e contribui para manter viva a memória das práticas culturais construídas por trabalhadores e comunidades populares.
Tour virtual:
