Os alunos do Projeto Gralha Azul representam a UFPR – Universidade Federal do Paraná, no II Campeonato Brasileiro de Luta Olímpica Escolar que acontece neste final de semana, dias 17 e 18 de novembro, no complexo de esportes da Praça Oswaldo Cruz, em Curitiba.
A competição reúne lutadores de seis estados brasileiros. Além do Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Pernambuco confirmaram participação.
Adolescentes de 14 e 15 anos disputam a categoria escolar da luta olímpica. Os lutadores com 13 anos também podem competir, mas somente com autorização dos pais e médica. O campeonato tem dez divisões de peso nas categorias masculina e feminina e o Projeto Gralha Azul conta com 18 lutadores: dez meninas – uma em cada divisão de peso, e oito meninos. No masculino os pesos variam entre 29 e 85 quilos e vão de 28 a 62 quilos no feminino.
O sonho olímpico – Jhonatan de Paula, 15 anos, é um dos atletas que representam a UFPR no campeonato. Estudante da sétima série da Escola Municipal Prefeito Omar Sabbag e há dois anos treinando luta olímpica no Projeto Gralha Azul, Jhonatan pretende ser campeão na sua categoria, 55 quilos. ”Antes eu ficava andando pelas ruas fazendo coisas erradas e hoje estou aqui treinando, pensando em ter uma carreira e ser alguém”, conta o lutador.
Já a colega de treino e amiga de Jhonatan, Camila Silva de Oliveira, 15 anos, é mais ponderada e espera, no mínimo, um segundo ou terceiro lugar na competição. “Quero ter um futuro melhor me tornando uma lutadora mundialmente reconhecida. É muito bom treinar aqui, já fomos até competir no Rio de Janeiro”, revela a estudante da oitava série da Escola Omar Sabbag e que também disputa a categoria 55 quilos.
Os dois são treinados pelo professor cubano Alejo Morales Fernandez que veio para o Brasil 11 anos atrás com a intenção de tornar a luta olímpica popular no país. ”Acredito muito no potencial do povo brasileiro para a prática da luta olímpica e por isso estou aqui, mas o país ainda precisa de um projeto pedagógico educacional e esportivo que acompanhe as crianças desde o início do seu desenvolvimento como acontece em Cuba, por exemplo”, declara Morales que ficou nove anos em Goiânia, capital de Goiás, e chegou neste ano à UFPR aceitando ao convite do coordenador de lutas da universidade, Sérgio dos Santos. “Temos uma grande estrutura, agora só falta dar mais visibilidade ao esporte”, finaliza Morales.
Os pupilos do professor Morales, Jhonathan e Camila, partilham de um sonho em comum, participar dos Jogos Olímpicos. “Queremos nos tornar lutadores profissionais e ganhar medalhas de ouro para o Brasil nas Olimpíadas”, revelam os atletas que acompanharam as lutas de Zulu e Fábio Cunha, que também treinam na UFPR, durante os Jogos Pan-americanos Rio 2007.
O que é o Projeto Gralha Azul? – O Projeto Gralha Azul é uma iniciativa social da UFPR que atende 200 crianças carentes de Curitiba e região metropolitana oferecendo esportes como Atletismo, Basquete, Futebol, Luta Olímpica, Natação e Vôlei no horário de contra-turno das aulas dos alunos. “Esperamos atender a 5 mil crianças no ano que vem com a construção do Centro de Desenvolvimento da Luta Olímpica na UFPR”, declara o coordenador de lutas da universidade, professor Sérgio dos Santos. ”Um país sem base esportiva não vai ter grandes atletas nunca e o Projeto Gralha azul é extremamente importante porque forma o cidadão através do esporte”, finaliza o professor.
Não só alunos do Projeto Gralha Azul representarão a UFPR II Campeonato Brasileiro de Luta Olímpica Escolar. Acadêmicos de Educação Física da instituição fazem parte da organização do evento. É o caso de José Alberto Fernandes Gomes dos Santos, 20 anos, aluno do primeiro ano do curso. “Conheço uma criança que tinha um péssimo comportamento, era agressiva e brincava de bater nos outros, mas com o acompanhamento mais profundo junto com a família e algumas conversas, um dia ela nos disse que gostaria de fazer Educação Física para dar aulas no Projeto Gralha Azul. São esses exemplos que valorizam o nosso trabalho e que nos dão força para continuar”, diz José Alberto que também treina Luta Olímpica na universidade, categoria Júnior (18, 19 e 20 anos), e deve ser árbitro durante o campeonato.
Entenda a Luta Olímpica – São disputadas duas modalidades de luta: a greco-romana e a livre. A diferença entre elas é o modo como os golpes podem ser aplicados. Na greco-romana, os atletas só podem utilizar a parte do corpo acima da cintura, enquanto na livre as pernas também podem ser usadas.
Cada combate tem de ser disputado em dois rounds de três minutos de duração. Em cada um deles, um atleta será considerado vencedor. Caso cada um dos competidores vença uma vez, será disputado um terceiro round. Há, ainda, uma forma de nocaute na luta olímpica. Isso acontece quando um dos competidores faz com que o adversário encoste os dois ombros no chão.
A verificação dos vencedores de cada assalto é feita pela contagem de pontos. Cada tipo de golpe aplicado recebe uma determinada pontuação de um juiz, de acordo com sua dificuldade. Quando um atleta abre dez pontos de vantagem sobre o outro ele também vence o confronto imediatamente.
Os atletas devem ter cuidados quanto à higiene pessoal. Os cabelos precisam ser curtos ou presos, e as unhas devem estar sempre cortadas. Assim como em outros tipos de lutas, a disputa é separada de acordo com os pesos dos atletas.
A luta olímpica é dividida por idade em cinco categorias: Escolar, Cadete, Júnior, Sênior e Máster. Na Escolar competem atletas de 14 e 15 anos e o estilo da luta é somente o livre. “Lembrando que o estilo livre masculino e o feminino possuem algumas diferenças”, destaca o coordenador de lutas da UFPR, Sérgio dos Santos.
A categoria cadete é para lutadores de 16 e 17 anos e é nesta fase que o estilo clássico da luta começa a ser disputado: o greco-romano. No Júnior os lutadores têm de 18 a 20 anos. A categoria Sênior é equivalente à categoria profissional ou de alto rendimento e os atletas devem esta na faixa etária entre 20 e 35 anos. Por fim, a categoria Máster é para lutadores acima de 35 anos.
Serviço:
II Campeonato Brasileiro de Luta Olímpica Escolar
Local: Praça Oswaldo Cruz – Rua Brigadeiro Franco, em frente ao Shopping Curitiba
Horário: lutas a partir das 9 horas.
Mais informações por meio dos telefones 9162-2317 e 3077-7763, com o professor coordenador de lutas da UFPR, Sérgio dos Santos.
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Foto: Alisson Castro
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Foto: Alisson Castro
Fonte: Alisson Castro e Patricia Favorito Dorfman
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