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Leia entrevista com as chapas que disputam DCE e conselhos

24 novembro, 2009
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Cerca de 25 mil alunos dos cursos de graduação e pós-graduação da UFPR estão aptos a votar na eleição, que começou nesta terça e termina na quarta-feira (25).

As três chapas que disputam as eleições são as seguintes: ‘Passo à frente’, que concorre apenas para os conselhos; ‘Pra não deixar virar privada’, que participa de ambas as disputas; e ‘Um convite à ousadia’, que concorre apenas para a direção do DCE.

Há 21 urnas. Para votar, basta apresentar qualquer documento com foto. Os alunos devem procurar, preferencialmente, as urnas de seus respectivos cursos (clique aqui e confira os locais de votação).

A seguir, a entrevista das três chapas concorrentes.

Como a chapa avalia a atual gestão do DCE da UFPR e a atuação dos representantes dos alunos nos conselhos?

Passo à Frente – A chapa Pés no Campus era gestão e também conselhos superiores. No decorrer de 2009, muitos dos que a integravam se afastaram. Devido a essa debandada, avaliamos que a gestão atual fez o possível e que conseguiu realizar um bom trabalho na atuação administrativa. Quanto aos conselhos, avaliamos a atuação como boa, porém não ideal. Mesmo assim, entendemos que conseguiram conquistar muito. Inclusive integram a chapa Passo à Frente alguns membros da Pés no Campus.

Pra não deixar virar privada – A gestão atual foi muito fraca em relação ao contato com os estudantes, assim como foi a gestão anterior. Como achamos que a atuação nos conselhos e na direção são duas faces de um mesmo processo, a intervenção dos conselheiros acabou ficando descolada da realidade. O Plano Diretor da Universidade, por exemplo, quase foi aprovado no Conselho de Planejamento e Administração (Coplad) semana passada e ninguém estava sabendo. Sorte a nossa que fomos investigar o Plano Diretor e por acaso ficamos sabendo e tivemos a oportunidade de ir lá no conselho.

Um convite à ousadia – Foi uma gestão fragilizada, com pouca organização e que não participou e organizou os processos de mobilizações que ocorreram ao longo do ano, como nos cursos de Design, Medicina, Enfermagem, Psicologia, História, das tecnológicas, etc. Entretanto, sabemos que é necessário que a entidade seja um instrumento dos estudantes, pois a universidade tem problemas estruturais como falta de professores, equipamentos e estruturas físicas, agravados com a implementação do Reuni.

Quais são as propostas prioritárias da chapa?

Passo à Frente – Princípios que defendemos: democratização da universidade; maior união e mobilização discente; fiscalização da administração; publicidade e transparência das ações. Propostas Fundamentais: elaborar junto à gestão do DCE a avaliação dos docentes e cursos, buscando soluções aos problemas levantados; publicização das atividades dos representantes (site e impresso); defender alteração e atualização do Estatuto da UFPR com intensa participação de toda a comunidade; defender a modificação das inconstitucionalidades nas normas que regulam as atividades administrativas e acadêmicas; defender a realização de festas dentro da Universidade como atividade de integração; lutar pela desburocratização do uso dos meios de transporte da UFPR, principalmente ônibus, pelos estudantes; defender a ampliação do número de bolsas de pesquisa, extensão, monitoria, etc; e defender a ampliação do horário de funcionamento das bibliotecas. Propostas de fiscalização: A implementação do plano Diretor (documento que traça diretrizes gerais para projetos de ocupação, expansão e manutenção de toda a infraestrutura da universidade); criação do Setor de Artes, Comunicação e Design (Sacode), para que as mudanças sejam benéficas aos estudantes e aos cursos; adequação concreta e correspondente às necessidades dos estudantes e dos cursos que mudarem de campus; acompanhar as obras previstas pelo Reuni, dentre elas a do 12º andar do edifício D. Pedro I (na Reitoria); compra de terreno do INSS (Pólo de Comunicação) pela UFPR; a forma e utilização da venda do potencial construtivo do campus Santos Andrade.

Pra não deixar virar privada – A nossa principal proposta é lutar em defesa da universidade que queremos. Mas não sozinhos, fazer a luta pelos estudantes, mas com eles. Achamos que esta luta também não significa só coisas grandes como barrar o Reuni, mas pautas como a subsede do NAA no Centro Politécnico e RU no novo campus (Teixeira Soares).

Um convite à ousadia – Nossa chapa tem como propostas prioritárias a revogação do Reuni e a construção de outro projeto de expansão da universidade. Reivindicamos o investimento de 10% PIB para a educação; projeto de obras de readequação da infra-estrutura da universidade; abertura imediata de concurso público para professores e técnicos administrativos; ampliação dos RUs; aumento do espaço físico e do acervo das bibliotecas; a paridade nos conselhos da universidade; ampliação das políticas de permanência (ampliação dos valores e números de bolsas e construção de novas moradias); e readequação dos laboratórios da universidade.

Como será o cenário futuro caso chapas diferentes vençam a disputa para os conselhos e para a direção do DCE?

Passo à Frente -Acreditamos que a gestão do DCE e os membros do conselho superior, mesmo que venham a ser de chapas diferentes, precisam se complementar e não antagonizar. Devem manter diálogo permanente e seguir as mesmas resoluções dos Conselhos de Entidades Base (CEB) e do Congresso dos Estudantes.

Pra não deixar virar privada – Vemos isto de maneira muito prejudicial. É uma visão deturpada de movimento estudantil, que acha que as lutas nos espaços se dão de maneira diferente ou mesmo separada. Isto não é verdade. Uma não faz sentido sem a outra. Escolher uma chapa é também escolher o projeto político de universidade que os estudantes defendem e não faz sentido defender um projeto político pro movimento estudantil e outro para a representação dos estudantes.

Um convite à ousadia – Essa não seria uma novidade na universidade, nos órgãos representativos dos professores e técnicos administrativos é comum elegerem chapas diferentes. Essa discussão passa pela concepção de representação estudantil. Compreendemos que seja o DCE ou os representantes nos conselhos, todos devem seguir as políticas deliberadas pelos órgãos de decisão políticas dos estudantes, sejam os CEBs ou as assembléias, e não representar a si mesmos nos espaços de decisão coletiva. A partir dessa pergunta, devemos refletir sobre a participação dos estudantes nos conselhos superiores, onde as ultimam gestões priorizaram a participação nos conselhos e se esqueceram de organizar e discutir a vida cotidiana dos estudantes.

Como ampliar a participação dos alunos da UFPR no movimento estudantil?

Passo à Frente -Primeiro, é preciso incrementar o apoio aos centros acadêmicos. São eles que fazem contato direto com os estudantes, a base do movimento estudantil. Outro ponto relevante é trazer o enfoque de volta à universidade, tomando distância da política externa a ela. Consideramos que partidos políticos, enquanto extremamente relevantes e merecedores de atenção e militância, não devem pautar as ações do diretório. A pauta do DCE deve estar em sintonia com a dos estudantes. Consideramos importante o sentimento de que não estamos à mercê dos professores. A participação nos conselhos superiores é uma medida básica nesse sentido, mas precisa ser complementada com participação em reuniões setoriais, plenárias departamentais e reuniões de colegiado – fora as comissões de cada uma delas. Ainda, a realização de avaliações periódicas dos docentes é essencial. Quem melhor do que o estudante para avaliar a Instituição? Por fim, acreditamos que a universidade precisa ser discutida pela comunidade acadêmica e não por apenas 108 pessoas no Conselho Universitário. Grande parte do Estatuto e do Regimento Interno da UFPR está desatualizado e é inconstitucional. Além disso, é inaceitável que as mesmas pessoas (e apenas professores) exerçam os poderes executivo, legislativo e judiciário. Evidenciamos a necessidade de um projeto de baixo para cima; um projeto estudantil de universidade.

Pra não deixar virar privada – Isto é uma das questões-chave. Não adianta termos boas propostas se não tivermos pessoas dispostas a construí-las. Este é o principal desafio que um DCE irá enfrentar. Como mudar a forma de se relacionar com os estudantes, centros acadêmicos e de fato servir para potencializar as lutas que já acontecem de maneira isolada na universidade hoje.

Um convite à ousadia – Passamos por um momento difícil, seja pela traição da União Nacional dos Estudantes ou pelo descrédito de transformação da realidade que vivemos. Os estudantes não veem mais sentido em participar do movimento estudantil, olham as grandes referências do passado em órgãos da administração do Estado e implementando uma política que contrariam os discursos de quando atuavam no movimento. Os estudantes podem cumprir um papel importante na transformação dessa realidade. O movimento estudantil deve resgatar e acreditar na justiça de suas reivindicações, se aliando às lutas políticas dos trabalhadores. Foi justamente essa aliança foi o auge do movimento. Na realidade que vivemos, ficou mais difícil de compreensão das relações entre a vida cotidiana da universidade, com a vida fora da universidade. Mas as reivindicações dos estudantes não mudaram. Devemos orientar nossa política pela vida cotidiana dos estudantes, discutir sua vida concreta, seus problemas imediatos, mas devemos avançar para a discussão política, promovendo a reflexão sobre as políticas implementada e suas conseqüências. Devemos rediscutir as organizações dos estudantes em suas entidades, seu financiamento e independência em relação ao Estado, combater sua burocratização, processo que levou ao fim da histórica UNE. Construímos uma nova entidade, a Assembléia Nacional dos Estudantes Livre (Anel), para resgatar as bandeiras históricas do movimento estudantil e para ser um instrumento de organizações dos estudantes nacionalmente, articulando suas lutas do norte a sul do país. Convidamos os estudantes a refletir sopre suas práticas e acreditar na justiça de suas reivindicações. Fazemos Um Convite à Ousadia.

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Aluno da UFPR deposita seu voto na urna
Foto: Izabel Liviski | Arquivo UFPR

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Fonte: Fernando César Oliveira

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