Foto: Marcos Solivan/Sucom/UFPR

Ciência UFPR: André Vignatti explica a tese de que a computação foi descoberta, não inventada

17 junho, 2026
15:11
Por Camille Bropp
Ciência e Tecnologia

Nesta entrevista o docente do Departamento de Informática da UFPR, também autor recentemente premiado pelo Jabuti Acadêmico, reflete sobre a ciência da computação como lei natural e o papel estratégico da universidade pública na produção de conhecimento puro

O professor André Vignatti, do Departamento de Informática da Universidade Federal do Paraná (UFPR), gosta da ideia de que a computação é uma característica profunda da natureza, uma lei natural, como a gravidade ou o magnetismo. Essa é uma abordagem da ciência da computação teórica segundo a qual a natureza computa, afinal manipula a informação de forma abstrata usando algoritmos pré-determinados, entre eles o processo de evolução das espécies, por exemplo.

Segundo essa perspectiva, a informação é um elemento essencial da vida e a natureza é uma estrutura informacional que se comporta conforme a dinâmica computacional, seja para definir a cor de uma fruta ou como as células se dividem. Quer dizer, computação é a forma como a natureza é.

Essa visão é minoritária na ciência por alguns motivos. Um deles é que nem todos vêm a ciência da computação desvencilhada do computador, a máquina de circuitos elétricos de silício que processa dados segundo algoritmos definidos por seres humanos. Mas a tese oferece os pontos de partida filosóficos que fascinam teóricos da área, Vignatti incluído.

O registro disso está no livro A Máquina da Natureza, editado de forma independente, com o qual o docente destacou a divulgação científica da área ao vencer o Prêmio Jabuti Acadêmico 2025. Ele conta que o livro nasceu de uma insatisfação com o ensino formal e busca devolver a intuição e o contexto histórico a temas complexos da ciência da computação.

“A computação é uma lente para entender o universo. Espero que os temas tratados na obra ajudem o leitor a enxergar o mundo com essa mesma fascinação”, avalia.

Nesta entrevista, ele comenta também sobre seus ídolos computeiros (entre eles pioneiros como Ada Lovelace), os limites da inteligência artificial, a urgência da soberania tecnológica brasileira frente às big techs e os desafios da produção científica nacional da área.

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