Comemoração do aniversário do RU. Foto: Marcos Solivan/UFPR

RU da UFPR completa 60 anos presente no cotidiano da comunidade universitária

05 agosto, 2026
08:02
Por Luana Lopes
UFPR

Restaurantes terão programação especial para comemoração do aniversário; de estudantes a servidores e terceirizados, RU marca rotinas e trajetórias 

A Universidade Federal do Paraná (UFPR) comemora os 60 anos do Restaurante Universitário (RU) nesta quarta-feira (5). Uma das principais políticas de permanência da instituição, com café da manhã a R$ 0,50 e almoço e jantar a R$ 1,30 para os estudantes de graduação, os RUs fazem parte da rotina diária não só de alunos, mas também de servidores e trabalhadores terceirizados. 

O dia 5 de agosto de 1966 marca a inauguração do RU Central. Nos primeiros anos, o restaurante era administrado por membros do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e tinha como objetivo atender aos estudantes que vinham de outras cidades para estudar em Curitiba.  

A partir de 1980, os RUs passaram a ter direção da UFPR; atualmente, empresas terceirizadas contratadas por licitação pública são responsáveis pelo serviço, com fiscalização de equipes de nutricionistas e da administração da universidade. 

O RU está presente nos campi da capital, Palotina, Toledo, Jandaia do Sul, Matinhos, Pontal do Sul e Mirassol. Diariamente, são servidas cerca de 15.500 refeições, sendo aproximadamente 2 mil cafés da manhã, 9 mil almoços e 4.500 jantares. Desse número, 90% equivale às refeições servidas nas unidades de Curitiba. 

Para comemorar os 60 anos dos RUs, o cardápio dos restaurantes foi especial nesta quarta-feira (5): o tradicional strogonoff com batata palha, além do bolo de aniversário.

Rotina da comunidade universitária 

A estudante do oitavo período de Relações Públicas, Mayara Fonseca, é uma das alunas que vai ao RU diariamente – e o strogonoff com batata chips é seu prato favorito. Apesar de utilizar mais o horário do almoço, ela conta que as outras refeições já “a salvaram algumas vezes”. Com alguns semestres com aulas de manhã e à noite, o restaurante universitário foi importante para a sua rotina. 

“O RU ainda me ajudou a consumir alimentos mais saudáveis, como salada e caldos. E o valor simbólico é importante demais, especialmente no início da universidade que não temos estágio, pois tem pessoas que não conseguem preparar comida em casa e levar para o dia ou não têm tempo”, afirma. 

Quem também aproveita o RU é Adilson Cavalli da Silva, funcionário terceirizado da equipe de segurança da Reitoria desde o ano 2000 que almoça e às vezes janta no RU Central. Além do benefício financeiro de pagar um valor mais baixo do que o cobrado em restaurantes da região, ele ressalta que segue frequentando o RU há 26 anos pela qualidade da refeição e pelo carinho dos funcionários. 

“A comida é muito boa, bem-feita. Sabemos que as pessoas que estão ali dentro da cozinha são muito caprichosas, além dos servidores que atendem a gente. Eu gosto de ir no horário do jantar porque tem uma sopinha maravilhosa”, conta. 

O bom atendimento dos funcionários também é relembrado por Terezinha Simão, servidora da UFPR que iniciou o serviço público trabalhando no RU como auxiliar de nutrição em 1996, anos antes da administração do serviço ser terceirizada. Ela relembra de momentos especiais, como as confraternizações dos servidores ou de quando havia cantos de “parabéns” dos alunos no meio do salão. 

“Lá tinha uma escala e nós fazíamos de tudo lá: um mês eu ficava com o arroz, outra com o feijão, aí ia para a sobremesa, salada, ou atender as pessoas no buffet”, relembra. “Eu gostei de trabalhar com as nutricionistas e com as meninas, para mim foi uma época só de lutas e vitórias que nós tivemos juntos. E os estudantes eram a minha galera. Nos divertíamos muito juntos”

As boas memórias no RU são igualmente parte das lembranças da família de Juliana Reinhardt. A história começa com o pai Carlos e o sogro Apolo, que fizeram graduação na UFPR na década de 1950, em Odontologia e Letras, respectivamente. Apolo almoçava em um restaurante que funcionava no Palácio dos Estudantes, administrado pela União Paranense dos Estudantes, anos antes da inauguração do RU Central.

Décadas depois, no final dos anos 90, Juliana estudava Nutrição na UFPR quando conheceu o marido, Victor Graciotto, que cursava na época Informática. Depois, ele mudou para História.

“Ele conta para as minhas filhas que se lembra de me ver sentada na frente da RU, esperando pra ir pra fila, e eu lembro dele também. Nos conhecemos indo pra um encontro de estudantes, porque nós dois fizemos parte do centro acadêmico”, relembra. “E começamos a namorar e continuamos frequentando o RU, mas daí como casal”.

Além de ser um dos locais de encontro com o futuro marido, o RU teve tanta presença na vida de Juliana que acabou sendo o tema de seu Trabalho de Conclusão de Curso. Em seu último ano da graduação, havia uma discussão sobre acabar o subsídio aos estudantes, e a nutricionista fez uma pesquisa que demonstrava como a alimentação saudável proporcionada pelo RU era fundamental para os alunos. O estudo chegou a ser tema de reportagens.

“Eu fiz essa pesquisa mostrando que se acabasse o RU, por exemplo, ou se não tivesse mais subsídio, muitos estudantes não iam ter condições de ter uma alimentação boa e equilibrada durante o dia. Acabei comprovando, digamos assim, como o RU era importante para os estudantes”.

E a história da família com o RU não acabou. Uma das filhas do casal, Clara Reinhardt Silva, também estudou na UFPR. “Minha filha passou em Design Gráfico na Federal, e a Reitoria foi o lugar onde ela estudou e passou a almoçar no RU”, conta. “É um lugar que tem uma afetividade grande para a nossa família”.

Política de permanência e alimentação de qualidade 

Os restaurantes universitários fazem parte da Política Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes). As refeições são fornecidas a baixo custo aos estudantes por meio de subsídio da universidade, enquanto para servidores e trabalhadores terceirizados é cobrado um valor acessível. Alunos que comprovam fragilidade socioeconômica recebem subsídio total. 

Com a garantia de alimentação a preços acessíveis, os restaurantes contribuem para a permanência estudantil. A coordenadora dos RUs da UFPR, a nutricionista Lucyanne Maria Moraes Correia, ressalta que os restaurantes ajudam a criar condições para que os estudantes concluam seus cursos e alcancem bom desempenho acadêmico. 

“Para muitos estudantes que vêm de outras cidades ou estados, o custo da alimentação representa parcela significativa do orçamento mensal”, diz. “Ao oferecer refeições nutricionalmente adequadas, seguras e subsidiadas institucionalmente, o RU reduz essa preocupação financeira e permite que os alunos concentrem seus esforços nos estudos”. 

A importância do RU para os usuários vai além do baixo custo. De acordo com Lucyanne, os Restaurantes Universitários da UFPR têm como referência o Guia Alimentar para a População Brasileira, priorizando oferta de refeições nutricionalmente equilibradas, adequadas e saudáveis.  

Os cardápios das refeições são planejados pelos nutricionistas e contemplam todos os grupos alimentares, respeitando a sazonalidade dos alimentos e a valorização de hábitos alimentares regionais. As equipes também reduzem a oferta de alimentos ultraprocessados, não oferecem bebidas açucaradas junto às refeições, priorizam as frutas como sobremesa diária e ainda escolhem técnicas de preparo que favoreçam a saúde e a prevenção de doenças crônicas.  

“A preocupação com a inclusão alimentar também está presente na oferta de preparações voltadas ao público vegano, buscando garantir o aporte adequado de nutrientes, especialmente proteínas”, afirma a coordenadora dos RUs da UFPR. “Uma alimentação adequada impacta diretamente a capacidade de concentração, aprendizagem e rendimento universitário”

A equipe do RU elabora continuamente ações de educação alimentar e nutricional, por meio de campanhas informativas nos restaurantes e nas redes sociais do RU, abordando temas relacionados à alimentação saudável, sustentabilidade e assistência estudantil. Parte desse time inclui estudantes de Nutrição e outros cursos que estão realizando estágios obrigatórios e não obrigatórios. 

“Os restaurantes são como um laboratório de aprendizagem, onde os alunos têm a oportunidade de compreender, na prática, os desafios da produção de refeições em grande escala, gestão de recursos humanos e financeiros, a adequação da estrutura física, e promoção da saúde coletiva, contribuindo para sua formação”, conta Lucyanne Correia. 

De janeiro até julho de 2026, cerca de 34.180 estudantes, entre alunos do ensino médio (SEPT), graduação e pós-graduação, utilizaram os Restaurantes Universitários da UFPR. Já o público de servidores técnico-administrativos, docentes, trabalhadores terceirizados, estagiários, participantes de atividades acadêmicas de outras instituições e visitantes vinculados à universidade, somou aproximadamente 3 mil pessoas. Também foram registrados 111 filhos de estudantes e servidores com até 12 anos de idade. 

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