A utilização dos equipamentos nos diagnósticos que antes exigiam um mês de trabalho de campo, agora são executados em menos de uma semana
Por Viralume – Laboratório de Comunicação Pública da Ciência
Sob o olhar imponente do Pico Paraná — que tem 1.877 metros de altitude e é o ponto mais alto da Região Sul do Brasil —, a Mata Atlântica serve de cenário para uma formação tecnológica de alto nível. Na Reserva Natural Guaricica, da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), em Antonina, no litoral paranaense, geógrafos preparam especialistas na operação de drones a serviço da conservação. A iniciativa reflete a maturidade do Laboratório de Geoprocessamento e Estudos Ambientais (Lageamb) da UFPR, que completa 20 anos em 2026. Duas décadas após sua fundação, o centro consolida-se como referência ao integrar inteligência geográfica, dados de satélite e frotas de aeronaves remotamente pilotadas para proteger ecossistemas ameaçados.

O capitão da Polícia Militar do Paraná Rafael Freitas da Silveira destaca a importância do aprendizado contínuo intermediado pelo Lageamb para o fortalecimento das operações de campo. Para a instituição, a incorporação de técnicas modernas de análise geográfica e espacial não representa apenas um avanço operacional, mas uma mudança estratégica na rotina de trabalho. O uso de inteligência de dados permite uma atuação mais preventiva. “Para o batalhão, isso se traduz em uma ferramenta extremamente importante, que poderemos utilizar de forma prática no nosso dia a dia”, afirmou.
A busca por inovação e o desejo de migrar para novas áreas de atuação levaram o agente ambiental Karol Wojtyla, que atua no ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) em Curitiba, a buscar qualificação no uso de veículos aéreos não tripulados. Ele participou da capacitação realizada na Reserva Natural Guaricica, unindo uma paixão antiga por eletrônicos às necessidades práticas do seu dia a dia profissional.

Com formação na área de Tecnologia da Informação (TI), Karol relatou que o interesse por esse tipo de ferramenta vem desde a infância, quando já se dedicava a explorar o funcionamento de brinquedos de controle remoto. Diante de um mercado de TI saturado, ele enxergou no manuseio de drones a oportunidade ideal para diversificar suas habilidades em áreas como geoprocessamento e sensoriamento remoto. “Aproveitei a oportunidade para a gente fazer esse curso de drone, no qual posso aplicar no meu dia a dia”, explicou o agente ambiental.
Além de otimizar os trabalhos de monitoramento, Karol projeta o uso dos equipamentos para fins institucionais e de lazer dentro das unidades de conservação. Segundo ele, as imagens capturadas também poderão ser utilizadas em ações recreativas e na produção de material publicitário voltado para os visitantes dos parques da região.
De acordo com a mestranda em Ciências Geodésicas Laura Krama, geógrafa e bolsista do Lageamb, a capacitação superou as expectativas em termos de envolvimento e cooperação. “É muito positivo ver diferentes instituições reunidas, participando, trocando ideias e esclarecendo dúvidas, com todo mundo empenhado em voar desde o primeiro momento”, afirmou a especialista, que foi uma das responsáveis por ministrar a capacitação.

Segundo a geógrafa, este esforço conjunto entre instituições não só dota o pessoal técnico de maior autonomia em termos de ferramentas de sensoriamento remoto, mas também assegura uma resposta mais ágil e uma gestão territorial integrada e eficiente em todo o litoral. A tenente Hérica Mota, integrante do setor de geoprocessamento do Batalhão de Polícia Militar Ambiental, destacou que o batalhão já utilizava dados de geoprocessamento baseados em imagens de satélite. No entanto, as características climáticas do litoral paranaense — marcadas pela constante e densa cobertura de nuvens — muitas vezes dificultam a captação de dados detalhados. A introdução de veículos aéreos não tripulados surge, portanto, como uma solução complementar e estratégica. “Essa capacitação serve para abrir nossas percepções e mostrar como podemos empregar a tecnologia”, explicou a tenente.
Para fazer frente à crescente demanda e complexidade das operações aéreas, o laboratório deu um passo decisivo em 2026 com a criação do Grupo de Trabalho (GT) dos Drones. Coordenado por uma equipe técnica, o GT nasceu com o objetivo de regulamentar, profissionalizar e otimizar as atividades aeroespaciais do laboratório, garantindo rigor metodológico, científico e total segurança operacional.
A doutora em Geografia Marianne Oliveira, geógrafa e integrante da equipe técnica do Lageamb, explica que as atribuições do grupo vão além da triagem operacional: “A nossa proposta foi estruturar um grupo de trabalho voltado à regulamentação e profissionalização das atividades desenvolvidas no âmbito do Lageamb, buscando garantir maior rigor técnico, científico e operacional. Além da criação de procedimentos internos relacionados à regulamentação das atividades, organização operacional, gestão de agendas e de equipamentos para diferentes projetos, o grupo tem o foco principal em pesquisa e desenvolvimento”. As aeronaves remotamente pilotadas auxiliam os levantamentos de campo em temas fundamentais para o laboratório como diagnósticos fundiários, análises de ameaças e riscos climáticos, conservação da natureza e mapeamento de comunidades tradicionais.
Com o uso de ferramentas avançadas de sensoriamento e modelagem espacial, diagnósticos que antes exigiam um mês de trabalho de campo agora são executados em menos de uma semana, representando um salto de eficiência para pesquisadores e órgãos ambientais.
A grande vantagem da metodologia está no detalhamento das informações geradas. Ao trabalhar com a resposta espectral dos objetos terrestres, integrado a informações de posição, é possível classificar, quantificar e separar os elementos da cobertura do terreno. Ao sobrepor esses dados tridimensionais, é possível calcular e estimar com elevado grau de precisão o volume de biomassa de uma área — dado essencial para mensurar o carbono estocado e avaliar a saúde das florestas em tempo real.

A produção de ciência ganha ainda mais força quando aliada à precisão dos dados geográficos. No âmbito da parceria entre o Lageamb e o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Wetscape, por exemplo, foi criado o Grupo de Trabalho do Sensoriamento Remoto, responsável por desenvolver uma metodologia inovadora, usando sensores remotos orbitais, integrados a tecnologia embarcada em aeronaves, com o uso do LiDAR para mapear, em nível de detalhe as paisagens úmidas do país, e atendendo a precisão exigida nas normativas.
A equipe planeja expedições de campo para aplicar o método em áreas prioritárias de biodiversidade. “Como a equipe do Lageamb integra a rede e também é responsável pelos levantamentos aéreos nas Paisagens Úmidas, esta metodologia proposta atuará de forma complementar às análises remotas, que serão pensadas no GT. Considerando a abrangência espacial das diferentes paisagens úmidas, será realizada a combinação de dados obtidos de diferentes formas, e que permitirá ampliar a caracterização das áreas e dos macro habitats”, explica Marianne.
Pioneiros do Amanhã é o único representante da UFPR premiado na edição de 2026 O projeto de extensão […]
Desenvolvido em tese de novo programa de pós-graduação da UFPR Palotina, indicador soma análise da água com biomonitoramento […]
A Universidade Federal do Paraná (UFPR) divulga, por meio da Comissão Eleitoral e Escrutinadora (CEE), a chapa única […]
A Casa de Cultura Goés Artigas, em parceria com o MAE-UFPR (Museu de Arqueologia e Etnologia da UFPR), […]