Foto: Murilo Gasparin Rampi/PGMEC/Npdeas

Ciência UFPR: O que significa a escala piloto de diesel verde de microalgas alcançada pelo Npdeas

30 julho, 2026
15:38
Por Camille Bropp
Ciência e Tecnologia

Destacada em livro recente sobre a jornada científica pelo combustível, pesquisa aumentou escala registrando progressos em produção de biomassa, refino e qualidade do diesel. Transição da fase piloto para a industrial, esperada para a próxima década, é o foco para a autonomia energética do diesel de microalgas

Vista pelo microscópio, a microalga Tetradesmus obliquus aparece como um amontoado de losangos verdes vibrantes. Isso porque, apesar de ter somente uma célula — em formato de losango —, essa alga verde costuma formar colônias de quatro a até oito células. Daí o “tetradesmus” e o “obliquus” do nome: porque tendem a formar grupos de quatro microalgas coladas por seus lados diagonais.

O formato lúdico esconde um superpoder que a biotecnologia começou a investigar há cerca de 80 anos. A microalga consegue transformar resíduos em hidrocarbonetos puros, os compostos orgânicos usados como combustíveis, que motores convencionais conseguem aproveitar sem necessidade de modificação mecânica. Ou seja, são matéria-prima inusitada de um diesel de composição química e propriedades físicas semelhantes às do diesel de petróleo, mas cujo consumo gera menos impacto ambiental.

A dificuldade de produção em grande escala tem sido um dos entraves do diesel de microalgas — os outros são o custo de produção, que hoje supera em mais de 30 vezes o preço dos combustíveis de petróleo, o gasto energético e a necessidade de refino especial. Ainda assim, a expectativa sobre esse combustível renovável para a próxima década é grande.

O motivo pelo qual tem sido chamado de diesel verde, e não biodiesel, é porque pode ser usado puro no motor da mesma forma que o combustível fóssil.

O consolidado dos estudos de viabilidade das microalgas como biocombustível foram destacados recentemente pela editora Springer Nature, no livro Microalgae horizons, editado por pesquisadores do Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Energia Autossustentável (Npdeas) da Universidade Federal do Paraná (UFPR): Ihana Aguiar Severo, Juan Carlos Ordóñez, André Bellin Mariano e José Viriato Coelho Vargas. Na obra, os autores mencionam o uso de fotobiorreatores fechados e compactos como o estado atual da tecnologia.

A base para essa afirmação está no avanço na escala de produção de diesel verde que foi registrado pelos laboratórios do Npdeas. Os resultados da pesquisa foram publicados anteriormente no periódico Journal of Environmental Management por parte dos editores do livro. Por meio da melhoria de processos, o grupo conseguiu elevar em 150% a produção laboratorial de diesel com base de microalgas. Isso significa uma transição da produção em escala de laboratório (também chamada de escala de bancada) para uma em escala piloto industrial.

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