Celebrado em 19 de abril, o Dia dos Povos Indígenas convida à valorização da cultura dos povos originários e à reflexão sobre a diversidade, os direitos e as lutas históricas dos indígenas no Brasil. Alinhada a esse movimento, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) participa da construção do “Atlas dos Territórios Indígenas no Paraná”, um projeto que busca reunir dados, mapas e informações sistematizadas sobre esses povos no estado.
A proposta prevê a elaboração de material didático voltado tanto para escolas indígenas quanto não indígenas, com versões traduzidas para as línguas Kaingang, Guarani Mbya e Ava Guarani. O objetivo é ter um panorama dos territórios indígenas no Paraná, das demandas, dos conflitos, da cultura e das práticas próprias desses grupos.
Segundo o professor Jorge Montenegro, do Departamento de Geografia da UFPR, apesar de iniciativas de pesquisadores indígenas e não indígenas já estarem elaborando materiais didáticos para as escolas indígenas ou materiais com representação cartográfica de locais específicos, não há um trabalho com mapas e dados atualizados sobre a situação das terras em uma escala que compreenda todo o Paraná.
“A importância desse trabalho será consolidar o Atlas como um lugar de convergência entre diversas iniciativas, informações, entidades, mobilizações, territórios e participações que permitam construir um material generoso, confiável, respeitoso e dinâmico sobre a territorialidade indígena no estado”, explica.
O projeto é articulado pelo Observatório da Questão Agrária no Paraná, uma rede de pesquisa e extensão que reúne pesquisadores da UFPR, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), da Universidade Estadual do Centro Oeste (Unicentro), do Instituto Federal do Paraná (IFPR), da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), da Universidade Estadual do Paraná (Unespar) e Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). Na UFPR, por meio do projeto de extensão “Atlas dos Territórios Indígenas no Paraná”, os pesquisadores desenvolvem ações relacionadas à representação, identidade e resistência dos territórios dos povos originários e tradicionais nas áreas de geografia, arquitetura e educação do campo.
Também participam da construção do Atlas o Coletivo de Estudos sobre Conflitos pelo Território e pela Terra (Enconttra); o Laboratório Território, Cultura e Representação (LATECRE); o Estúdio Fronteira; o projeto de extensão Cartografando: Representação, identidade e resistência dos e nos territórios dos povos originários e tradicionais; o projeto EcoMúsicas (UNESPAR) e o Coletivo Planejamento Territorial e Assessoria Popular (Plantear). Esses grupos estão envolvidos também na organização da 12ª Jornada de Ensinos, Pesquisas e Extensões sobre a Questão Agrária no Paraná, que acontece de 28 a 30 de agosto, na UFPR em Curitiba.
Entre os parceiros, estão organizações como a Comissão Guarani Yvyrupa, o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Além disso, o projeto aguarda a assinatura de um convênio com a Itaipu Binacional. A previsão é que o Atlas seja lançado no fim de 2027.
O projeto busca a elaboração conjunta entre iniciativas universitárias e comunidades indígenas, com a participação de lideranças, associações, estudantes indígenas e entidades públicas. Ao longo do desenvolvimento do “Atlas”, estão sendo realizadas reuniões, visitas a territórios indígenas e atividades de formação das equipes.

Para a produção, serão utilizados dados secundários de instituições como IBGE, Funai e MapBiomas; também será feito um levantamento de informações com lideranças indígenas e especialistas para construir um panorama da situação dos territórios, como explica o professor Jorge Montenegro.
“Após as consultas com diversos grupos indígenas, será listado um conjunto de temas que terão uma pesquisa mais aprofundada. Serão produzidas cartografias sociais de territórios indígenas, ou seja, autocartografias dos próprios grupos que destacam as principais marcas com as quais querem identificar seu território”, afirma.
O docente conta que a 12ª Jornada de Ensinos, Pesquisas e Extensões sobre a Questão Agrária no Paraná será um momento importante para produzir esses levantamentos. O evento reunirá lideranças indígenas, pesquisadores e público em geral para oficinas, rodas de conversa, atividades culturais e visitas de campo.
O Atlas terá uma versão física e gratuita, que será distribuída nas escolas, além de uma versão digital na página do projeto e uma geoweb. Outra proposta da iniciativa é produzir roteiros didáticos que permitam que estudantes de diversas idades se aproximem da temática dos territórios indígenas.
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