Foram três dias de várias palestras no evento que reuniu no teatro da reitoria grandes nomes da educação superior mundial e representantes do setor produtivo paranaense. No evento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE, o desafio foi encontrar caminhos para construir pontes entre as universidades e as indústrias locais. O gerente de inovação e competitividade do SEBRAE/PR, Agnaldo Castanharo, falou da importância de promover o desenvolvimento regional e listou os três pilares para que isso ocorra: a poupança e renda local, a geração e difusão de conhecimento e a sustentabilidade. “Isso é importante para termos um estado mais competitivo”, afirmou Castanharo.
O projeto é desenvolvido em 15 países e, no Brasil, o Paraná é o único estado participante. O objetivo principal é discutir processos concretos de interação entre universidades e seus usuários, uma forma de contribuição para o desenvolvimento científico e tecnológico no Paraná. Esta ação faz parte do processo de construção do Sistema Regional de Inovação, que permitirá o aumento da produtividade e competitividade regional. O reitor Zaki Akel Sobrinho discursou na abertura do evento da OCDE na quarta-feira (14) e afirmou que o setor produtivo e as agências de fomento já perceberam o potencial de contribuição tecnológica das instituições de ensino superior paranaenses. O reitor lembrou ainda que um projeto da Universidade Federal do Paraná ajuda, por exemplo, a reciclar 95% das embalagens de agrotóxico utilizadas no estado, e que uma rede de interuniversitária, a RIDESA, é responsável por pesquisas de melhoramento genético que afetam a maior parte da produção de cana no Paraná. “Fazer pesquisas é trazer soluções aos problemas da sociedade”, afirmou o reitor.
Hoje, último dia do evento, o palestrante foi o Dr. Jamil Salmi, coordenador da área de ensino superior do banco mundial. Salmi apresentou exemplos de universidades renomadas e consideradas as melhores do mundo, e apresentou formas de se tornar uma referência mundial. Ele criticou o que considera uma burocracia do sistema administrativo público, pois considera que não há liberdade quanto às regras para contratações, gestão de recursos humanos, financiamentos, etc. “Vamos comparar com o time do Barcelona, que é um vencedor. Vocês acham que seria a mesma coisa se os salários fossem tabelados, as contratações burocratizadas e se o técnico do time fosse o Ministro dos Esportes espanhol?”, indagou o professor. Opinião partilhada pela professora Maria Helena Nazaré, da Universidade de Aveiro, em Portugal. Nazaré, que também proferiu uma palestra na quinta-feira (15), falou sobre a reformulação das leis que regiam o ensino superior português feita há dez anos. Com a nova política de investimentos as universidades hoje têm condições de manter grandes pesquisadores nas instituições do país ou até mesmo atrair potenciais estrangeiros. O número de doutorados cresceu significativamente, assim como o número de novas empresas que utilizam tecnologia de ponta.
Ainda na sua palestra Dr. Jamil Salmi elogiou o sistema de cotas sociais adotado pelas universidades públicas brasileiras. “Os Estados Unidos fizeram, a Índia fez, vários países já passaram por isso e os resultados foram muito importantes. Eu tive a oportunidade de conhecer a Universidade de Campinas (Unicamp) e vi que a experiência foi ótima: os alunos oriundos de escolas públicas têm os mesmos resultados dos demais”, afirmou o professor. Ele elogiou a iniciativa da UFPR e do reitor Zaki Akel de buscar soluções para integrar a universidade com as indústrias regionais através da transferência de tecnologia. Salmi acredita que a UFPR está no caminho certo mas acredita que leva-se tempo para criar uma cultura de excelência acadêmica, e finalizou a palestra com um questionamento: “Sabem como se faz para engolir um elefante? Uma mordida de cada vez”.
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Fonte: Félix Calderaro
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