Crianças são vulneráveis pela alta influência que sofrem com os apelos publicitários e foi para colocar em debate o tema que o Centro Colaborador de Alimentação e Nutrição, localizado no Departamento de Nutrição da UFPR promoveu na última semana uma discussão em conjunto com outras entidades e organizações.
As discussões na UFPR mostraram o quanto a alimentação saudável está distante do dia-a-dia das crianças enquanto que os alimentos não saudáveis ganham terreno na forma de anúncios, promoções de alimentos que se utilizam de personagens infantis, joguinhos na internet, entre outros.
Uma mesa-redonda discutiu estratégias e cobrança de regulamentação para o tema. Diferentemente de outros países, não existe no Brasil leis que regulamentem a publicidade para crianças e adolescentes e o que se constata são publicidades abusivas, que se valem da inocência e da credulidade desse público. Organizaram a discussão o Departamento de Nutrição, que sedia o Centro Colaborador de Alimentação e Nutrição/Região Sul (CECAN) e Secretaria Municipal de Saúde, através dos Centros de Saúde Ambiental (CSA) e de Informação em Saúde (CIS). Eles convidaram para participar dos debates outras três entidades: ANVISA, IDEC e Promotoria de Defesa do Consumidor de Curitiba. O resultado foi uma discussão rica sobre o tema que não apenas sinalizou a preocupação das instituições mas também sua postura de cobrança pela regulamentação do tema, que já passou por consulta pública há dois anos e que tem Audiência Pública prevista para a segunda quinzena de agosto deste ano.
Regina Lang, professora da UFPR e do CECAN, afirmou que a discussão foi a primeira, ponto de partida para sensibilização das pessoas para o tema. O “pontapé” para novos debates que incluam num futuro próximo as outras seis regionais do CECAN. “Vamos levar a discussão para o nível nacional e para o Sul, envolvendo os três estados, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul”, explicou. A Universidade sedia o Centro Colaborador há dez anos.
O evento contou com a presença de representantes de entidades como a Associação de Defesa e Orientação ao Cidadão (ADOC) e a Sociedade Paranaense de Pediatria, profissionais da área de saúde e de nutrição, além de estudantes do curso de Nutrição da UFPR. A discussão contou com o apoio do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) e do Fórum Nacional das Entidades Civis de Defesa do Consumidor, entidades preocupadas em mostrar para a sociedade brasileira este tema tão “mal resolvido”, que demanda a regulamentação urgente. “O poder da mídia, da publicidade é monumental”, afirmou Sezifredo Paz, Diretor do CSA e presidente do FNECDC, convidando a todos a participarem da Audiência Pública, que se realizará em Brasília.
A mesa-redonda teve a apresentação do Vídeo “Criança, a alma do negócio”, um documentário sobre publicidade, consumo e infância”, que causou bastante impacto na platéia ao mostrar crianças altamente consumistas que reconhecem os símbolos das empresas de telefonia mas não reconhecem o que é uma berinjela; que têm 90 pares de sapatos mas não fazem ideia porque consumir tanto. Daniela Tretell, advogada do IDEC, apresentou um estudo feito entre o Instituto e a organização Alana, mostrando que as multinacionais – que têm autorregulamentação e que obedecem regras mais rígidas em outros países – tratam os brasileiros como consumidores de segunda categoria: veiculam aqui propagandas e publicidades abusivas, desrespeitando suas próprias regras vigentes no exterior. Daniela comentou que apresentou o mesmo trabalho na UNIFESP, em São Paulo, por ocasião do Dia Mundial do Consumidor e que, a exemplo da surpresa demonstrada pela platéia de Curitiba, também os paulistanos ficaram indignados com a situação. “Desmascaramos o discurso da autorregulamentação como solução para o problema”, diz Daniela. “Mostra a discriminação com o consumidor brasileiro e provoca que a discussão sobre a publicidade brasileira seja retomada”, afirmou.
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Fonte: Leticia Hoshiguti
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