O professor Fernando Antonio Prado Gimenez, do Setor de Ciências Sociais Aplicadas (SCSA) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), está entre os semifinalistas da 68ª edição do Prêmio Jabuti, uma das principais premiações do livro no Brasil.
A lista foi divulgada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) em 29 de setembro. Gimenez concorre na categoria Economia Criativa, do eixo Não Ficção, com o livro “Fazer cinema no Brasil: mercado, políticas públicas e ecossistema empreendedor cultural”, publicado pela Caravana Grupo Editorial.

Para Gimenez, o reconhecimento representa também um incentivo à continuidade da produção escrita. “Estar mais uma vez entre os semifinalistas do Prêmio Jabuti na categoria Economia Criativa é um motivo de muita satisfação. Me dá um sentimento forte de autorrealização!”, afirma.
A edição de 2026 recebeu 4.675 obras e projetos, distribuídos em 23 categorias nos eixos Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação. Em cada categoria, dez obras foram selecionadas para a semifinal. O Prêmio Jabuti é realizado desde 1958 e é uma premiação distinta do Prêmio Jabuti Acadêmico, criado em 2024 para reconhecer obras acadêmicas, científicas, técnicas e profissionais.
Esta é a segunda vez que Gimenez chega à semifinal do Prêmio Jabuti. Na primeira indicação, em 2023, ele concorreu com o livro Ecossistemas Empreendedores: o que são e para que servem?, escrito em coautoria com Rafael Stefenon, professor da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS) que foi orientado por Gimenez no doutorado em Políticas Públicas da UFPR, e Edmundo Inácio Júnior, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Agora, com um livro solo, o professor se dedica a um tema que acompanha sua trajetória de pesquisa mais recente. “Nesta segunda indicação, neste livro solo, trato de um tema que me é muito caro: o Cinema. Sou cinéfilo e especialista em Cinema, porém minha carreira acadêmica, iniciada em Londrina, na UEL em 1981, está vinculada à Administração, especialmente o Empreendedorismo”, conta.

Segundo Gimenez, foi nos últimos 15 anos que ele passou a investigar mais profundamente o cinema, tanto como indústria quanto como expressão artística. O professor define o período atual como uma “virada cultural”.
“Costumo brincar que a passagem de 2025 para 2026 marca minha ‘virada cultural’, quando decidi me dedicar mais profundamente ao cinema. Parto em busca de novos conhecimentos e novas escritas”, afirma.
O livro reúne 11 capítulos e textos produzidos ao longo de aproximadamente cinco anos. A maior parte deles foi publicada originalmente na Revista Livre de Cinema (RELICI), periódico criado e editado por Gimenez desde 2014.
Para Gimenez, um dos pontos centrais do livro é compreender a trajetória do cinema brasileiro para pensar seus próximos caminhos. “Precisamos conhecer o cinema brasileiro, seus modos de realização, sua história e trajetória, para podermos pensar seu futuro com uma visão ecossistêmica de desenvolvimento e de políticas públicas.”
O livro também defende a regionalização da produção audiovisual, com o objetivo de estimular a diversidade e ampliar a produção cinematográfica para além do eixo Rio-São Paulo.

Professor titular do Departamento de Administração Geral e Aplicada da UFPR desde 2012, Gimenez relaciona a produção do livro às experiências acumuladas no ambiente acadêmico. A partir de 2017, passou a integrar o Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas do Setor de Ciências Sociais Aplicadas.
“O ambiente acadêmico, para mim, é um espaço de conversas e de debates que sempre me inspiram e me desafiam. Um espaço de troca de ideias e de colaboração”, afirma.
A experiência no programa também contribuiu para aproximar suas pesquisas sobre cinema dos estudos de políticas públicas e empreendedorismo.
“Dessa mescla de Administração, Empreendedorismo, Políticas Públicas e Cinema surgiu, entre outros textos, esse livro. Embora o livro tenha sido escrito apenas por mim, sem a vivência do espaço acadêmico a tarefa teria sido muito mais árdua”, destaca.
A próxima etapa do Prêmio Jabuti será divulgada em 14 de outubro, quando serão conhecidos os cinco finalistas de cada categoria. Os vencedores serão anunciados em 27 de outubro, durante cerimônia na Sala São Paulo, em São Paulo.
“O reconhecimento, ainda que apenas, por enquanto, como semifinalista no Jabuti, me deixa entusiasmado e estimulado com as possibilidades de continuar aprofundando os estudos em Cinema.”
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