Foto: Marcos Solivan/UFPR

Francisco de Assis Mendonça recebe título de Professor Emérito da UFPR 

28 setembro, 2026
17:29
Por Luana Lopes
UFPR

Docente referência na área de Climatologia e Geografia Socioambiental valorizou a democracia e a universidade pública em seu discurso 

Colaborou Rebecca Junger, sob supervisão

O professor Francisco de Assis Mendonça é o mais novo Professor Emérito da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Em cerimônia realizada na última sexta-feira (25), no Salão Nobre do Setor de Tecnologia da UFPR, o docente recebeu o título prestigiado por familiares, amigos, alunos e colegas. 

Reconhecido internacionalmente nas áreas de Climatologia, Geografia Socioambiental, Climatologia Urbana e Geografia da Saúde, Mendonça ingressou na UFPR em 1996, no Departamento de Geografia. Ajudou a moldar o Programa de Pós-Graduação em Geografia (PPGGeo/UFPR), criando o curso de Mestrado no final dos anos 90 e o Doutorado em 2006. Também ajudou a fundar a Revista RA’E GA – O Espaço Geográfico em Análise, que tem hoje avaliação A1 no sistema Qualis da CAPES, e também foi docente no Programa de Pós-Graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento (PPGMade). 

Entre 2017 e 2023, Mendonça foi Pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação da UFPR, além de presidir o comitê do programa CAPES-PRINT na instituição e liderar o Fórum Regional Sul de Pró-Reitores de Pesquisa e Pós-Graduação (Forprop) na Região Sul. Atualmente, é professor Sênior no PPGGeo. 

Durante a cerimônia de outorga do título, a extensa trajetória de Francisco Mendonça foi relembrada pelos colegas. A diretora do Setor de Ciências da Terra, Barbara Trzaskos, destacou seus números na pós-graduação: são 73 teses de doutorado e 39 dissertações de mestrado concluídas sob sua orientação. 

“Hoje seus orientados são professores do Departamento de Geografia, coordenam laboratórios e projetos de pesquisa e extensão. Vemos claramente que o professor Francisco não só contribuiu na construção da UFPR que temos hoje, mas também deixa o seu legado. Seu conhecimento e seus valores continuam sendo transmitidos a gerações de estudantes”, disse. 

O reitor da UFPR, Marcos Sunye, agradeceu a contribuição de Mendonça para a produção científica da Universidade e ressaltou a relevância de suas pesquisas diante dos atuais desafios ambientais.  

“A Climatologia nunca esteve tão em evidência, respondendo perguntas. E a universidade tem, graças também ao trabalho de vocês, essa liderança e esse protagonismo na prevenção de acidentes e na constatação da degradação ambiental geral. A Universidade Federal do Paraná reconhece e agradece muito as suas contribuições”, afirmou. 

Francisco Mendonça agradeceu a homenagem e relembrou que sua trajetória foi construída em cima da luta em defesa da universidade, do ensino, da pesquisa, da extensão e da inclusão.” 

“É motivo de muita honra saber que há olhares atentos da instituição que te identificaram, que analisaram essa construção toda, que foi jamais pretendida como um prêmio final. Foi um processo de luta, em momentos muitas vezes muito difíceis”, afirma. “Recebo essa honraria com uma alegria que eu não posso nem dizer o nível dela, porque eu não esperava”. 

Trajetória marcada pelo compromisso com a universidade pública e com a sociedade 

A cerimônia de outorga do título de Professor Emérito a Francisco Mendonça contou com a presença de dezenas de pessoas, entre familiares, orientandos e amigos do docente. A primeira parte da sessão contou com a leitura do currículo de Mendonça, lido pelo seu colega e amigo Sylvio Fausto Gil Filho, professor do Departamento de Geografia da UFPR. 

Após as falas do reitor e da diretora do Setor, a cerimônia também contou com homenagens feitas pela irmã de Francisco, Maria Aparecida Mendonça, e por sua esposa, a geógrafa Marcia Maria Fernandes de Oliveira. 

Nascido em Araguari (MG), Mendonça cresceu em uma família de oito irmãos, em meio a dificuldades financeiras. Filho de um trabalhador da Rede Ferroviária Federal e de uma agricultora portuguesa, começou a trabalhar ainda criança, como ajudante rural, ao lado do pai e dos irmãos. Iniciou os estudos aos seis anos, no interior de Goiás. Posteriormente, em Goiânia e com o apoio dos pais que viram seu interesse pelo aprendizado, conciliou trabalho e escola. 

Mendoça começou na Geografia fazendo Licenciatura Plena na Universidade Federal de Goiás (UFG), entre 1980 e 1983. Depois, mudou-se para São Paulo para cursar o Mestrado (concluído em 1990) e o Doutorado (1995) na Universidade de São Paulo (USP). 

Foi professor na Universidade Estadual de Londrina (UEL) antes de ingressar na UFPR. Também realizou pós-doutorados e teve atuações de destaque na França (Sorbonne, Universidade de Rennes 2), na Inglaterra (London School of Hygiene and Tropical Medicine), no Chile e em Portugal. Além disso, presidiu a Association Internationale de Climatologie (AIC) entre 2015 e 2018, e construiu uma produção bibliográfica extensa, escrevendo livros fundamentais para quem estuda geografia e meio ambiente no país. 

Em seu discurso após receber o título de Professor Emérito da UFPR, Francisco Mendonça recordou algumas dificuldades em sua trajetória, como o início do seu percurso acadêmico na época da ditadura militar e sua atuação na Pró-Reitoria da UFPR em um período de cortes orçamentários e desvalorização da ciência. Sua fala foi marcada pela defesa da universidade pública e da decolonização do conhecimento, e pela importância da democracia e da valorização de diferentes saberes. 

O docente também refletiu sobre os desafios contemporâneos, como as mudanças climáticas, as desigualdades sociais e os riscos associados ao avanço tecnológico, defendendo uma ciência comprometida com a transformação da sociedade e uma universidade aberta à diversidade e à inclusão. 

“A universidade pública, gratuita, de qualidade inclusiva é um dos maiores construtos civilizatórios, pois promove a mobilidade social e existencial ao permitir que jovens de classes populares como eu transponham barreiras sociais […]. “Uma universidade que se reconhece inacabada, aberta ao novo, ao diferente e que desafia. Uma universidade que compreende que nunca estaremos prontos, finalizados, e que haverá sempre um retalho para adicionar à construção do conhecimento que ela se propõe trazer à luz”. 

Agora com o título de Professor Emérito, Mendonça continuará contribuindo com a UFPR, em diferentes frentes. Além da docência no PPGGeo, o professor segue representando a universidade e o Brasil em grandes eventos, como a COP 30, e colabora com outros setores da UFPR para o desenvolvimento dos programas de pós-graduação: “Eu tenho um percurso ainda relativamente bom aí pela frente e pretendo continuar contribuindo com essa instituição que me reconhece”, afirmou.

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