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Webinários sobre arte e cultura integram programação do evento online da UFPR que começa nesta quarta-feira

Ao todo, são 15 atrações entre apresentações artísticas e webinários, com participação de professores, pesquisadores, estudantes e artistas em dois dias

Entre os dias 29 e 30 de abril, a primeira edição do “Movimento Conexão: Culturas Compartilhadas” oferece programação completa para as tardes de quarentena – clique aqui para conferir. O projeto é uma iniciativa da Agência Escola UFPR em parceria com o Setor de Artes, Comunicação e Design (Sacod) e a Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proec) da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Entre os acordes das lives musicais e as sessões de exibição de videoarte, a programação do primeiro dia também aborda as faces da arte indígena contemporânea.

Professora Ana Elisa de Castro Freitas mostra objeto sensorial que será trabalhado durante o seminário online. Foto: Divulgação

O seminário online “Reflexões sobre arte indígena contemporânea na perspectiva da pesquisa, produção e curadoria” será às 15h30 no Instagram da Agência Escola e recebe a professora Ana Elisa de Castro Freitas, do Setor Litoral da UFPR e o artista indígena Gustavo Caboco. A roda de conversa terá a mediação da diretora do Museu de Arqueologia e Etnologia da UFPR, Laura Perez Gil.

A cada ano, a UFPR promove o “Abril Indígena”, calendário com ações culturais que buscam reverberar a cultura, arte e pensamento dos povos, abordando obras e expressões culturais produzidas por intelectuais e autores contemporâneos. É o caso de Gustavo Caboco, do povo wapichana. O artista independente relata como a arte indígena contemporânea também é um reflexo da memória cultural dos povos. “Não dá pra colocar numa caixinha. É sobre a nossa vida, nossas visões, cosmovisões. Os movimentos de arte, música, dança, literatura colocam o povo indígena e sua rede como protagonista”, conta.

Avessa aos rótulos impostos por visões de arte mais clássicas, a arte indígena contemporânea busca a proximidade com o público, para uma construção conjunta das obras. A professora Ana Elisa reforça que o propósito desta construção é romper com modelos de exposição clássicos, como museus, galerias e outros espaços controlados. “A arte contemporânea é uma poética desviante das rotas da modernidade. Investe nas instalações, nas interações e objetos sensoriais, provocando esse deslocamento do espectador, que reconduz os objetos e circuitos de criação para outros espaços”, explica. A pesquisadora também integra o Programa de Educação Tutorial Litoral Indígena (PET), desenvolvido no Laboratório de Interculturalidade e Diversidade (LaID) do Setor Litoral e que se dedica à formação intelectual de indígenas no ensino superior.

Gustavo Caboco, do povo wapichana, adotou o desenho, o texto, o bordado e a performance como formas de dialogar com as atualidades indígenas. Foto: Arquivo-Divulgação

Desde 1940, o dia 19 de abril é marcado nos países americanos por celebrações que resgatam a memória dos povos ancestrais. Além dos aspectos culturais, o mês de abril é um espaço de fortalecimento das reivindicações indígenas, dos pontos de vista político e social. A voz dos povos ganha volume quando a arte e a cultura se unem para garantir visibilidade. “Nosso povo sempre esteve em crise, desde o momento de invasão deste território que hoje se chama Brasil. Epidemias, violência, genocídios, invisibilidade e destruição do meio ambiente e das expressões artísticas. Nosso papel é continuar propagando nossa história. Não apagarão a nossa memória. Seja de um povo do Paraná ou de Roraima, a arte é capaz de unir nossas histórias”, afirma Caboco.

Sobre o “Movimento Conexão: Culturas Compartilhadas”

Usando a tecnologia como forma de aproximação, o Movimento Conexão é a resposta cultural da UFPR para a pandemia da Covid-19. Com o aumento no número de casos do novo coronavírus, o isolamento social fez com que os canais virtuais também se transformem em canais culturais. Apesar da distância física, as lives dão o tom para um ambiente cultural e acessível para a comunidade.

O artista Gustavo Caboco acredita que o momento é de ação e reflexão coletiva sobre a pandemia, sobretudo nos efeitos causados aos povos indígenas. “Precisamos trazer luz não apenas para as ações da arte indígena, mas para todo o contexto de enfrentamento à pandemia, como os grupos estão respondendo, como estabelecer laços à distância, como ser coletivo em momentos de isolamento”, enfatiza. A importância dos debates culturais, mesmo que à distância, também é reforçada pela professora Ana Elisa. “A sensação que a gente tem quando entra nessa conexão é de não estar só, é de poder ouvir os seus pares e alongar sobre questões que estão à flor da pele”, esclarece.

Arte contribui para humanização e saúde mental, segundo pesquisadoras; UFPR oferece acesso online na quarentena

Saiba tudo sobre as ações da UFPR relacionadas ao coronavírus

Por Luiz Fernando Hanysz
Sob supervisão de Chirlei Kohls
Parceria Superintendência de Comunicação e Marketing (Sucom) e Agência Escola de Comunicação Pública e Divulgação Científica e Cultural da UFPR

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