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Vitamina D para evitar o coronavírus? Especialista responde dúvidas sobre o tema

A vitamina D, grande aliada do organismo na saúde dos ossos e no sistema imunológico, recentemente também tem sido relacionada à prevenção da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2). Um estudo realizado na Universidade de Turim, Itália, aponta que diversos pacientes infectados pelo vírus apresentaram níveis muito baixos da vitamina. A hipótese levantada pelos professores de Geriatria, Giancarlo Isaia, e Histologia, Enzo Medico, ainda não foi publicada em nenhuma revista médica. Por esse motivo, não se sabe quantos pacientes foram avaliados, qual a idade dos indivíduos e quais eram seus níveis de vitamina D.

Mesmo assim, a informação teve um rápido efeito na população brasileira que passou a tratar a substância como essencial para prevenção da doença, inclusive realizando a suplementação por conta própria. Para a professora do Departamento de Clinica Médica da UFPR e pesquisadora do serviço de Endocrinologia e Metabologia do Hospital de Clínicas, Carolina Aguiar Moreira, é importante estar atento aos boatos disseminados em redes sociais e consultar um médico, pois o excesso de vitamina D no organismo pode causar graves complicações.

Carolina respondeu a algumas dúvidas frequentes sobre o tema e esclareceu informações desencontradas e fake news.

A vitamina D em níveis considerados bons aumenta a imunidade e ajuda a não ficarmos doentes?

Efeitos da vitamina D no sistema imune foram identificados em estudos experimentais, os quais demonstraram uma ação da substância na modulação da imunidade inata (nossa primeira defesa), ação estudada primeiramente em doenças como a tuberculose.

Estudos clínicos, entretanto, demonstraram que a suplementação com vitamina D em indivíduos com deficiência levou a uma redução, em torno de 12%, na taxa de incidência de infecção respiratória em comparação aos indivíduos que não receberam a vitamina D. O ideal é manter sempre níveis adequados da vitamina.

Idosos apresentam níveis mais baixos de vitamina D? Por quê?

De uma maneira geral sim, porque os idosos não se expõem tanto ao sol e também porque, com o tempo, a pele vai perdendo a capacidade de sintetizar vitamina D.

Moradores de cidades com poucos dias de sol, como Curitiba, têm níveis mais baixos de vitamina D?

Podemos dizer que sim, pelo menos em relação a cidades e estados de outras regiões do Brasil. Um estudo realizado em seis capitais brasileiras demonstrou que Curitiba e Porto Alegre apresentaram maior prevalência de hipovitaminose D em relação às demais. Existe uma relação direta com a latitude: quanto maior a latitude, maior a prevalência de deficiência de vitamina D.

Qual a forma correta de tomar sol para aumentar a síntese de vitamina D? 

Para uma síntese adequada de vitamina D é necessário expor ao sol, diariamente, uma extensão da superfície corpórea de pelo menos seis centímetros por um período de 15 a 20 minutos, dependendo do horário do dia. Se esta superfície corporal estiver com protetor solar (Fator 8 ou maior) ou coberta com roupa, a síntese da vitamina D é bloqueada. Os raios ultravioletas devem tocar diretamente a pele, sem nenhuma barreira.

Essa exposição também pode ser semanal, por um período maior que 20 minutos, pois a vitamina D sintetizada fica armazenada entre 40 e 60 dias aproximadamente.

Existem alimentos que fornecem Vitamina D? Quais?

As quantidades de vitamina D são escassas e presentes em poucos alimentos, a exemplo de algumas espécies de peixes como salmão e sardinha e alguns tipos de cogumelos.

Como funciona a suplementação de vitamina D? Quem deve fazer?

A suplementação de vitamina D é geralmente dividida em uma dose de ataque, caracterizada por doses mais elevadas por um período de seis a oito semanas, seguida de uma dose de manutenção que deve ser contínua em quantidade mais baixa.

Devem realizar suplementação da vitamina os idosos com osteoporose ou outras doenças crônicas e que apresentem níveis não adequados de vitamina D; pacientes com doenças consideradas causas secundárias de osteoporose ou em situações de baixa absorção de vitamina D, como após cirurgia bariátrica; indivíduos com hipovitaminose D – valores de vitamina D considerados abaixo da meta para a idade ou condição clínica e que não apresentam exposição solar regularmente –, incluindo gestantes.

Quais consequências uma baixa dosagem de vitamina D no organismo pode causar?

A hipovitaminose D, quando em níveis muito baixos, leva a uma alteração na mineralização óssea podendo evoluir para uma doença osteometabólica chamada osteomalácia, que é caracterizada por dor óssea e fraqueza muscular intensas associadas ao risco aumentado de fraturas.

A condição pode levar, ainda, a uma situação clínica chamada hiperparatireoidismo secundário, definida pela elevação do paratormônio (PTH), que induz o aumento da remodelação óssea, perda óssea e osteoporose. Essa situação é frequente em idosos e em pacientes após cirurgia bariátrica.

Em gestantes, a hipovitaminose D foi relacionada com o aumento de complicações como pré-eclampsia e desfechos de prematuridade. Muitos estudos de associação demonstraram uma relação entre hipovitaminose D e infecção respiratória.

A vitamina D pode auxiliar no combate a quais doenças? E na Covid-19?

Estudos científicos comprovam que a vitamina D tem papel no tratamento da osteomalácia, como coadjuvante no tratamento da osteoporose. Outra função que ainda é discutida por especialistas, seria na redução de infecções respiratórias agudas. Nenhum estudo comprovou um papel da vitamina D na prevenção ou cura da Covid-19.

Em tempos de quarentena, qual a dica para não deixar os níveis de vitamina D caírem?

Aqueles que moram em casa ou têm disponibilidade devem expor uma parte do corpo diariamente aos raios solares.

É fundamental solicitar orientação médica para uso de doses adequadas de vitamina D para cada situação clínica. Na impossibilidade de receber orientação, recomenda-se suplementação com doses seguras de vitamina D, como 1000 a 2000 UI ao dia ou 7000 a 14.000UI na semana.

Quais os problemas que a vitamina D em excesso pode ocasionar?

Altas doses de vitamina D levam ao seu aumento nos níveis sanguíneos e a uma potencialização das suas ações fisiológicas. Entre essas ações está o aumento da remodelação do esqueleto e, com isso, perda óssea e ampliação da chance de fraturas.

Pode ocorrer também aumento da absorção intestinal de cálcio, gerando a hipercalcemia, que é a elevação do cálcio no sangue. O cálcio alto causa sintomas inespecíficos como fadiga, náuseas, vômitos e até situações mais graves, a exemplo de insuficiência renal aguda, crises convulsivas e coma.

Tem circulado nas redes sociais recomendações do uso de doses extremamente elevadas, em torno de 600.000 UI, com objetivo de otimizar o sistema imune. Não há evidencia científica que suporte tal conduta. Esta dose é perigosa e causa efeitos prejudiciais ao organismo. Também não são recomendas doses injetáveis de vitamina D, as quais têm sido denominadas “imunoterapia”.

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo (ABRASSO) publicaram posicionamento repudiando estas recomendações sem fundamento científico.

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