A Universidade Federal do Paraná prepara o lançamento oficial do Museu de Territórios Afroparanaenses (MAFROPR/UFPR), iniciativa vinculada à Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe) que busca valorizar, preservar e difundir a memória, a cultura e os territórios negros no Paraná. O lançamento está previsto para o dia 2 de julho, mas as redes sociais do projeto já estão ativas e antecipam parte da proposta do museu.
O MAFROPR nasce como um museu universitário em ambiente digital, reunindo registros fotográficos, audiovisuais, documentos, bibliotecas e conteúdos ligados à presença histórica da população negra paranaense. O projeto conta com recursos do Ministério da Igualdade Racial (MIR), destinados por emenda parlamentar da deputada federal Carol Dartora.
Segundo Judit Gomes da Silva, coordenadora do Museu de Territórios Afroparanaenses – MAFROPR/UFPR, a iniciativa surgiu a partir da reformulação de um projeto anterior idealizado pelo professor Paulo Vinícius Baptista da Silva.
“O Museu de Territórios Afroparanaenses é uma versão modificada de um Projeto intitulado Linha Preta 2.0, que foi submetido ao Programa Rotas Negras, do Ministério da Igualdade Racial, pelo saudoso amigo e professor Paulo Vinícius Baptista da Silva.”
Judit relembra que passou a coordenar o projeto após a morte do professor, no final de 2024, período que coincidiu com a aprovação da proposta junto ao Ministério da Igualdade Racial.
“Sua partida repentina nos deixou com muitas obrigações, e coube a mim coordenar o projeto.”
A partir da reorganização da proposta, a equipe passou a pensar em uma plataforma virtual que permitisse divulgar espaços de presença e produção negra em Curitiba e na região metropolitana. A ideia evoluiu até a criação do museu digital.
O desenvolvimento do projeto contou ainda com diálogo técnico junto ao Museu de Arqueologia e Etnologia da UFPR (MAE), envolvendo a coordenadora Bruna Portela e a museóloga Ana Luisa de Melo. Com isso, foi estruturado o planejamento museológico e formada uma equipe multidisciplinar para a construção do acervo.
De acordo com a coordenadora, um dos diferenciais do MAFROPR é justamente a centralidade das comunidades negras na construção do museu e do acervo.
“Buscamos constituir um acervo museológico de interesse das comunidades negras, das comunidades de religiões de matriz africana, de pesquisadoras e pesquisadores, de educadoras e educadores, ativistas, militantes do movimento negro buscando promover a valorização da história e cultura afroparanaenses.”
O acervo será composto, inicialmente, por registros de espaços culturais, patrimônios materiais e imateriais e territórios marcados pela presença negra em sua ocupação e construção histórica. A proposta é que o museu siga em expansão contínua, incorporando diferentes formas de expressões culturais e territoriais negras ao longo do tempo.
O mapeamento dos territórios acontece por meio de pesquisa e interlocução direta com entidades negras. Em julho de 2025, o MAFROPR realizou uma reunião técnica com cerca de 40 entidades, em um processo de escuta e construção coletiva.
“O MAFROPR fez uma reunião técnica em julho de 2025, que contou com a participação de cerca de 40 entidades negras, momento em que escutamos as lideranças e pudemos delinear melhor o caminho que seguimos.”
Embora nasça em formato digital, o projeto também articula esforços para a criação de um espaço físico futuramente.
“Fizemos uma nota técnica e encaminhamos à Reitoria e à Deputada Carol Dartora com o sentido de formar esforços na criação de um espaço físico para o MAFRO. Estamos na expectativa de conquistarmos esse espaço.”
Além da preservação da memória afroparanaense, o museu também se propõe como espaço de educação, diálogo e valorização cultural. Parte do acervo ficará disponível online a partir do lançamento oficial, em 2 de julho.
Para Judit Gomes da Silva, a data marcará um momento simbólico para a universidade e para as comunidades negras do estado. Para ela, trata-se de “um dia de celebração da memória e da presença negra em Curitiba e no Paraná.”
O perfil oficial do MAFROPR no Instagram já pode ser acessado aqui.
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