Atendimento durante o projeto no RJ (foto A. Biondo)

UFPR participa de ações de saúde única em aldeias indígenas do Rio de Janeiro

27 fevereiro, 2025
09:07
Por Simone Meirelles

Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Paraná participou em fevereiro deste ano de um projeto conjunto de Pesquisa em Saúde Única (saúde humana, animal e ambiental) em aldeias indígenas de Angra dos Reis e Paraty. A ação envolveu,  além da UFPR, diversas outras entidades, como Fiocruz-RJ, UFRRJ, UNOESTE, Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Litoral Sul, Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro (CRMV-RJ) e a ONG Grupo de Respostas a Animais em Desastres, compondo uma força-tarefa com profissionais de diferentes áreas, incluindo médicos veterinários, biólogos, enfermeiros, nutricionistas, farmacêuticos e médicos. A equipe da UFPR teve à frente o professor Alexander Welker Biondo, do Departamento de Medicina Veterinária.

Estas ações são uma continuidade da pesquisa pioneira feita pela UFPR em Saúde Única de populações indígenas do Paraná, realizadas com financiamento do Edital Universal (CNPq) e apoio de emendas parlamentares de deputados federais do Paraná. Desta vez com maior abrangência, atuando em aldeias indígenas do Estado do Rio de Janeiro, o projeto está investigando também, além de diversas zoonoses, a presença de arboviroses de importância em saúde como Dengue, Zika, Chikungunya, Mayaro e Oropouche. De acordo com o professor Biondo, estão previstas ações semelhantes no próximo mês de maio, no maior aldeiamento do Paraná, que fica em Nova Laranjeiras, centro do estado. “A excelente notícia é que esse projeto serviu de subsídio para inserção do médico veterinário na saúde indígena, um marco histórico em nossa atuação”, comemora o professor Biondo. Recentemente, o DSEI – Yanomamis divulgou um processo seletivo de contratação em que, pela primeira vez na história, médicos veterinários foram incluídos como profissionais do Núcleo de Apoio à Saúde Indígena.

No Estado do Rio de Janeiro, foram realizadas incursões em cinco aldeias indígenas, incluindo Sapukai (em Angra dos Reis), Paraty Mirim, Araponga, Rio Pequeno e Iriri Pataxó (em Paraty). Com uma população de aproximadamente dois mil indígenas, mais de 300 amostras biológicas de indígenas (sangue, cabelos, carrapatos e pulgas) e 120 de seus cães (sangue, fezes, pelos, carrapatos e pulgas) foram coletadas para posterior processamento e testagem para diferentes patógenos, além de acúmulo por metais pesados.

As populações indígenas brasileiras têm historicamente enfrentado exclusão e confinamento em regiões isoladas, em sua maioria área naturais de unidades de conservação. Desigualdades socioeconômicas, baixos níveis educacionais, condições de vida complexas, entre outros determinantes sociais e de saúde, podem agravar a situação indígena e aumentar a vulnerabilidade aos impactos de doenças, particularmente zoonoses. “Nossos estudos da UFPR em aldeias indígenas do Paraná têm demonstrado altas prevalências de toxocaríase, toxoplasmose, febre Q, estrongiloidíase e hemoplasmose além de soropositividade para raiva em pessoas e cães sem prévia vacinação antirrábica”, explica o professor Biondo.

Ele relata que as ações são sempre de intervenção (tratamento e prevenção ofertados) e pesquisa ética em saúde, com vacinação (múltipla e antirrábica), desverminação e aplicação de antipulgas/carrapaticida nos cães e gatos das aldeias, após autorização dos seus tutores. A proposta possui aprovação no uso de seres humanos e Comitê de Ética no uso de animais.  As ações nas comunidades indígenas do Rio de Janeiro foram financiadas por emenda parlamentar via Fiocruz-RJ, com comitês de ética próprios e ação programada de incursão e saúde animal com apoio do DSEI – Litoral Sul.

Segundo o professor Biondo, essa pesquisa tem fornecido informações importantes sobre o risco zoonótico e ambiental em áreas de conservação, auxiliando na implantação de um programa de orientação e vigilância ativa com monitoramento de zoonoses em aldeias assistidas pela DSEI– Litoral Sul, como modelo nacional para ações em aldeias indígenas, em sua maioria áreas naturais ou unidades de conservação, cujas zoonoses podem impactar também em espécies da fauna nativa, particularmente transmitidas por animais domésticos de companhia e de produção.  Além disso, essa proposta possibilitará a publicação de artigos em periódicos indexados e de alto fator de impacto nas áreas de patologia clínica animal, saúde pública, doenças infecciosas e zoonoses.

Como contrapartida técnica para a equipe, o projeto será o tema de dissertação de mestrado em populações indígenas das enfermeiras Daniele Rodrigues e Suelen Resende, servidoras do DSEI – Litoral Sul, no Programa de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias da UFPR. Serão desenvolvidos ainda projetos de iniciação científica ensino médio (CNPq-EM) e de graduação (CNPq PIBIC).

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