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UNIVERSIDADE
FEDERAL DO PARANÁ

UFPR mantém curso superior de Educação em comunidade quilombola

Desde 2015, a comunidade João Surá, remanescente quilombola do município de Adrianópolis, no Vale do Ribeira, vem tendo sua rotina alterada. A cada 15 dias, o local recebe professores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) do Setor Litoral que ministram aulas para o curso de Licenciatura em Educação do Campo com habilitação em Ciências da Natureza (Lecampo) para uma turma local. A iniciativa atende as características da Pedagogia da Alternância e Itinerância, uma das diretrizes do projeto.

Comunidade João Surá - Remanescente de Quilombo (foto: Samira Neves)
Comunidade João Surá – Remanescente de Quilombo (foto: Samira Neves)

O curso, instituído na UFPR, é fruto de um projeto do Ministério da Educação (MEC) que tem o objetivo de formar professores em contextos rurais sem acesso à educação superior, como comunidades quilombolas, de ilhéus e de faxinalenses, além de acampamentos e assentamentos de reforma agrária.

Segundo o coordenador do curso, professor Lourival de Moraes Fidelis, a turma em Adrianópolis é a primeira do Brasil a funcionar numa comunidade quilombola. O curso adequa-se à realidade local, com o objetivo de evitar a evasão e possibilitar o acesso ao ensino superior. As aulas acontecem no Colégio Estadual Quilombola Diogo Ramos, nas sextas, sábados e domingos. Os professores se deslocam desde Matinhos até a comunidade, que dista 60 quilômetros da sede do município de Adrianópolis, onde passam o final de semana.

“Muitos alunos tiveram uma formação básica precária, porque sempre moraram em locais de difícil acesso, e precisaram de apoio para superar suas deficiências. É extremamente gratificante ver a evolução da turma desde o início do curso, que é de licenciatura mas também trata de questões como legislação, direitos, captação de recursos para projetos”, conta a professora Claudemira Vieira Gusmão Lopes, que integra o corpo docente do curso.

A maior parte dos estudantes do curso já são professores em suas comunidades e têm agora a oportunidade de concluir o ensino superior. O projeto pedagógico foi conformado para se adequar às rotinas locais e é dividido em dois tempos pedagógicos: Tempo Universidade, composto das aulas oferecidas no Território Quilombola com a presença dos professores, e Tempo Comunidade, que consiste em atividades pedagógicas desenvolvidas na comunidade pelos estudantes.

João Surá

Formada há cerca de 200 anos, com negros que migraram para escapar da escravização imposta em uma mina de ouro em São Paulo, a comunidade João Surá tem atualmente 43 famílias, com cerca de 200 pessoas. Sua principal atividade é a agricultura, com uma produção muito diversificada voltada principalmente ao consumo de alimentos produzidos pelos moradores. Foi um dos primeiros remanescentes de quilombo do Paraná a iniciar o processo de reconhecimento, concluído em 2003.

Fidelis destaca a expressiva participação de quilombolas e de mulheres negras no curso. “Além dos alunos do Quilombo João Surá temos ainda mais cinco estudantes de outras duas comunidades remanescentes de quilombo reconhecidas estudando conosco: as comunidades de Batuva e Rio Verde do Município de Guaraqueçaba, Litoral paranaense.”

Outras turmas

O curso mantém outras duas turmas com rotinas parecidas com a da comunidade João Surá. A primeira funciona no assentamento Contestado, voltado para a reforma-agrária, no município da Lapa e conta com uma parceria com a Escola Latino-americana de Agroecologia (ELLA). A outra turma está localizada no município de Cerro Azul. Frequentam o curso ainda duas turmas que têm seu Tempo Universidade na sede da UFPR Litoral, em Matinhos. No total são 200 alunos atendidos.

Segundo o coordenador do curso, “a Lecampo vem conseguindo atender ao princípio da educação como direito, e principalmente uma educação que não se acha desvinculada das realidades das populações do campo, do território e realidades do campo”.

Devido à fragilidade sócio-econômica das comunidades atendidas pelo curso, o número de estudantes que necessitam de bolsas para se manter é expressivo. Na comunidade João Surá, 16 estudantes recebem uma bolsa do MEC, voltada a quilombolas que estejam cursando a graduação e os outros sete fizeram os cadastros e estão à espera de aprovação do ministério para começarem a receber o benefício. Estudantes de outras localidades são atendidos pelo Programa de Benefícios Econômicos para a Manutenção dos Estudantes de Graduação e Ensino Profissionalizante (PROBEM). No total, até o último semestre, 93 estudantes recebiam um destes dois auxílios.

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