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Simpósio de Literatura Negra Ibero-Americana abre mês de celebração à consciência negra

No mês da Consciência Negra, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) iniciou a celebração com o IV Simpósio de Literatura Negra Ibero-Americana, evento que reúne escritores, especialistas e pesquisadores do assunto para debater a respeito da revisitação da mestiçagem, temática desta edição.

O simpósio teve início nesta terça (6) e segue até sexta-feira (9) com mesas-redondas, palestras, oficinas e lançamentos de livros. “Vamos revisitar a mestiçagem a partir da ótica do negro em obras literárias, ensaísticas, poéticas e discutir quais são as implicações da mestiçagem para a questão do negro, trazendo esse negro escrito para reflexão e debate”, explica Rodrigo Vasconcelos Machado, coordenador do Simpósio. Para Machado, a relevância do evento está na formação de quadros, já que parte do público se tornará professor no futuro, e também na contemplação de obras locais.

Foto: Marcos Solivan

Oswaldo de Camargo – poeta, ficcionista, crítico, historiador da literatura, consultor de literatura do Museu Afro-brasileiro de São Paulo e um dos mais destacados escritores negros das últimas décadas – proferiu palestra intitulada “Presença da África da Literatura Brasileira: A Palavra de Pretos, neste País, em uma Trajetória De Resistência”. Para ele, o tema mestiçagem é pouco debatido. “Essa questão foi o grande tema da nossa literatura a partir de 1922, com Mário e Oswald de Andrade. Era difícil, em um país desarvorado como o Brasil, ser branco ou ser preto. A mestiçagem foi a saída encontrada pelos intelectuais”.

Segundo o escritor, o êxito embranquece. Ele explica que o Brasil tem uma tendência de, quando o negro tem brilho e transcendência, alijá-lo da questão negra e jogá-lo para a questão branca. “Esse debate é importante, pois é necessário que o País tenha, de fato, capacidade de perceber a realidade racial de sua gente”. Durante o Simpósio, Camargo também realizará o lançamento de um de seus livros, que tem como tema Mario de Andrade.

Foto: Marcos Solivan

Para Paulo Vinícius Baptista da Silva – superintendente de Inclusão, Políticas Afirmativas e Diversidade da UFPR – toda a programação que acontecerá ao longo de novembro é importante para o reconhecimento da comunidade negra que se faz muito mais presente na universidade. “É a oferta de conhecimento sobre a africanidade no Brasil, que é uma demanda da comunidade acadêmica. Fundamental também tem sido a participação ativa dos estudantes e pesquisadores nesses eventos”.

Silva revela que a UFPR passou a ser um polo de informação sobre a literatura negra, tema pouco difundido na instituição anteriormente. “Nós participamos de uma proposta de País voltado a todos, à democracia e à igualdade racial. Esse processo de informações da nossa matriz africana e a evolução dessa matriz no pensamento social são muito significativos para essa luta por igualdade social, assim como para o respeito aos diversos ativismos e minorias que devemos ter na universidade”.

Foto: Marcos Solivan

A Consciência Negra é celebrada no dia 20 de novembro, data que, segundo Camargo, surgiu a partir de um grupo de poetas e intelectuais de Porto Alegre. “O grupo se reunia com frequência e percebeu que o dia 13 de maio – data da Abolição da Escravatura no Brasil – era uma data falha, pois a liberdade que nos foi dada foi um Cavalo de Troia”. Nesse sentido, o escritor considera a literatura muito importante para a esta reflexão pois, para ele, o poeta alerta muitas coisas. “O autor traz uma beleza no texto, sem isso não convém escrever. Essa beleza é que convence, diferente de uma tese que é seca, a literatura é obra de arte”.

A programação se estende por todo o mês com conferências, seminários, rodas de conversa, oficinas, exposições e apresentações culturais, em vários campi da universidade e também fora dela. Confira a programação completa do IV Simpósio de Literatura Negra Ibero-Americana.

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